Presidente da Conferência Jesuíta dos EUA reflete sobre os primeiros 100 dias do Papa Francisco

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21 Junho 2013

O dia 20 de junho marca o 100º dia do Papa Francisco no seu cargo, e para comemorar a ocasião o presidente da Conferência Jesuíta, padre Thomas H. Smolich, SJ, fala sobre as suas primeiras impressões do histórico pontífice.

O artigo foi publicado no sítio National Jesuit News, 19-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

As pessoas muitas vezes me perguntam: "Então, o que você acha do seu novo papa jesuíta? Como ele está indo?". Por morar em Washington, eu já vi muitas vezes os 100 primeiros dias de um novo líder no ofício serem usados como uma medida conveniente para avaliar o seu impacto e a sua eficácia. E, como ex-professor de inglês, eu não sou estranho a boletins de avaliação.

Então, com todo o respeito a Sua Santidade, aqui está um boletim jesuíta dos primeiros 100 dias de Francisco como papa.

Primeiras impressões: conceito A+. Antes de proferir a sua primeira bênção papal, Francisco pediu que a multidão na Praça de São Pedro rezasse por ele – e, a partir daquele momento, sabíamos que estávamos testemunhando um tipo diferente de papado. Francisco é um homem com uma profunda conexão com os fiéis e com o mundo em geral. Ele sabe como traduzir o que está no seu coração em gestos que soam verdadeiros. Gestos simples – pagar a sua própria conta do hotel, por exemplo, e usar os seus próprios sapatos em vez dos sapatos vermelhos – nos dizem que ele conhece alguma coisa sobre a vida que a maioria das pessoas leva.

Como qualquer diretor executivo eficaz, Francisco entende que grande parte do seu poder como papa é simbólico: ele lidera pelo exemplo, pela profundidade da sua paixão. Seu estilo de improviso pode provocar espasmos nas autoridades do Vaticano, mas ele lhe permite se conectar com pessoas de todo o mundo. Na era do Twitter, ele está provando ser hábil com frases incisivas: "Os pastores devem ter o cheiro das suas ovelhas" é a minha favorita, mas eu também gosto das sua afirmação de que perder o contato direto com os pobres leva a "aburguesamento do coração".

Relações Exteriores: conceito A. O fato de deixar as favelas de Buenos Aires pelos corredores do Vaticano não ensurdeceu a missão e a mensagem de Francisco: os pobres devem ser o foco da Igreja. Na sua missa de posse no dia 18 de março, ele se comprometeu a servir "os mais pobres, os mais fracos, os menos importantes". Ele seguiu esse compromisso lavando os pés dos prisioneiros, dentre eles uma mulher muçulmana, em uma celebração nada tradicional da Quinta-Feira Santa.

Na cerimônia do dia 16 de maio, ele disse a um público de novos embaixadores que "o papa tem o dever de recordar ao rico, em nome de Cristo, que deve ajudar o pobre, respeitá-lo, promovê-lo". Além disso, com a reabertura do processo de canonização do arcebispo assassinado de El Salvador, Oscar Romero, e aceitando uma relíquia manchada de sangue de Romero por parte do presidente salvadorenho, Mauricio Funes, Francisco mostrou que o seu amor pelos pobres não é afetado pelas antigas disputas ideológicas.

Relações Internas: insuficiente. Uma eleição papal muitas vezes reacende a esperança pela mudança da burocracia vaticana. Francisco deu alguns passos encorajadores nessa área: cancelou os bônus para os cardeais do Banco do Vaticano e nomeou um grupo internacional de oito cardeais para aconselhá-lo sobre a reforma das formas obscuras pelas quais o Vaticano faz seus negócios. Mesmo assim, o conceito geral do papa em Relações Internas é insuficiente, porque ele ainda precisa fazer novas nomeações para diversos cargos importantes, como a Secretaria de Estado.

Alguns observadores ainda têm grandes expectativas de mudança significativa nas políticas vaticanas, mas a liderança passada do Papa Francisco não aponta nessa direção. Ao contrário, os dicastérios vaticanos que focam na missão evangelizadora da Igreja, em vez das políticas internas, que levam a sério a Igreja dos pobres e dos marginalizados, que entendem o poder do símbolo e do gesto – estes podem ser os efeitos últimos e positivos de um Vaticano verdadeiramente alinhado com o seu líder.

Eu acredito que o boletim dos primeiros 100 dias de Francisco é fortemente positivo. Mas e daí? Por que esses primeiros 100 dias são importantes? Aqui está o porquê: as primeiras impressões são importantes, elas fazem uma diferença real.

Alguma coisa mudou nos últimos 100 dias. Os enormes desafios enfrentados pela Igreja Católica – má conduta sexual, encolhimento das congregações e todo o resto – são reais e não vão ir embora tão cedo. Mas, nas últimas semanas, eu fiquei impressionado com o número de católicos praticantes que sentem que o seu passo está um pouco mais leve, assim como católicos antigos e inativos que se encontram dispostos a dar ouvidos novamente à Igreja.

Se essa tendência continuar, grande parte do crédito vai para o papa, que, há apenas 100 dias, começou a compartilhar a sua visão de uma missão que une, em vez de dividir, uma Igreja que está verdadeiramente em sintonia com o seu mundo e com o seu povo.

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