Amigo de longa data chama Francisco de “pessoa de diálogo”

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • As duras palavras de Francisco à Igreja: as murmurações abafam a profecia

    LER MAIS
  • Uma espiritualidade do viver

    LER MAIS
  • “A religião não é um refúgio”. Entrevista com Massimo Cacciari

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


29 Novembro 1999

Embora tenha se passado apenas um mês, Francisco já adquiriu certa reputação como “o papa do telefone”. Ficou famoso por ligar para o Superior Geral de sua Ordem dos Jesuítas, para seu antigo jornaleiro em Buenos Aires — para cancelar suas assinaturas — e até mesmo para seu vendedor de sapatos para mandar fazer alguns consertos (mas não encomendou sapatos vermelhos).

A reportagem é de John L. Allen Jr. e publicada por National Catholic Reporter, 23-04-2013.

Entre a lista de pessoas que receberam ligações papais está Padre Humberto Miguel Yáñez, um amigo jesuíta de longa data, que reside em Roma. Em 1975, Yáñez foi recebido na Ordem pelo então Padre Jorge Mario Bergoglio, na época em que o futuro papa ainda era um provincial na Argentina, e tornou-se escolástico da Ordem quando Bergoglio era reitor de uma das principais instituições jesuítas de filosofia e teologia, o “Colégio maximo” de San Miguel.

Atualmente, Yáñez lidera o departamento de teologia moral na Universidade Pontifícia Gregoriana de Roma, mantida pelos jesuítas. O padre conversou com o papa no dia 5 de abril, depois da Páscoa. Yáñez insiste que não há nada de incomum quanto à ligação: “Dificilmente seria a primeira vez que Jorge Mario Bergoglio ligou para mim, ou que eu liguei para ele”, disse.

O hábito de fazer ligações telefônicas, como explicado por Yáñez, não é apenas uma mania — é uma marca do tipo de homem que atualmente senta no trono de Pedro.

“Ele é um homem do diálogo, e acredito que todos os vários setores da Igreja poderão dialogar com ele”, disse.

Durante uma mesa redonda na Universidade Gregoriana, no dia 19 de abril, Yáñez falou sobre sua vida com o futuro papa, e contou uma história clássica sobre ele: após tornar-se arquebispo, Bergoglio foi convidado para jantar no seminário, e o reitor perguntou se ele gostaria de dizer algo aos seminaristas. Então, Bergoglio disse: “eu lavo os pratos hoje”. Depois disso, relembra Yáñez entre risos, tornou-se um hábito elegante que os docentes lavassem seus pratos.

Yáñez deu uma entrevista à NCR na segunda-feira, dia 22 de abril, para falar sobre Bergoglio nos anos 1970 e 1980, e o que isso tem a dizer sobre o tipo de papa que ele poderá vir a se tornar.

Embora digam que Bergoglio entrou em conflito com os jesuítas liberais, nos anos 70 e 80, por conta de sua oposição à Teologia da liberação, Yáñez insiste que isso não passa de uma simplificação.

“Esses anos testemunharam um forte conflito entre a esquerda e a direita, e eu diria que, durante a maior parte do tempo, a posição de Bergoglio foi intermediária”, disse Yáñez.

“Ele pertencia a uma linha mais distinta argentina, tanto filosófica quanto teologicamente”, remonta o padre. “Sua ênfase estava em procurar pontos de contraste com a cultura argentina, e nisso havia uma grande apreciação pela religiosidade popular.”

Yáñez aposta que o estilo de Francisco — simples, próximo das pessoas — será mantido, e disse também que a disseminação desse estilo pelo resto da Igreja faria “um bem enorme”.

O padre acredita estar certo quanto a isso. Ao longo dos anos, a influência de Bergoglio criou um costume diferente entre os bispos da Argentina, incentivando-os, entre outras coisas, a serem mais próximos de seus padres.

“Os padres que vivem aqui em Roma no Colégio Sacerdotal Argentino dizem-me que os bispos ligam para eles para saber como estão, ou enviam e-mails”, disse Yáñez. “Isso é algo praticamente inédito antes de Bergoglio”.

A entrevista com Yáñez, originalmente em italiano, foi realizada em seu escritório, na Universidade Gregoriana.

* * *

As pessoas têm falado sobre como Bergoglio viveu mais como um monge do que como um arquebispo em Buenos Aires. Mas ele não vivia num mundo de fantasias; ele sabia o que estava acontecendo, não é mesmo?

Com certeza. Ele era como um monge totalmente inserido na vida real, em muitos níveis.

