''Quando Jorge Mario era meu aluno no seminário'': o teólogo Scannone sobre Francisco

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26 Maio 2013

Enquanto conta sobre o pontífice, ele explica como o "Papa Francisco" já começou a reformar as coisas: "Graças aos muitos gestos simbólicos, a Igreja está se abrindo mais ao ser humano de hoje, sobretudo aos mais pobres e excluídos, saindo para as periferias". Mas se lhe perguntamos sobre o passado, é natural para ele usar o nome de batismo, "quando Jorge Mario era meu estudantes em Buenos Aires...".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Juan Carlos Scannone, 81 anos, não é apenas o velho professor de grego e de literatura daquele menino que, depois do diploma, entrou no seminário de Villa Devoto, começando o seu noviciado na Companhia de Jesus. Menino sólido, dentre outras coisas: "Foi então que ele adoeceu gravemente de pneumonia e teve que ser operado em um pulmão. Eu lembro que ele suportou sua doença com muita força e integridade".

Diretor do Instituto de Investigação Filosófica da Faculdade de Teologia e Filosofia de San Miguel, não muito longe da capital argentina, o padre Scannone é principalmente o maior teólogo argentino, aluno de Karl Rahner – outro jesuíta, um dos gigantes do pensamento do século XX – e, diz-se, ponto de referência teológico do próprio papa.

Além disso, eles têm uma referência comum: "Eu acredito que não é possível entender Francisco sem compreender a espiritualidade inaciana. Dentre muitas outras características, pode-se notar o seu apreço pelo discernimento espiritual de Santo Inácio", ressalta. O "discernimento" é aquela capacidade de crivo interior para "sair do mal e buscar o bem" e, portanto, escolher livremente, que está no centro dos Exercícios Espirituais do fundador dos jesuítas e que Bergoglio, explica o padre Scannone, exerce "não somente na vida das pessoas, mas também na pastoral da Igreja".

E depois há uma corrente de pensamento tipicamente argentina, a chamada "teologia do povo". É preciso partir daí para entender o pontífice que quer "uma Igreja pobre e para os pobres" e denuncia a mentalidade para a qual "é uma tragédia se os bancos caem, mas se as famílias não têm nada para comer, então não se faz nada".

Mas o que é a "teologia do povo" e o quanto ela tem a ver com a teologia da libertação? "Muitos consideram a teologia argentina do povo como uma corrente da teologia da libertação com características próprias, assim como faz o próprio Gustavo Gutiérrez", explica o padre Scannone, citando o fundador da teologia da libertação. "Eu mesmo já defendi em um artigo escrito em 1982 e retomado por Dom Quarracino".

O padre Scannone lembra que, em 1984, o antecessor de Bergoglio em Buenos Aires "explicou por que a Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé falava no plural de 'teologias' da libertação: ele não criticava todas, criticava aquelas que usavam a análise marxista da sociedade e da história".

A "teologia do povo" argentina, em suma, "não usa a análise social marxista, mas sim uma análise histórico-cultural, sem ignorar a sócio-estrutural". Também por isso "outros a distinguem da teologia da libertação", em vez de considerá-la, como o padre Scannone, uma corrente "com suas características próprias".

Em todo o caso, "todas as correntes assumem a opção preferencial pelos pobres das conferências do episcopado latino-americano de Medellín e de Puebla",  a mesma opção "reiterada por Bento XVI no discurso inaugural de Aparecida e pela própria conferência". Eis o ponto: "Coerente com essa opção é a crítica à especulação financeira e à absolutização neoliberal do mercado, como já disse João Paulo II na Centesimus Annus".

A teologia do povo, em particular, "enfatiza o tema da evangelização das culturas, da inculturação do Evangelho e da piedade e espiritualidade populares, considerando que, na América Latina, esta – quando autêntica – é a encarnação da fé 'na' e 'nas' culturas latino-americanas e, portanto, tem um potencial evangelizador".

Nada de ideologias ou sugestões marxistas, em suma, mas sim atenção e respeito às diversas culturas, ao povo e à sua fé: a "conversão pastoral" de uma Igreja que sai pelas ruas, rumo às "periferias". O padre Scannone também lembra como o cardeal Bergoglio "surpreendeu pela sua simplicidade: ele sabe dirigir o carro, mas, como arcebispo, renunciou ao motorista, viajava nos transportes públicos, de trem e de metrô...".

No L'Osservatore Romano, ele havia contado que "também sabe cozinhar muito bem. Um dos seus pratos preferidos era o porco recheado. Ele o preparava aqui em San Miguel". Um "homem da orquestra", como se diz na Argentina, capaz de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo.

"Uma vez, eu vi que ele estava escrevendo um artigo na máquina de escrever, depois foi lavar a roupa, depois recebeu uma pessoa para um aconselhamento espiritual. Um trabalho espiritual, um mecânico e um manual ao mesmo tempo e no mesmo nível de qualidade".

Mas, padre, qual é a característica mais importante de Francisco como pessoa? "É difícil dizer uma em particular, mas eu gostaria de indicar uma que marcou um bispo amigo nosso. Ele me disse: é um homem que reza. Ele falava da sua grande profundidade espiritual".

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