França. O reengajamento da Igreja na esfera política. Entrevista com Denis Pelletier

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29 Mai 2013

Denis Pelletier é diretor de estudos da Escola Prática de Altos Estudos (EPHE) da França e historiador especialista em cristianismo contemporâneo. Nesta entrevista, ele analisa o retorno da Igreja à esfera política, ligado ao movimento contra o casamento homossexual.

A reportagem é de Nicolas Chapuis, publicada no jornal Le Monde, 26-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A Igreja Católica está se repolitizando através do combate contra o casamento homossexual?

Sim, assistimos depois de alguns anos a uma nova fase de reinvestimento da esfera política por parte da Igreja Católica. Há 50 anos, ela alterna esses períodos de engajamento e de afastamento da política. Houve primeiro uma fase de forte politização em 1968, a partir da ação visível e audível de uma minoria cristã de esquerda. Depois, no fim dos anos 1970 e principalmente a partir de 1985, o catolicismo francês viveu um recuo, um distanciamento do político através de um retorno ao espiritual, favorecido pelos "movimentos carismáticos" e, sob o pontificado de João Paulo II, pelo modelo romano da "nova evangelização.

O reengajamento atual se realiza em torno das questões ligadas àquela que se chama de biopolítica, isto é, aquelas questões que estão em jogo que, tempos atrás, referiam-se apenas à intimidade dos corpos e das pessoas ou à saúde, e que se tornaram questões sociais. Eu penso nos PaCS (pacto civil de solidariedade), no casamento, na adoção, na reprodução medicamente assistida, nas células-tronco...

Que forma assume esse reengajamento na vida política?

A mobilização assumiu uma dimensão nova com a luta contra o casamento para todos. Ela adota três formas principais. Em primeiro lugar, um engajamento muito mais firme dos bispos no campo político, enquanto que, depois dos anos 1960, eles haviam se acostumado a ser relativamente discretos. Depois, houve uma mobilização dos fiéis e das paróquias. Ouvimos novamente padres que, na igreja, falam de política nas suas homilias, o que já não faziam mais. Enfim, vimos cada vez mais manifestações no espaço público, via internet ou manifestações de rua.

Quais são os fundamentos ideológicos desse reengajamento político?

Para o episcopado francês, desde 1968, há um movimento de ruptura na sociedade entre os fundamentos jurídicos da sociedade e o que a Igreja chama de "direito natural". A Igreja condena esse movimento, com a sensação de estar em posições de perfeita continuidade depois de todo esse tempo. Há uma mesma lógica no combate contra a contracepção na encíclica Humanae Vitae, em 1968, contra o aborto com a lei Veil, em 1975, contra os PaCS, no início dos anos 2000, contra a reprodução medicamente assistias e as células-tronco, e contra o casamento homossexual e a adoção hoje.

As sociedades, segundo os atores desses combates, estão realizando uma ruptura com o que as fundamenta na natureza. Por isso, os argumentos que eles propõem não são mais de ordem teológica. Agora, eles recorrem a discursos de ordem psicológica, psicanalítica, que se referem às ciências da vida, mas que não são mais de um discurso propriamente católico.

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