Quando eu estava em Buenos Aires, um dos padres dele me disse que o maior problema com Bergoglio era que não se podia mentir para ele! Quando Bergoglio ligava para saber como as coisas iam na paróquia, não adiantava de nada dizer “está tudo ótimo”, porque em cinco minutos ele fazia uma pergunta em que demonstrava saber exatamente do que estava acontecendo.

Isso é verdade, e ele sabia o que estava acontecendo em uma variedade surpreendente de situações. Eu lembro que, pouco tempo depois de ele se tornar arquebispo de Buenos Aires, Bergoglio recebeu uma ligação de um homem que, acredito eu, você consideraria classe média alta, e que passava por uma crise em seu casamento. Esse homem ligou pedindo auxílio. Bergoglio pediu que esperasse alguns dias para encontrar um padre que pudesse ajudá-lo. Ele procurou pessoalmente por um padre, que era amigo dele e que podia servir como um ponto de apoio para esse homem em questão. Bergoglio preocupava-se não apenas com os pobres, mas com pessoas de outras classes sociais também. Ele costumava buscar soluções concretas para os problemas das pessoas, baseando-se em suas relações pessoais.

Como você conheceu Bergoglio?

Encontrei-o pela primeira vez em 1975, pois foi ele quem me recebeu na Companhia como o provincial. Ele era o provincial quando eu estava no noviciado, de 1978 a 1979, e depois tornou-se reitor [da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel] quando eu era escolástico, de 1982 a 1985. Era um costume dos jesuítas da época que o formador falasse pelo menos duas vezes no ano com todos que estavam em formação, mas, na prática, ele falava conosco com mais frequência.

Quando você era escolástico, com que frequência encontrava Bergoglio?

Todos os dias. Não conversávamos sempre, mas eu via ele quando chegava e coisa do tipo. Esses dois encontros formais, de que falei anteriormente, serviam para fazer um balanço de como estávamos indo; mas, além disso, havia todo tipo de perguntas diárias e problemas que surgiam, em termos de nosso trabalho pastoral, nosso contato com os pobres e coisas semelhantes, e falávamos desses problemas o tempo todo.

Alguma vez você já havia pensado na possibilidade de ele se tornar papa?

Eu nem ao menos pensava que ele fosse chegar a bispo! Não seria nada menos do que impossível. Honestamente, antes do dia 13 de março, eu jamais havia pensado nessa possibilidade. Estou um pouco surpreso de ver como ele está fazendo um bom trabalho. Eu sabia que ele era capaz, mas, de verdade, eu jamais poderia ter imaginado tudo isso.

Qual foi sua impressão mais marcante dele na época?

Eu o via como um guia espiritual, um homem que sabia muito bem como nos formar. Ele nos deu liberdade, mas também tinha expectativas muito claras quanto à coerência em nossas vidas, quanto ao comprometimento apostólico e ministerial, e por aí vai. Eu lembro dessa época com muita satisfação.

Também lembro que ele trabalhava muito com os jovens que vinham para a faculdade. Desde sua eleição como papa, todos eles escreveram e falaram sobre isso. Hoje, estão todos casados e com filhos, mas lembram muito bem de como ele era na época. Naqueles tempos, a Faculdade de San Miguel era um ponto de referência em suas vidas. Havia um espírito de abertura, de possibilidade de trazer outras pessoas e dialogar sobre as coisas, e eu acho que a maioria dos jovens naquele bairro tiveram algum contato com o colegiado quando eram crianças e adolescentes e jovens adultos. Todos eles conheciam Bergoglio.

Há uma impressão de que Bergoglio não era muito querido entre os jesuítas mais progressivos durante os anos 70 e 80. Qual é a verdadeira história?

Eu diria que isso confere em algumas correntes progressivas, mas não todas. De modo concreto, estamos falando sobre essas correntes que são mais ligadas a certas versões da teologia da liberação, pois, na verdade, existem muitas teologias da liberação diferentes. Por exemplo, em San Miguel, há o [Padre jesuíta] Juan Carlos Scannone, que representa uma versão argentina distinta da Teologia da liberação, e ele era próximo de Bergoglio, eles trabalhavam juntos. Ele é um filósofo, mas também um teólogo, e é conhecido de Gutierrez, Sobrino e outros da teologia da América Latina. Acredito que nunca tenha existido nenhum confronto entre ele e Bergoglio.

Esses anos testemunharam um forte conflito entre a esquerda e a direita, e eu diria que, durante a maior parte do tempo, a posição de Bergoglio foi intermediária. Como eu disse na sexta-feira, ele pertencia a uma linha mais distinta argentina, tanto na filosofia quanto na teologia. Sua ênfase estava em procurar pontos de contraste com a cultura argentina, e, dentro disso, havia uma grande apreciação pela religiosidade popular. Havia algo nele que fazia a geração passada de padres e, acima de tudo, de bispos, vê-lo com certo receio.

