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Usinas nucleares devem ganhar espaço até 2040, avalia FGV

Analisando o setor atualmente e o cenário futuro até 2040, a Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentou ontem em São Paulo estudo que mapeia a geração de energia elétrica do país. A principal constatação do trabalho apresentado pelo coordenador de projetos da fundação, Otavio Mielnik, é a de que o sistema de geração, desenvolvido nos últimos 50 anos, mostra sinais de saturação e deverá ter a matriz modificada em direção a geração de usinas térmicas no futuro.

A reportagem é de Rodrigo Pedroso e publicada pelo jornal Valor, 04-07-2013.

O estudo, "O Futuro Energético e a Geração Nuclear", prevê no período de 2013 a 2040 três cenários possíveis para o setor. O primeiro leva em conta um pequeno crescimento da demanda de energia e reduzido consumo do setor industrial. O segundo prevê crescimento da demanda necessitando ampliação da capacidade instalada e aumento do consumo de energia per capita no país. No último, grande crescimento da demanda de energia e ampliação de investimentos privados.

Em ordem respectiva, a taxa média de crescimento anual de longo prazo da economia brasileira é de 3% no primeiro cenário, 4% no segundo e 5% no terceiro, com a geração de energia elétrica no Brasil dobrando até 2040.

No primeiro cenário, a composição da energia elétrica brasileira será, em 2040, de 57% de hidreletricidade, 2% de óleo, 3% de eólica, 8% de biomassa, 5% de carvão, 8% de nuclear e 17% de gás natural. Atualmente, a composição da matriz é de 80% de energia oriunda de usinas hidrelétricas.

No segundo e terceiro cenários, há um aumento substantivo da participação da energia nuclear na matriz nacional - 12% e 15% de participação respectivamente, seguido de aumento do gás natural (para 21% e 18%) em detrimento do encolhimento de hidrelétricas (49% e 46%).

Alguns movimentos são citados pelo estudo como necessários para melhorar a eficiência e a oferta do setor e baixar os custos aos consumidores até 2040: diversificação da matriz energética, para diminuir a dependência de fatores climáticos ou físicos; planejamento público de longo prazo para o setor, para atrair mais investimentos privados; aumento da presença de usinas nucleares, para baixar o custo total do sistema, e participação do setor privado na construção, gestão e operação de novas usinas através de concessões.

A saturação prevista para o sistema elétrico brasileiro se dá pela perspectiva de estagnação do potencial de exploração de novas usinas hidrelétricas no futuro, de acordo com Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

Do potencial hidrelétrico de 260 mil megawatts (MW) que o Brasil dispõe atualmente, cerca de 150 mil MW são aproveitáveis, segundo o secretário. O potencial desse tipo de matriz energética deve ser esgotado entre 2025 e 2030.

"O plano de expansão de hidrelétricas está em execução com a construção das usinas na Amazônia: Jirau, que está em operação, e Santo Antônio. Belo Monte, no Xingu, vai entrar em operação em 2015. Depois virão as usinas do complexo Tapajós, onde queremos licitar mais duas. Após essas usinas, esgota-se o potencial de grandes hidrelétricas, o foco será em melhorá-las ou criar outras com menor capacidade", disse.

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