Dom Arizmendi denuncia uma escalada da violência contra os migrantes no México

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Por: Jonas | 09 Mai 2013

O bispo de San Cristóbal de Las Casas, no México, dom Felipe Arizmendi Esquivel denunciou uma escalada da violência contra os migrantes que cruzam o país a partir de nações limítrofes ou de mexicanos que viajam com a intenção de atravessar para os Estados Unidos.

 
Fonte: http://goo.gl/k6yUO  

O tráfico de seres humanos e a permissão para transitar por algumas áreas se transformou num negócio mais lucrativo para os bandos do que a própria droga. Um problema muito presente, relacionado à emigração clandestina, que encontra suas dificuldades, aponta o bispo, na falta de emprego devidamente remunerado no próprio país.

O presidente estadunidense Barack Obama, em sua recente viagem ao México e América Central, assinalou numa coletiva de imprensa, junto com o presidente azteca Enrique Peña Nieto, que a fronteira comum está mais segura do que nunca e que a imigração ilegal para os Estados Unidos encontra-se nos seus níveis mais baixos, em anos.

Dados confirmados pelo relatório “Immigration and Border Control” (Imigração e Controle Fronteiriço), de Edward Allen e do CATO Institute, esclarecem, entretanto, que o fenômeno não se deve à perda de interesse de muitos potenciais imigrantes, mas ao aumento das medidas de segurança, nos últimos 20 anos: A Patrulha Fronteiriça passou de 3.000 para mais de 21.000 agentes, foram construídos mais de 1.120 quilômetros de muro ao longo da fronteira, e entraram em função drones e tecnologias como câmeras com sensores.

Por outro lado, o recente debate no Congresso estadunidense, para aprovar uma reforma migratória que coloque milhões de imigrantes em situação legal, estagnou-se. A problemática da imigração é complexa. Para entendê-la melhor, o bispo mexicano explicou algumas particularidades numa breve entrevista, que propomos a seguir.

A entrevista é de H. Sergio Mora, 08-05-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Excelência, você denunciou que, nos últimos dias, a perseguição contra os migrantes se agravou, por parte do crime organizado, na região de Palenque.

Lamentavelmente, esta situação já completa meses, se não anos. Grupos criminosos encontraram um rico negócio na extorsão a migrantes, que dá mais dinheiro do que o negócio da droga, pois é seguro. De alguns, tiram o pouco dinheiro que carregam; e outros são obrigados a telefonarem para seus parentes, nos Estados Unidos, para depositarem grandes quantidades de dólares, como condição para que não sejam torturados, estuprados ou mortos.

O Exército e a Marinha estão intervindo para resgatar os sequestrados?

Em alguns casos, intervêm para protegê-los; porém, em outros, ou a informação não chega a tempo até eles, ou alguns se fazem de desentendidos, para não se meterem em problemas com os criminosos.

Se os sequestrados pagam, obtêm proteção dos criminosos?

Essa é a condição para que não os maltratem.

O que pode ser feito e quem tem que assumir a responsabilidade?

As autoridades civis devem vigiar mais os trajetos por onde o trem passa, onde caminham os indocumentados.

Para além destes episódios, que você tem denunciado, qual é o problema de fundo da imigração?

Como sempre dissemos, é a falta de trabalho justo no próprio país; é a falta de oportunidades locais; é o baixo preço daquilo que os camponeses produzem, em razão da globalização dos mercados, que nem sempre protege os pequenos.

E qual poderia ser a saída?

Não é simples. Gerar empregos locais bem remunerados; proteger os camponeses diante dos grandes consórcios internacionais de grãos; melhorar nossas próprias leis, para que protejam mais os migrantes, por exemplo, dando-lhes um visto ou algum documento para que possam transitar livremente pelo país; isto evitaria tantos “coiotes”, que lucram, enganam e humilham os migrantes.

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