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Por: Jonas | 16 Maio 2013

O bloco regional sul-americano chegou a ser considerado um setor que introduz pautas na política e economia política internacional, assegura Teivo Teivainen (foto), catedrático em política mundial da Universidade de Helsinki, Finlândia, e diretor-fundador do Programa Democracia e Transformação Global da Universidade de São Marcos, Peru. Em visita na Argentina, analisou as possibilidades da América Latina em meio à crise da União Europeia (UE) e disse que a Europa deve “democratizar a política monetária” para superar a crise. Além disso, refletiu sobre o euro, os indignados e a capacidade desses movimentos para criar alternativas que modifiquem a realidade.

 
Fonte: http://goo.gl/u4dxF  

A reportagem é de Romina Lascano, publicada no jornal Página/12, 15-05-2013. A tradução é do Cepat.

Após uma palestra organizada pela área de Relações Internacionais, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), em que falou sobre o papel das empresas transnacionais como atores políticos da globalização, o analista finlandês teve uma conversa exclusiva, com o jornal Página/12, a respeito das possibilidades que a América Latina possui na conjuntura econômica mundial.

“Poder exportar produtos para onde agora há muita demanda, em especial para a China, é favorável para as balanças comerciais, porque faz bem a um setor importante no comércio, por sua vez, cria estruturas sociopolíticas dentro dos países, cria certas pautas onde aqueles que exportam, os agroexportadores ou os mineiros, chegam a ter um maior controle sobre as políticas públicas”, retratou. Teivainen assinalou que isto se contradiz com a imagem que se teve, até algum tempo atrás, sobre a região. “Que as novas políticas econômicas com a esquerda e centro-esquerda, na América Latina, seriam certo tipo de desenvolvimentismo em que o Estado assumiria um controle mais forte na economia, com a proteção, com políticas industrialistas, seguindo um pouco, supostamente, as recomendações dos anos 1950, 1960. Essa ideia de políticas nacionalistas, que criam indústrias nacionais, ficou um pouco deslocada nas análises feitas por intelectuais e nas práticas políticas, em razão dessa reprimarização das economias”, acrescentou.

O autor de livros como “Pedagogia do Poder Mundial” e “Um dólar, um voto”, enfatizou a mudança no papel da região. “A América Latina chegou a ser vista como uma região que introduz pautas na política e economia política internacional. Antes, quando se pensava na integração regional, a referência óbvia era a União Europeia. Agora existem processos de regionalização na América Latina, com todas as suas contradições, mas como uma referência internacional, o que significa que da África ou da Ásia já não observam apenas a Europa. Cada vez mais vislumbram os processos de integração na América Latina como um possível modelo. A entrada dos países latino-americanos nos cenários da política mundial significou certa democratização nos imaginários políticos que os atores possuem, tanto dos Estados, como dos movimentos sociais e de empresas, em diferentes partes do mundo. Isso, obviamente, é algo positivo”, ressaltou.

O intelectual recordou que, durante os anos 1990, empregava o termo “latino-americanização da Europa”, quando o panorama em ambas as regiões era diferente, e destacou que agora esse conceito é algo concreto, de sentido comum, e que já não possui tanta novidade. “Na Europa estão ocorrendo muitas coisas. No mercado de trabalho há uma precarização, há mais setor informal e isso é muito conhecido na América Latina. No cultural, há certo tipo de mestiçagem, em razão dos fluxos de migração que vêm à Europa e, nisso, a América Latina possui uma rica experiência. Nas políticas econômicas, cada vez é mais óbvio que as agências que medem a credibilidade de atores estatais, nos mercados financeiros, possuem cada vez mais o poder de condicionar as políticas econômicas dos países europeus. Isto os latino-americanos já conhecem há décadas. Então, com essas três dimensões, tomando estas como exemplos, na Europa há um novo tipo de olhar para a América Latina”, argumentou.

Teivainen sublinhou que há uma mudança estrutural no Velho Continente e afirmou que os europeus começam a vislumbrar futuros possíveis, “já não ensimesmados, pensando que são a ponta do desenvolvimento. Começam a ver o que os demais estão fazendo. O que fez a Argentina com a renegociação de sua dívida, o que fizeram nas fábricas tomadas para a realização de certos tipos de modelos comunitários de criação de empresas. Olham as redes globais de troca e o que nos municípios do Brasil fazem para politizar um pouco o econômico, para abrir processos de participação popular”, refletiu.

Sobre o aumento do protesto social que, entre outras questões, gerou movimentos como Occupy, nos Estados Unidos, e os Indignados, na Europa, o especialista sustenta que são uma expressão da crise e do problema da legitimidade da democracia. “Um dos temas é até que ponto daí surgem alternativas institucionais para sair da crise, para além da denúncia”, expôs.

Além disso, abordou o tema da moeda única. “O problema maior do euro é que o Banco Central Europeu (BCE) foi criado de tal maneira que fica fora da fiscalização democrática. De uma maneira muito radical. A saída seria democratizar a política monetária. Para mim, o tema não é tanto se a política monetária está centralizada no BCE, em nível europeu, ou em diferentes bancos centrais nacionais, mas se há controle popular, controle democrático da política monetária. Isso é a chave”, detalhou.

Também se referiu ao papel das empresas transnacionais nos dois blocos regionais. “Na América Latina, especialmente no Brasil, onde há empresas cada vez mais poderosas em escala global, uma pergunta interessante é até que ponto a Petrobras ou a Vale, e o crescimento dessas empresas, são expressão e podem ser veículos de uma luta anticolonial e por mais igualdade entre as regiões, e até que ponto reproduzirão as lógicas das grandes empresas que antes eram do Norte”. Ao mesmo tempo, apresentou outro panorama para as corporações do Velho Continente. “O discurso da responsabilidade social ajudou as empresas a manter certa legitimidade. Os sindicatos e os movimentos, que criticam as empresas, não puderam usar esse discurso para poder regulá-las ou democratizá-las ou evitar demissões”, concluiu.

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