''Jesus vestia Armani'': a polêmica entre historiadores

Mais Lidos

  • A ferrovia bioceânica Brasil-Peru promete agilizar o comércio com a China. Mas a que custo?

    LER MAIS
  • “As ideias de Yarvin e de outros são um absurdo, mas as prescrições liberais do mundo seguem linhas semelhantes". Entrevista com Carlos Fernández Liria

    LER MAIS
  • Antonio Banderas ao Papa: "Estou aqui hoje confessando ter sido vítima do feitiço de Deus"

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

15 Junho 2013

Vittorio Messori, escritor e historiador, articulista do jornal Corriere della Sera e principalmente interlocutor de Joseph Ratzinger cardeal, não está apaixonado pelo desvio "demagógico" de Francisco e pelo axioma de que a Igreja é pobre.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 14-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O professor Roberto Rusconi, colega de Messori, apreciado docente da Universidade Roma Tre, desmonta o teorema: "Eu acredito que não se deva fazer uso da antirretórica para fins apologéticos, que me parece ser o método de Vittorio Messori".

Mas a caridade é uma fábula secular ou uma conduta não mais utilizada, simplesmente teoria sem prática? "De um certo ponto de vista – explica Rusconi –, nunca existiu uma Igreja pobre (mas o que corresponde a essa expressão?), enquanto que a Igreja sempre teve – como instituição – o problema de como gerir os bens que possuía, que geravam riqueza e principalmente poder. Entre os seguidores de Francisco de Assis, que haviam partido com a rejeição de toda forma de propriedade e, portanto, de poder (a riqueza é somente manifestação e instrumento dele), e que depois foram se enchendo de esmolas e bens, abriu-se a discussão sobre a possibilidade de um usus pauper. Em outras palavras, pode ser extremamente anti-histórico usar a categoria de pobreza fora do contexto. O problema da Igreja (mas qual? O Vaticano? Os bispos? As paróquias? Os fiéis?) consiste nos bens que geram a riqueza e não são utilizados para os pobres".

Chama a atenção de Rusconi os paradoxos e as provocações de Messori: "Jesus não era um morto de fome", declarou ele ao jornal Fatto Quotidiano. "Ele vestia Armani, as suas vestes eram raras e luxuosas para a época. Ele tinha um tesoureiro que o traiu e, portanto, também um tesouro". O professor confirma o patrimônio do pregador de Nazaré, embora especifique o valor de um símbolo universal: "Certamente, Jesus não era um pedinte e talvez José também não. O sentido da sua mensagem e da sua vida, não por acaso sintetizado por Francisco de Assis, está no não possuir, pois a posse gera poder".

Por que o papa insiste nessas questões? "Ele escolheu o nome de Francisco. A sua insistência sobre a pobreza e os pobres deve ser remetida a essa chave: quem são os pobres e que uso se pode fazer dos bens da Igreja para os que precisam. Se a Igreja de Roma deve se livrar das riquezas, isso não se faz em um dia. Se quisermos nos colocar no plano das piadas – conclui Rusconi – é fácil demais. Na cruz, Jesus não estava vestido com Armani, e o sepulcro não havia sido projetado por Renzo Piano [arquiteto italiano responsável, por exemplo, pelo projeto do Centro Georges Pompidou, na França]".