Por quê?

Eles consideravam isso tudo um pouco superficial, e, é claro, há elementos que você não pode simplesmente engolir. No entanto, Bergoglio e sua geração gostaram disso, no sentido de que era uma realidade bastante presente entre as pessoas, e que se podia trabalhar com ela. Ao invés de descartar a ideia, deveriam construí-la, purificá-la e evangelizá-la. Sua ideia era focar nos elementos positivos da religiosidade popular, pois representa uma fé autêntica entre as pessoas simples. Eel lembrou-me disso em seu primeiro Angelus, em que referiu-se a uma simples mulher idosa que tinha verdadeiros insights sobre a fé — mesmo que nunca tenha ido à Universidade Gregoriana!

Naquele tempo, acho que não compreendiam ele muito bem.

Quem não compreendia?

Pela esquerda mais próxima das ideias marxistas.

Mesmo entre os jesuítas argentinos?

Entre alguns, sim. Havia uma certa linha de pensamento progressiva que tinha implicava com ele. Ele queria trazer de volta certos elementos de nossa formação que foram deixados de lado após o Concílio Vaticano II, não para ser somente pré-conciliar, mas porque pensava que esses elementos refletiam nossa realidade.

Por exemplo?

Por exemplo, ele nos dava um horário fixo. Quando entrei no noviciado, não havia nada do tipo. Como reitor, ele ordenou que tivéssemos um horário. Na época, coisas como essa significavam uma retomada ao passado. Obviamente, não era a coisa mais importante do mundo, e pode-se discutir sobre ser uma boa ideia ou não. Esse é o tipo de coisa de que falamos... uma certa ordem, uma certa disciplina. Ele também insistia em integrar o trabalho manual em nossa formação, o que surpreendeu-me como uma maneira realista de viver a pobreza.

Estou surpreso de que este seria um problema para aqueles que se identificam com a teologia da liberação...

Não falo apenas da Teologia da liberação, mas de todos aqueles que pensam que algo do tipo poderia ser interpretado como um retorno ao passado.

Alguns dizem que, após Bergoglio concluir seu período como reitor, ele foi mandado para o exílio por jesuítas progressivos que não gostavam dele. A informação procede?

Isso é uma interpretação.

É uma interpretação correta?

Eu não sei. Pouco depois de ele sair da reitoria, pediu permissão para começar um doutorado em teologia. Ele passou alguns meses na Alemanha, tanto para aprender alemão e para conhecer melhor sobre Romano Guardini, o autor que desejava estudar. Mais tarde, Bergoglio voltou à Argentina, viveu em Salvador e continuou lecionando em San Miguel, dando aulas sobre teologia pastoral. Isso tudo durou alguns anos, e, depois disso, ele foi transferido para Córdoba. Esses são os fatos, e a maneira com que você interpreta eles é algo totalmente diferente.

Como você interpreta eles?

Não há dúvidas quanto ao fato de que, nos anos que se seguiram após a saída de Bergoglio, o estilo da formação foi diferente de como era sob seu comando. Os novos líderes achavam que a formação havia sendo muito conservadora e precisava ser renovada.

A transferência para Córdoba foi vista como punição?

Não, mas talvez tenha sido compreendida como uma maneira de distanciá-lo, por causa das mudanças no estilo de formação. Para os jesuítas, uma transferência não pode ser compreendida como punição. Estamos prontos para sair a qualquer momento. Fui transferido há alguns anos para a Universidade Gregoriana, e não acho que foi por punição. Se me disserem para ir a outro lugar amanhã, irei com satisfação, pois esse é o nosso jeito.

O ponto é que ele era visto como mais conservador do que outros, mas não como um extremista?

Mais do que isso, eu diria que ele é uma pessoa sem igual, e, às vezes, se nos apoiarmos nos paradigmas e categorias que costumamos, fica fácil de compreendê-lo mal. Ele tem uma personalidade original que não se baseia nessas distinções. Ele não é uma figura ideológica.

Como se deu a sua ligação telefônica com o papa?

Em primeiro lugar, dificilmente essa seria a primeira vez que Jorge Mario Bergoglio ligou para mim, ou que eu liguei para ele. É que, hoje em dia, é um pouco mais difícil de ligar para ele! O que aconteceu é que, perto da Páscoa, enviei-lhe uma mensagem desejando não apenas uma boa Páscoa, mas sucesso em sua nova responsabilidade. Ele respondeu ligando para meu número pessoal em meu quarto da comunidade jesuíta na Universidade Gregoriana, mas eu estava fora da cidade. Mais tarde, descobri que ele havia ligado muitas vezes e pensei que talvez eu tivesse trocado de número, por isso ligou para o número geral e, daí, todos souberam que o papa havia ligado.

