IOR: ''Há mais casos suspeitos e é preciso descobrir os vínculos com os paraísos fiscais''

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13 Agosto 2013

"As indicações de operações suspeitas relatadas em 2013 já são agora significativamente mais do que as seis relatadas em 2012. O fato de terem aumentado é o sinal de que o sistema de controle funciona". No dia da publicação do motu proprio papal que amplia sobre todos os dicastérios financeiros da Santa Sé os poderes de controle da Autoridade de Informação Financeira do Vaticano (AIF), o diretor, René Brülhart, revela que a ação de desarmamento dos "problemas bem conhecidos" – assim o Papa Francisco os chamou no avião de retorno do Brasil – do IOR, e em geral das finanças vaticanas, está funcionando bem.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 09-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com o motu proprio, o papa dá uma importante confirmação à AIF e ao seu trabalho pela transparência de um sistema em que as ações ilícitas ainda são perceptíveis. Não é só o IOR que precisa de controle, mas também os outros dicastérios. Dentre estes, a Apsa [Administração do Patrimônio da Sé Apostólica], em que o responsável pela contabilidade, o Mons. Nunzio Scarano, tinha criado um mecanismo de lavagem de dinheiro sujo, lançando assim uma sombra sobre o funcionamento global de uma entidade cuja cúpula já está em uma situação de objetiva dificuldade junto ao pontífice.

Brülhart, 40 anos, dirige a AIF desde setembro de 2012. Há oito anos diretor da Financial Intelligence Unit (FIU) de Liechtenstein, ele foi escolhido pelo Vaticano como especialista na luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Ele diz: "Chegou-se ao motu proprio trabalhando pela transparência. E, para que a Santa Sé tenha os instrumentos necessários para garantir um regime financeiro limpo e adequado aos padrões internacionais, considerou-se oportuno ampliar as competências da AIF, em especial a sua vigilância sobre a lavagem de dinheiro interna".

Até poucos meses atrás, as finanças vaticanas não navegavam em boas águas. Antes do conclave, diversos cardeais haviam pedido uma drástica mudança de rota. A AIF, assim, tomou diversas medidas para "consolidar um sistema que funcione e que seja sustentável".

Brülhart explica ainda que tudo começou "com a apresentação do relatório anual da AIF em maio passado na Sala de Imprensa do Vaticano. Depois, estipulamos acordos históricos com as unidades de informação financeiras da Itália e dos Estados Unidos. Depois, a admissão de pleno direito da própria AIF dentro do Grupo Egmont, que reúne as unidades de informação financeira em nível mundial. Isso facilitou a troca de informações sobre transações suspeitas e os crimes financeiros em países inacessíveis de outra forma. No pano de fundo, também houve o 'caso Scarano', em que as indicações transmitidas pela AIF ao promotor de justiça determinaram o início das investigações no Vaticano. Foram tomadas medidas adicionais, como o bloqueio das contas e as cartas rogatórias à Itália. Isso confirma que o sistema funciona".

Do outro lado do Tibre, são muitos os que consideram que a admissão ao Grupo Egmont foi o "passo decisivo" no delicado trabalho da AIF. "A admissão ao Grupo Egmont – diz ainda Brülhart – representou o reconhecimento dos esforços sistemáticos da Santa e do Estado da Cidade do Vaticano para identificar e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. A nossa inserção vai promover, de fato, ainda mais a nossa capacidade de contribuir para a luta global contra os crimes financeiros".

A vontade de Joseph Ratzinger antes, e hoje de Jorge Mario Bergoglio, é uma só: combater a podridão interna. Com o motu proprio, Francisco também cria um Comitê de Segurança Financeira, que será presidido pelo assessor da Secretaria de Estado Peter Brian Wells, enquanto Brülhart será seu diretor.

O trabalho do Comitê não se sobrepõe ao da nova Comissão de inquérito de leigos, encarregada de estudar soluções para os dicastérios financeiros vaticanos. "O Comitê de Segurança Financeira – diz Brülhart – tem um papel importante de coordenação".

O objetivo de todos é chegar a oferecer ao papa um sistema financeiro que trabalhe sempre e apenas pelo bem da Igreja e que seja adequado aos padrões internacionais. Outras mudanças estão todas na mente e nas mãos de Francisco.

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