Escuta ampla para o Sínodo é um empreendimento gigantesco, afirmam especialistas

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25 Novembro 2013

Se os bispos de todo o mundo querem seguir uma diretiva do Vaticano para ouvir a opinião dos católicos "o mais amplamente possível" em questões como a contracepção, o casamento homossexual e o divórcio antes do sínodo do próximo ano, eles terão que começar a trabalhar muito rapidamente.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 16-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Organizar tal esforço – disseram vários coordenadores de tentativas anteriores dos bispos de se envolver em escutas de longo alcance – leva tempo, dedicação e um desejo sincero de ouvir as experiências cotidianas dos católicos – independentemente se seus pontos de vista estão fora dos limites da estrita adesão à doutrina da Igreja.

Também depende da habilidade de quem faz a coleta dos dados para classificá-los e, em seguida, encontrar maneiras de interpretar o que isso significa.

"Apenas do ponto de vista de processamento de dados, isso é enorme", disse Tom Quigley, ex-assessor da Conferência dos Bispos dos EUA que ajudou a coordenar os preparativos dos prelados norte-americanas para o Sínodo dos Bispos para a América em 1997.

"Eu sei que ainda não existe esse tipo de capacidade no Vaticano", disse Quigley, que serviu como conselheiro político dos bispos sobre assuntos da América Latina e Caribe de 1964 a 2007.

"Eles vão ter que criar algum tipo de sistema para coordenar todas as coisas se eles pretendem receber tudo, validar e processar de alguma forma", disse ele. “Vai ser uma coisa enorme".

Dolores Leckey, ex-assessora dos bispos dos EUA que comandou os preparativos para o Sínodo de 1987 sobre os leigos, disse que os preparativos para aquele evento desenvolveram-se ao longo de dois anos e incluíram sessões de escuta realizadas por padres e bispos nas paróquias de todo o país e uma grande apresentação de sugestões sobre o tópico para o escritório nacional dos bispos.

"Você tem que ter um processo que vai tentar obter o máximo de contribuições possíveis das pessoas", disse Leckey, chefe da secretaria dos bispos dos EUA para a família, leigos, mulheres e jovens entre 1977 e 1997. "E você tem que ter pessoas que vão dedicar um bocado de tempo para isso".

Leckey e Quigley falaram em entrevistas sobre o pedido do Vaticano para os bispos do mundo para sondar os católicos sobre como determinados temas afetam suas vidas antes de uma reunião global de prelados prevista para outubro próximo.

Convocada pelo Papa Francisco para os dias 5 a 19 de outubro de 2014, a reunião irá enfocar o tema "desafios pastorais para a família no contexto da evangelização".

Dom Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo dos Bispos, do Vaticano, enviou uma carta aos chefes das Conferências Episcopais globalmente no dia 18 de outubro, pedindo que eles a distribuam "imediatamente o mais amplamente possível a decanatos e paróquias para que as contribuições vindas de fontes locais possam ser recebidas". A carta, divulgada pelo NCR, pede que as conferências interroguem as suas populações sobre temas, por vezes, controversos em antecedência do Sínodo.

Enquanto declarações vaticanas não deixaram claro o quão difundida o Vaticano desejava que fosse a consulta dos leigos católicos, aqueles que trabalharam antes para realizar tais esforços disseram que os bispos precisam se mover rapidamente se pretendem ouvir sinceramente o que os leigos têm a dizer.

Os bispos da África levaram quase cinco anos para se preparar para um sínodo em1994, que foi focado nas necessidades desse continente, disse o padre maryknoll Joseph Healey, missionário na África Oriental desde 1968 que, no passado, liderou a assessoria de comunicação social da associação dos membros das conferências episcopais na África Oriental.

Quando o Papa João Paulo II anunciou aquele sínodo em 1989, Healey disse que os bispos da África Oriental imediatamente duplicaram os documentos preparatórios, traduzindo-os para o inglês e swahili, e pediram às paróquias para sediar discussões sobre os diversos temas.

Healey disse que foi por causa dessa resposta que cerca de 40 dos 54 países africanos foram capazes de agrupar as respostas das paróquias para uso no sínodo de 1994.

O padre Laurenti Magesa, um proeminente teólogo tanzaniano e sacerdote desse país na diocese de Musoma, disse que ele e outros dois sacerdotes foram de paróquia em paróquia, a pedido do seu bispo para ouvir as necessidades dos paroquianos.

"Não foi algo que nos foi enviado por escrito", disse Magesa, que agora é professor de teologia moral no Hekima College, uma escola jesuíta de teologia em Nairóbi, no Quênia. "Ouvimos as pessoas e registramos suas respostas".