Ele deixou uma mensagem pedindo que eu ligasse para ele na Casa Santa Marta, e, na primeira vez que tentei, disseram que ele estava ocupado, o que eu entendi, é claro. Na segunda vez, disseram-me que estava tirando uma soneca, o que, honestamente, achei meio esquisito, pois não faz o tipo dele, mas tudo bem. Então, ele me retornou na sexta-feira depois da Páscoa e disse “finalmente eu consegui falar com você!”

Conversamos por um tempo, tivemos uma conversa bem normal de amigos. Foi simplesmente a continuação da relação que sempre tivemos, e, para mim, o legal foi perceber que ele quer continuar a ter essa relação. Para ser honesto, eu não sabia nem como chamar ele. Quando escrevi a mensagem, aderecei à “Sua Santidade Papa Francisco”, mas depois continuei usando a linguagem que sempre usei.

Quando ele te ligou, chamou a si mesmo de “Jorge”?

Sim, “Jorge”. Ele também ligou para muitos de meus amigos na Argentina. Ligou para um deles para desejar feliz aniversário, por exemplo. Ele foi muito legal também com um amigo meu que ficou doente há não muito tempo atrás. Ligou para ele durante sua doença, e, quando faleceu, ligou para saudar a comunidade e a família.

Quando vocês conversaram, ele ofereceu a você um emprego no Vaticano?

Não! Antes de tudo, eu não preciso de um, e ele sabe disso. Não é sobre esse tipo de coisa que conversamos.

Que tipo de papa você acha que ele vai ser?

É difícil responder essa pergunta. O que acho é que o que vimos até agora vai continuar, e provavelmente se aprofundar. Será interessante ver se o seu estilo vai se espalhar pelo resto da Igreja, pois acredito que faria um bem enorme.

Por exemplo, dá para ver a influência de seu estilo entre os outros bispos da Argentina... mais simples, mais próximo do povo, menos preocupado com questões de estrutura. Há também muitos bispos que estão próximos de seus padres. Os padres que vivem aqui em Roma no Colegio Sacerdotal Argentino dizem-me que os bispos ligam para saber como estão, ou enviam e-mails. Isso é algo praticamente inédito antes de Bergoglio, um bispo nutrir interesse pessoal em seus padres.

Há uma história sobre Bergoglio de pouco antes de se tornar bispo. quando um de seus padres precisou ir ao hospital para uma cirurgia. Ele passou a noite inteira no hospital, preocupado com a saúde do padre. Isso realmente surpreendeu o resto do clero, pois nunca tinham visto um arquebispo que passou a noite inteira no hospital com um deles.

Todos estão falando sobre uma reforma na Cúria de Roma, que viria a acontecer sob o papado de Francisco. Você o conhecia como líder em um nível menor — qual era a sua maneira de governar?

Ele é um homem que governa, com certeza. É um administrador nato. Por exemplo, quando ele se tornou provincial, nossa província tinha uma dívida enorme. Foi no tempo da hiperinflação na Argentina. As coisas andavam ruins o suficiente para a província arriscar perder seu patrimônio. A dívida era, em parte, de despesas relacionadas à Universidade de Salvador [mantida pelos jesuítas]. Ele organizou as finanças e deixou-as em condições muito boas.

Como ele fez isso?

Honestamente, não sei ao certo. Sei que ele teve de vender alguns terrenos que pertenciam aos jesuítas. Além disso, a universidade foi passada para a administração leiga durante esse período. Alguns ficaram muito insatisfeitos com isso, mas ficou claro que era uma situação muito difícil e algo precisava ser feito. Ele é um homem capaz de fazer decisões. Ele também teve de lidar com uma situação econômica difícil depois que tornou-se arquebispo de Buenos Aires, e foi capaz de colocar isso em ordem também.

Ainda é estranho ver seu velho amigo todo vestido de branco?

É claro, eu ainda não consigo acreditar.

Você se preocupa de que as expectativas em relação a ele possam estar muito altas?

Sim, estou ciente do quão altas estão as expectativas. Dito isso, acredito que Bergoglio irá realizar um bom pontificado. Ele está bem acostumado a encarar as situações mais difíceis enfrentar pela Igreja nos dias de hoje. Acima de tudo, ele é um homem do diálogo, e acredito que todos os vários setores da Igreja poderão dialogar com ele

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Amigo de longa data chama Francisco de “pessoa de diálogo” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV