Lavagem de dinheiro na Cúria: a mão dura do papa

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29 Junho 2013

No Palácio Apostólico, onde fica a sede da APSA, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica, praticamente o cofre do outro lado do Tibre, há cerca de 20 dias a mesa do responsável pelo serviço de contabilidade analítica está vazia. A luz apagada, o escritório fechado. O Mons. Nunzio Scarano foi suspenso do trabalho como medida de precaução depois que a Procuradoria da República de Salerno o inscreveu no quadro dos investigados, juntamente com outras 56 outras pelo crime de lavagem de dinheiro. Uma acusação muito pesada que levou os seus superiores a agir sem demora.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 28-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A suspensão do serviço como precaução é acionada automaticamente, por regulamento, quando um empregado, leigo ou ordenado, está sujeito a procedimentos judiciários, seja por parte da magistratura vaticano, seja da italiana", explicam do outro lado do Tibre, acrescentando que, apesar da suspensão do monsenhor, será garantido o salário à espera do veredito final. Só se ele for julgado culpado e responsável pelos fatos a ele contestados é que será desencadeada a demissão e o afastamento da Santa Sé.

Procedimentos semelhantes foram tomados recentemente também para Paoletto, o mordomo que havia furtado as cartas do apartamento pontíficio; para Claudio Sciarpelletti, o técnico de informática; e para um policial também envolvido no caso Vatileaks.

O caso Scarano e a sombra da lavagem de dinheiro estão causando um considerável embaraço no Vaticano, porque mais uma vez o comportamento de um único prelado corre o risco de jogar uma luz sinistra sobre a imagem global da Cúria e do IOR, o banco sobre o qual está se concentrando a atenção do Papa Francisco, decidido mais do nunca a analisá-lo claramente e entender se se trata realmente de uma espécie de porto das névoas, como ele é descrito muitas vezes.

Mesmo a recém-nascida e recém-instituída comissão de inquérito é fruto de uma orientação que visa a garantir um plano de reforma em nome da limpeza e da transparência.

A investigação de Scarano, coordenada pela procuradora Elena Guarino, diz respeito à emissão de cheques sem fundo que, passando sob a forma de doações, teriam entrado em uma operação de lavagem de dinheiro. Segundo a hipótese acusatória, o prelado recebia cheques oficialmente para amortizar as dívidas de uma propriedade imobiliária em Salerno.

O dinheiro – ainda segundo a hipótese a ser examinada pelos investigadores – era restituído em dinheiro aos empresários que haviam efetuado as doações. Caberá agora aos investigadores apurar se a sociedade imobiliária está de alguma forma ligada ao IOR e à conta da qual o monsenhor era titular.

Scarano, natural de Salerno, vive há muito tempo em Roma, em um apartamento na Via della Scrofa com a mãe, apesar de ter mantido profundas raízes em Salerno, onde atualmente possui alguns imóveis valiosos.

No Vaticano, há quem se lembre das origens bastante modestas da sua família, a vocação ao sacerdócio que ocorreu na idade adulta, quando era empregado do Bank of America e no Banco da Itália, a sua desenvoltura. Depois da sua ordenação, foi levado a Roma pelo cardeal Martino, que durante muito tempo o considerou como o seu pupilo. Depois, de repente, as relações se interromperam. Parece que o cardeal não gostou do comportamento do monsenhor, que muitas vezes fingia ser seu sobrinho.

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