A direita critica o papa: rezar não é governar

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11 Julho 2013

Inicialmente, não houve nenhuma reação à viagem a Lampedusa com a qual o papa colocou uma classe política inteira diante da própria responsabilidade, da indiferença para com as tragédias do mar, dos 19 mil refugiados mortos desde 1998. No dia seguinte, porém, "abre-te, ó céu".

A reportagem é de Paolo Rodari e Francesco Viviano, publicada no jornal La Repubblica, 10-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Acostumados com uma hierarquia eclesiástica que durante anos os apoiaram em troca da garantia da defesa dos princípios inegociáveis (o "não" ao aborto e à eutanásia, a condenação do reconhecimento jurídico da união entre homossexuais e dos casais de coabitantes, a defesa da liberdade religiosa e de educação), vários políticos se descobriram subitamente órfãos diante de um papa que coloca entre as prioridades do pontificado não mais os princípios, mas sim o anúncio do Evangelho sine glossa, que significa atenção aos últimos e aos pobres.

No dia seguinte, Fabrizio Cicchitto, presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara italiana, foi o primeiro a deixar escapar. Ele reconheceu que o papa "desenvolveu uma reflexão de alto nível", mas, diz, "uma coisa é a pregação religiosa, outra é a gestão por parte do Estado de um fenômeno tão difícil. Mesmo nesta circunstância, deve ser afirmava uma razoável, não extremista, mas séria e real autonomia do Estado e da Igreja. Nesse quadro, é desejável que a ministra Kyenge (Ministra do governo italiano, nascida na República Democrática do Congo. Nota da IHU On-Line) não realiza forçações unilaterais com relação a posições tão diferentes sobre a questão da imigração".

No entanto, a emergência é real. E ninguém parece querer agir, mesmo que nestas horas os serviços de inteligência italianos informaram a Presidência do Conselho que, na costa da Líbia, estão amontoados, escondidos em pavilhões por traficantes sem escrúpulos, mais de 5.000 imigrantes extracomunitários à espera de serem embarcados em botes e barcos decrépitos direto a Lampedusa e outros portos sicilianos.

"Trata-se de milhares de extracomunitários – diz uma fonte dos serviços secretos italianos – que há meses esperam a luz verde dos traficantes líbios, que, antes de fazê-los partir, embolsam milhões de euros e dólares".

Se Daniela Santanchè considera as palavras de Cicchitto "mais do que compartilháveis", bem mais explícito foi o membro da Liga Norte Erminio Boso, que chega a dizer: "Se um barco afunda, eu fico contente". E ainda: "Eu não me importo nada com o papa. Peço ao papa dinheiro e terras para colocar os extracomunitários dentro. Não sou hipócrita como todos, especialmente os jornalistas. Eu defendo a minha família e a minha terra. Vocês permitem a violência dentro de casa por parte dessas pessoas. Vendem a carne humana para a audiência, cavalgam com hipocrisia todas as desgraças das pessoas".

Ao invés, o vice-presidente do Senado italiano, Roberto Calderoni, diz: "No Estado do Vaticano, há o rechaço [dos criminosos e ilegais] por meio da força pública, além da prisão. A pregação do Santo Padre, como tantas outras vezes, foi bonita e tocante, mas as leis são outra questão, como demonstram as que estão em vigor no Vaticano".

Na Igreja, muitos estão cerrando fileira em defesa de Francisco. Há o prior de Bose, Enzo Bianchi, que diz que "é vergonhoso recriminar a visita a Lampedusa". E há a Famiglia Cristiana, que pede a "abolição do crime de clandestinidade [imigração ilegal]".

Desde sempre enfileirada em favor dos últimos anos e durante muitos anos crítica das políticas da centro-direita, embora no Vaticano muitos a pensavam diferente, a revista dos paulinos escreve que "as palavras do papa em Lampedusa puseram a nu o absurdo de uma lei que ofende a dignidade humana. É hora de revogá-la". E pede a "este governo" que "siga em frente e ignore as patéticas 'advertências' à ministra Kyenge do honorável Cicchitto, que teve a presunção de 'agredir' até o papa, a fim de defender o status quo".

Um apelo que, à sua maneira, também é retomado pela presidente da Câmara, Laura Boldrini, que espera que "a política supere as contraposições e que os fluxos migratórios sejam geridos sem demagogia".

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