A histórica fusão da Igreja Reformada e da Igreja Luterana na França

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16 Maio 2013

Discursando diante dos representantes da nova Igreja Protestante Unida da França (EPUDF), durante o seu sínodo inaugural em Lyon no sábado, 11 de maio, o ministro do Interior, Manuel Valls, encarregado pelas relações com os cultos, não hesitou em definir esse encontro como "um momento importante na história do nosso país".

A reportagem é de Stéphanie de Le Bars, publicada no jornal Le Monde, 12-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois de um processo de aproximação de vários anos, as Igrejas nascidas da Reforma do século XVI, a Igreja Reformada e a Igreja Evangélica Luterana da França, separadas por razões teológicas, durante o fim de semana da Ascensão, celebraram a sua fusão.

Além da mudança de estrutura, essa aproximação indica uma vontade de manifestar mais claramente na sociedade a identidade das Igrejas protestantes "históricas", levando em conta as fortes evoluções do protestantismo francês nos últimos 30 anos.

O ministro elogiou com insistência os valores dessa confissão, à qual aderem cerca de 3% da população francesa. "A mensagem histórica do protestantismo é a da tolerância, da abertura, da libertação do indivíduo, do seu acesso ao conhecimento de maneira pessoal. Como não ver tantos pontos em comum com os valores da República?", perguntou Manuel Valls.

Dirigindo-se aos fiéis protestantes, eles os tranquilizou sobre o fato de "poder viver plenamente, intensamente a sua fé (...), fé que a República reconhece como profundamente legítima". O ministro também elogiou a decisão de reconhecer, através dessa união, "que o que lhes une é mais importante do que o que lhes distingue".

A reunificação das duas correntes da Reforma, que fracassou várias vezes no passado, se impôs nos últimos anos por causa do dinamismo das Igrejas evangélicas. Agora, os protestantes históricos, que tendiam a ser pouco visíveis, também querem "testemunhar" a sua fé na sociedade, mas "recusando toda atitude identitária", como destaca o novo presidente da EPUDF, pastor Laurent Schlumberger.

"Por cinco séculos, defendemos um protestantismo de minoria frente à poderosa Igreja Católica, os protestantes estavam em uma abordagem identitária, fundada em redes, nas relações internas. Hoje, os nossos contemporâneos esperam por pessoas que ousem dizer o que pensam", assegura o pastor, cuja nova Igreja agrupa cerca de 400 mil pessoas. "Para nós, é uma revolução compartilhar as nossas convicções além dos nossos próprios círculos".

Para o pesquisador Jean-Paul Willaime, especialista em protestantismo, "o desenvolvimento do protestantismo evangélico representa um desafio que talvez incite o protestantismo lutero-reformado a ousar mais, sem negar a sua sobriedade, a sair da sua lendária discrição para se manifestar mais explicitamente na sociedade e com relação a outros grupos religiosos".

Diante dessa aspiração, Manuel Valls, proferindo um discurso sobre a laicidade globalmente apreciado pelos fiéis, recordou, por sua vez, que esse conceito não era "a negação do fato religioso, mas simplesmente uma separação clara entre o que tem a ver com o espiritual e com o temporal".

Mas, acrescentou, "o temporal e o espiritual são necessariamente chamados a coabitar, a viver na concórdia e a dialogar". "A laicidade é a nossa defesa contra todos aqueles que querem pôr na cena pública a intolerância, a exclusão, a recusa ao debate, o obscurantismo", respondeu diante de uma assembleia bastante aberta ao diálogo.

Caracterizados pelo pluralismo e por uma diversidade de pontos de vista, os protestantes – exceto os evangélicos – até hoje evitaram tomar posição sobre o casamento para todos, ao contrário dos católicos. Ao invés, é provável que tornem pública a sua reflexão sobre o tema do fim da vida. E que expressem reservas sobre qualquer nova legislação sobre o assunto.

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