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Por: André | 09 Outubro 2013

Primeiro foram duas ilhas e, agora, Assis. A geografia das visitas do Papa Bergoglio marca o roteiro de seu papado e suas prioridades. A primeira viagem italiana à ilha de Lampedusa, a dos desesperados em busca de uma vida digna que, muitas vezes, morrem na tentativa. A segunda visita à ilha da Sardenha, vítima de uma crise feroz, com taxas de desemprego como as andaluzas. A visita aos trabalhadores sem trabalho, aos jovens sem futuro. Os pobres, os pobres e sempre os pobres. E se acaso houver ainda alguma dúvida, a terceira visita à cidade do Poverello, o santo ícone do serviço aos pobres. O santo que inspira o seu papado reformador: “Reconstrói a minha Igreja”.

 
Fonte: http://bit.ly/19ykHnC  

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 05-10-2013. A tradução é de André Langer.

E Bergoglio foi Francisco em Assis. Com suas prioridades na contramão do até agora eclesiasticamente correto. Para não dizer do politicamente correto. Francisco é um papa incômodo. Cada vez mais incômodo, porque é um Papa transparente e radical. Não como um radical de esquerda, mas com a radicalidade ainda mais profunda proporcionada pelo Evangelho.

Havia muitas expectativas em relação à sua viagem a Assis. Pelo que Assis significa no imaginário coletivo e pela personalidade do próprio Papa. Um Papa capaz de tudo. Um Papa que enche com sua presença. Que comunica sem parar. Que sintoniza com as pessoas. Que comunica com todo o seu corpo, gestos, palavras... Um Papa que irradia, que sem dizer, diz. Que se adianta, que vai ao encontro, que abraça e beija com ternura, que olha com amor, que se deixa apertar, que suporta beijos e abraços (Na sexta-feira, dia 04 de outubro, por exemplo, uma fila interminável de freis franciscanos, que foi abraçando um a um... Alguém deveria controlar estes excessos, sobretudo com os de “casa”).

Francisco suporta tudo, com seu sempiterno sorriso de felicidade. Aguenta os abraços que lhe dão e, evidentemente, os que dá. Por isso, ocupou muito tempo beijando e abraços os doentes, os deficientes físicos e os pobres. E consolando os seus familiares. A carícia de Deus e da sua ternura nas mãos do Papa.

Eles, os pobres e os doentes, são seus favoritos. Como o foram de Cristo. Com eles se demora, perde tempo, não tem pressa. Claro que saúda as autoridades (o próprio Enrico Letta, primeiro ministro italiano, presente na missa), mas de passagem. O Papa já não come com as autoridades, mas senta-se na mesa com os pobres. São seus filhos mais fracos e, portanto, seus preferidos, que necessitam da sua atenção.

Em sua histórica viagem a Assis, há vários marcos, que passarão para a História. Enumeremos alguns:

1) Na sala da Espoliação (onde Francisco se desnudou como sinal da sua entrega absoluta a Deus), o Papa não se desnudou (como especularam alguns jornalistas), nem anunciou que despojaria os cardeais e bispos de mitras, mozetas e outras capas saias. Irão caindo por si mesmos, porque, entre os pobres, as capas saias se sujam e ficam feias.

2) Consciente de que as pessoas buscam respostas para os seus problemas cotidianos, o Papa sábio e ancião dá conselhos. E diz às mães que, se não querem ter os seus filhos em suas casas até os 30 anos, “deixem de passar as camisas deles”. Ou diz aos casais que é lógico que, de vez em quando, “joguem os pratos”, mas que, se quiserem continuar a se amar, não podem dormir “sem antes ter feito as pazes”.

3) E, evidentemente, em todas as suas intervenções abundam ainda mais os conselhos pastorais. Advertências e recomendações aos seus, ao universo clerical que tão bem conhece. Às monjas enclausuradas pediu que sejam capazes de se suportar e que seus conventos “não sejam purgatórios”. E, sobretudo, que tenham alegria, mas uma alegria profunda, não como a “das aeromoças”.

Conselhos e puxões de orelha nos bispos, aos quais advertiu que “não podem governar uma diocese sem conselhos pastorais”, que foram desativados, marginalizados ou escanteados até agora. Acabaram-se os bispos-senhores. Francisco quer bispos que sejam capazes de criar “a harmonia da diversidade”. Bispos de todos, não de alguns poucos movimentos.

Aos padres veio dizer algo semelhante: que têm que caminhar com o povo, que têm que ativar novamente os conselhos de pastoral nas paróquias, que sem os leigos não são ninguém, que não podem mandar na paróquia, que têm que estar atentos ao sensus fidei dos fiéis e que deixem de lado “as homilias longas, chatas e que ninguém entende”. Em uma palavra, que desçam do pedestal, pisem o barro e saiam às periferias.

4) Um Papa de gestos como Francisco é lógico que fique encantado com os sinais. Houve muitos e variados na sua viagem a Assis. Por exemplo, os ramos de rosas brancas (de que gosta, porque lhe recordam Santa Teresinha de Lisieux, uma das santas prediletas) com algumas amarelas (talvez como concessão às cores do Vaticano) para São Francisco ou Santa Clara. O peitoral com a Tau franciscana, que lhe deram os freis e que colocou por cima da sua cruz. Ou a contemplação extasiada do famoso e belo Cristo de São Damião.

5) E como sinal evidente de colegialidade em ação, Francisco esteve acompanhado ao longo de toda a viagem pelo seu G8, sua guarda de corps cardinalícia, seus oito conselheiros com quem vai “reconstruir a Igreja”. E em profundidade. Ali estiveram todos, capitaneados pelo hondurenho Maradiaga. Sinal visível de que o Papa das reformas não está sozinho, que conta com mais apoios que resistências. Tanto nas bases como na cúpula. Não o deixam sozinho. E prometeram defendê-lo inclusive até o derramamento de sangue. O Papa tem equipe. Consolida-se o horizonte de esperanças da Igreja. A primavera chegou para ficar. Paz e bem.

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