Leckey disse que os bispos dos Estados Unidos decidiram submeter-se a uma preparação de dois anos para o Sínodo de 1987 quando esse evento, inicialmente previsto para 1986, foi adiado em um ano.

"Essa não era a expectativa", disse Leckey. "A expectativa, no Vaticano, era de que os bispos e seus consultores iriam responder as perguntas... Mas o nosso povo na Conferência Episcopal decidiu que iríamos diretamente ao povo".

Para iniciar essa consulta, a comissão episcopal montou um questionário sobre o sínodo para os bispos distribuírem em suas paróquias, disse Leckey, e também foram realizadas reuniões regionais em todo o país com os quatro bispos norte-americanos eleitos pela conferência para participar do Sínodo.

Esses bispos – o arcebispo John May, de St. Louis, o arcebispo Rembert Weakland, de Milwaukee, o cardeal Joseph Bernardin, de Chicago, e o bispo Stanley Ott, de Baton Rouge, Louisiana –, em seguida, usaram o material que eles tinham reunido para fazer suas apresentações no sínodo do Vaticano, explicou Leckey.

A ex-assessora dos bispos disse que ela também escreveu dois artigos para o Catholic News Service incentivando as pessoas a responder às perguntas, que ela disse eram cerca de uma dúzia. Como resposta, disse ela, algumas pessoas escreveram para ela, às vezes, enchendo cadernos com suas contribuições.

"Uma pessoa disse que nunca ninguém a tinha perguntado isso antes. E isso tornou-se algo que os bispos realmente se deram conta: 'Por que não tínhamos perguntado antes?'".

Weakland, disse ela, utilizando parte do material para fazer intervenções no Sínodo sobre o papel das mulheres na igreja, perguntou especificamente sobre a possibilidade de mulheres servirem na burocracia central do Vaticano ou em seu corpo diplomático, dizendo que posições nessas áreas não exigem a ordenação ao sacerdócio.

O esforço de consulta dos bispos norte-americanos veio dos prelados americanos que tinham sido submetidos a uma extensa experiência nos processos de consulta.

A redação da carta pastoral dos bispos de 1983, "O Desafio da Paz: Promessa de Deus e a nossa resposta", e da carta pastoral de 1986, Justiça Econômica para Todos", incluía contribuições de dezenas de grupos católicos e envolveu sessões de escuta em nível nacional e regional.

Tirando lições de sua experiência na década de 1980, Leckey disse que os bispos norte-americanos hoje devem "tentar levar as pessoas a falar sobre como suas vidas são, quais são os seus problemas, o que eles precisam da igreja, qual é o grande problema pastoral para eles".

"Se, na verdade, a paróquia, como uma agente da Igreja, está lá para ajudar as pessoas ao longo do caminho, eu quero descobrir o que é que elas percebem que elas precisam", disse ela.

Leckey também recomendou que os prelados norte-americanos consultem organizações como a Associação Nacional dos Ministros da Vida Familiar Católicos e a Sociedade do Direito Canônico dos EUA para reunir e interpretar os dados da pesquisa.

Um desses grupos já se ofereceu para ajudar.

A Ir. Sharon Euart, das Irmãs da Misericórdia, diretora-executiva da Sociedade do Direito Canônico dos EUA disse que sua organização ficaria "feliz em ajudar os bispos nesta tarefa".

"Muitos dos problemas identificados no documento tem implicações canônicas", disse Euart, referindo-se ao questionário do Vaticano de 18 de outubro.

"Para se ter um quadro completo não só do que as pessoas estão sentindo ou o que as pessoas gostariam de ver mudado, talvez consultar a sociedade do direito canônico ou os seus membros ajudaria os bispos a identificar como a lei atual está, bem como as possíveis alterações que possam ser necessárias", disse ela.

Para Magesa, a preparação para o sínodo 1994 em seu continente levou a uma mudança na perspectiva dos africanos em como participar na Igreja.

Quando eles começaram a ter conversas em paróquias segundo ele, as pessoas estavam hesitantes em partilhar as suas opiniões e sentimentos.

"As pessoas não queriam falar sobre a Igreja", disse ele. "O argumento deles era de que o clero, os líderes, sempre disseram-lhes o que fazer. Eles não viam nenhuma razão pela qual deveríamos ir a eles e perguntar-lhes sobre como a Igreja deveria ser".

Depois de algum tempo, no entanto, Magesa disse que as pessoas "começaram a ver que a Igreja é delas, que elas eram os donos da Igreja."

"Depois da resistência inicial, houve a abertura", disse ele. "Eles começaram a usar o pronome nossa Igreja. Para mim, isso foi um desenvolvimento muito importante".

 

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