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11 Setembro 2013

A liderança franca do Papa Francisco contra a força militar é sem paralelos na história papal. Mais do que em qualquer outra figura mundial, a sua voz também se tornou a voz moral pela paz no mundo contemporâneo.

A opinião é de Stephen Schneck, diretor do Instituto de Pesquisa Política e Estudos Católicos da Universidade Católica da América. O artigo foi publicado no jornal The Washington Post, 09-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Com aquele tuíte do início desta semana, o Papa Francisco tornou-se o papa da paz. O mundo precisa tomar conhecimento. A liderança do papa na opinião pública mundial tem sido uma inspiração para grande parte da oposição aos planos do presidente Barack Obama de atacar militarmente o regime da Síria. Os sinais são de que a causa da paz pode se tornar dominante para este pontífice e, se assim for, o potencial existe para redefinir a percepção do mundo sobre o papado, o Vaticano e a Igreja Católica.

Esse sábado, 7 de setembro, foi chamado pelo Papa Francisco para ser um dia de jejum e de oração pela paz. Atendendo a esse chamado, o cardeal Donald Wuerl, arcebispo de Washington, ofereceu uma missa pela paz no Santuário da Imaculada Conceição, em Washington. Bispos e párocos em quase todas as diocese norte-americanas realizaram celebrações pela paz semelhantes. O mesmo vale para a maioria das faculdades e universidades católicas. Milhões de católicos comuns em todo o mundo uniram-se a essas orações.

Curiosamente, o chamado papal pela oração e jejum cruzou linhas denominacionais, incluindo algumas duras linhas ecumênicas, como muitos grupos protestantes, Igrejas ortodoxas e até mesmo templos hindus se uniram aos católicos em oração e jejum. A hashtag papal #prayerforpeace virou tendência na estratosfera do Twitter durante grande parte da semana.

Muitos políticos católicos de Washington – dentre eles o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, o vice-presidente Joe Biden, o secretário John Kerry – talvez poderão apoiar a iminente resposta militar do presidente Barack Obama, mas a oposição papal ao uso norte-americano da força militar na Síria tem sido clara e emocionalmente comovente. Contra a intervenção militar, afirmou ele no último domingo na Praça de São Pedro, "o uso da violência nunca conduz à paz. Guerra chama mais guerra, violência chama mais violência".

A linguagem arrebatadora de tais críticas por parte do pontífice move a Igreja Católica Romana ainda mais dramaticamente para aquele que agora parece ser um arco de aceleração em sua oposição à guerra. Tradicionalmente, os ensinamentos da Igreja sobre a guerra eram principalmente critérios para a Guerra Justa – regras para quando a guerra podia ser apropriada (jus ad bellum, como: apenas para defender ou proteger os inocentes) ou para a forma como a guerra podia ser adequadamente conduzida (jus in bellum, como: oposição à guerra que coloque os civis em perigo).

Ao contrário dos quakers ou de outras "Igrejas da paz", a Igreja Católica nunca exigiu pacifismo. De fato, seus ensinamentos insistiam que os governos têm um imperativo moral de trabalhar para proteger não só os seus próprios cidadãos, mas também todos os seres humanos da agressão e promover a paz segura, e, em casos extremos, esse imperativo foi entendido como a inclusão do uso de meios militares.

Mas papas recentes, incluindo João XXIII e João Paulo II, falaram muito menos sobre os critérios para as Guerras Justas e muito mais sobre as responsabilidades mútuas de sempre promover e praticar a paz.

Na preparação para a segunda Guerra do Golfo, católicos neoconservadores como o padre Richard Neuhaus e George Weigel, esforçaram-se para interpretar velhas regras da Guerra Justa do catolicismo de várias formas para justificar a intervenção liderada pelos Estados Unidos no Iraque. A resposta vaticana sob o então Papa João Paulo II, no entanto, criticou essa guerra diretamente como uma afronta à responsabilidade do governo de sempre promover a paz.

De acordo com as observações do Papa Francisco das últimas semanas em resposta ao conflito sírio, o pontífice católico de hoje moveu a Igreja para muito mais longe, em direção à ênfase da promoção da paz sob João XXIII e João Paulo II. Colocando no centro da cena a responsabilidade dos governos de promover a paz, o Papa Francisco condenou veementemente o uso por parte do presidente sírio, Bashar al-Assad, de gás venenoso contra civis, enquanto exigiu ainda que a comunidade mundial empregue apenas meios não violentos para responder a essas horríveis agressões e atrocidades.

Citando a Síria em sua carta formal para cúpula do G20 desta semana e para o seu anfitrião, o presidente russo, Vladimir Putin, o papa apelou que os líderes reunidos "encontrem formas para superar as posições conflitantes e deixem de lado a busca fútil de uma solução militar" e pediu, ao invés, "uma solução pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes".

A liderança franca do Papa Francisco contra a força militar é sem paralelos na história papal. Mais do que em qualquer outra figura mundial, a sua voz também se tornou a voz moral pela paz no mundo contemporâneo. Sob a sua liderança, a própria Igreja pode muito bem vir a ser identificada pelo seu papel de força moral pela paz no mundo. Nós vimos nesse dia de jejum e de oração que as paróquias, dioceses e católicos comuns estão respondendo ao seu chamado. Na sua carta ao Congresso, os bispos norte-americanos também citaram esses "apelos do Sucessor de São Pedro" em sua própria crítica à ação militar proposta.

O líder da Igreja Católica de hoje é um papa da paz. É difícil exagerar o significado disso – pelo que isso significa para a igreja, para os católicos e para o mundo. Sem dúvida, o Príncipe da Paz aprovaria.

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