Por: André | 25 Mai 2013
Os sindicalistas e o governo de Morales chegaram a um acordo sobre a nova Lei de Pensões, enquanto os trabalhadores aceitaram aposentar-se com 70% do salário, menos do que na proposta original. Na quinta-feira, dia 23, houve um ato de apoio ao presidente.
A reportagem é de Sebastián Ochoa e publicada no jornal Página/12, 23-05-2013. A tradução é do Cepat.
A greve geral de 16 dias liderada pela Central Obrera Boliviana (COB) terminou depois que os sindicalistas e o governo de Evo Morales chegaram a um acordo para modificar a Lei de Pensões. Finalmente, os trabalhadores aceitaram aposentar-se com 70% do salário, calculado sobre a média dos últimos 24 meses de pagamento. Na quarta-feira, dia 22, 5.000 mineiros deixaram La Paz, onde passaram as últimas semanas em meio a negociações, marchas, explosões de dinamite e enfrentamentos com a polícia boliviana. Para hoje [quinta-feira, dia 23] está prevista a realização de uma manifestação em apoio ao presidente aymara e em repúdio àqueles que impuseram a longa greve.
“Entramos em um quarto intermédio. Vamos suspender todas as medidas (de pressão), vamos retornar ao trabalho e permanecer em estado de emergência por estes 30 dias, para que de uma vez por todas se assine o acordo correspondente”, disse o secretário executivo da COB, Juan Carlos Trujillo. O líder operário rechaçou as acusações de “golpista”, esgrimidas pelo Palacio Quemado nas últimas semanas. “Os trabalhadores do país, sob a liderança de nossos companheiros mineiros, sempre fomos defensores, construtores da democracia em nosso país e a COB garante, com firmeza, a democracia em nosso país”, assegurou Trujillo.
A COB, com muita presença de mineiros, começou no dia 06 de maio passado uma greve geral por tempo indeterminado. Foram dias de marchas e cortes de rodovias em todo o país. A central operária exigia a modificação do atual Sistema de Pensões para aposentadoria com 100% sobre o salário, com base na média da folha de pagamento dos últimos 24 meses. Em alguns casos, chegavam a uma renda de 8.000 bolivianos (um dólar é cotado a 6,96 bolivianos).
Os operários pediam o mesmo tratamento dado ao pessoal das Forças Armadas, que se aposenta com 100% do seu salário. Atualmente, o governo analisa aposentar com igual porcentagem as e os policiais. Não obstante, Morales e seus ministros reiteraram em várias oportunidades que a demanda da COB colocará em risco o Fundo Solidário, criado para aumentar as pensões dos que recebem salários baixos.
Na segunda-feira, a COB anunciou que para viabilizar um acordo com o governo reduziram a demanda da pensão solidária máxima para mineiros de 8.000 bolivianos para 4.900 bolivianos e de 5.000 bolivianos para 3.700 bolivianos para outros setores. Mas os ministros de Morales mantiveram nas negociações a cifra de 4.000 bolivianos para os mineiros e 3.200 para os demais. Finalmente, a central operária aceitou esta proposta.
“Não creio que haja vencedores nem vencidos neste problema, porque o que tem que primar é a racionalidade, o correto e não o que é capricho de um setor”, disse o ministro da Economia, Luis Arce Catacora, em coletiva de imprensa.
“Nós ratificamos a proposta número três (a de 4.000 bolivianos para os mineiros e 3.200 para os outros setores) como ótima, porque garante a sustentabilidade do Fundo Solidário e, portanto, garante a pensão para os jovens e para aqueles que hoje estão se beneficiando do Fundo Solidário e sua pensão atual. Portanto, não há uma mudança na posição do governo”, indicou o ministro.
Em 17 de maio passado, o governo declarou ilegal a greve da COB. Em consequência, anunciou que descontava dos trabalhadores mobilizados as mais de duas semanas paradas. “Alguns dirigentes defendem: ‘Todo dia não trabalhado seja pago’. Não. Paga-se por dia trabalhado. Por dia não trabalhado, não se paga”, disse na quinta-feira o presidente Morales.
Segundo o governo, o setor produtivo mais afetado pela greve foi o da mineração. Calcula que a empresa mineira Huanuni, que emprega 4.700 mineiros, tenha contabilizado perdas de cinco milhões de dólares nos dias sem operações.
O retorno dos 5.000 mineiros de Huanuni e de Colquiri que protestavam nesta cidade [La Paz] é tomado como uma vitória pelo governo, que, em algum momento, sentiu que a longa greve poderia melar a candidatura de Morales a um terceiro mandato no ano que vem.
Hoje [quinta-feira passada], as organizações indígenas, camponesas e sindicatos que apoiam o governo de Morales se reunirão na Praça Villarroel, do bairro de Miraflores, para manifestar-lhe o seu apoio incondicional. Espera-se que o presidente seja o principal orador deste ato, do qual deverão participar cerca de 5.000 pessoas – segundo os organizadores.