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24 Abril 2013

Ele foi assassinado há 33 anos, celebrando a missa, por um assassino dos esquadrões da morte que, em El Salvador, exterminavam aqueles que se opunham à ditadura militar e lutavam pela justiça social: sindicalistas, agricultores, padres, freis, catequistas, membros das comunidades de base.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 23-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Falamos de Oscar Arnulfo Romero, arcebispo de El Salvador, cuja causa de beatificação foi depositada nos arquivos vaticanos desde 1996. Outros, enquanto isso (por exemplo, o fundador do Opus Dei, Escrivá de Balaguer), gozavam de procedimentos-relâmpago para chegar à glória dos altares.

Agora, anuncia Dom Vincenzo Paglia, postulador da causa de beatificação e presidente do Conselho para a Família, a "causa de beatificação foi desbloqueada". O Papa Francisco interveio pessoalmente para recolocar as coisas em movimento. Foram os missionários do Pime que se perguntaram, ainda uma semana depois da eleição do primeiro papa latino-americano, se a prática encalhada no Vaticano não poderia finalmente chegar a um resultado positivo graças a Bergoglio.

A resposta veio nessa segunda-feira de Dom Paglia. Mas isso não exime da amarga reflexão de que a aversão obsessiva no Vaticano contra tudo o que estava em odor de teologia da libertação ou, mais geralmente, de uma esquerda militante contra as ditaduras manteve Romero em um estado de marginalização, seja quando vivo ou quando morto.

O paradoxo é que o bispo Romero não era nem defensor da teologia da libertação, nem muito menos simpatizante da "esquerda". Ele era e continuou sendo até o fim um bispo tradicionalista, moderado ou, melhor, de origem francamente conservadora, mas que, diante da brutal violação dos direitos humanos em El Salvador no fim dos anos 1970, sentiu o dever de denunciar as injustiças e as violências.

Quando Romero, sacudido pelo assassinato do seu colaborador padre Rutilio Grande (jesuíta), começou a pregar nas suas homilias contra os membros violentos da oligarquia militar-conservadora salvadorenha, ele rapidamente sentiu uma sensação de isolamento não só nos ambientes políticos, mas também nos eclesiais. No dia 11 de maio de 1979, ele conseguiu obter uma audiência com João Paulo II, mas saiu do palácio vaticano chocado com a frieza que lhe foi demonstrada pelo papa polonês, que o exortava a ser mais cooperativo com o governo, apesar das fotos dos massacres perpetrados pela ditadura que Romero havia levado consigo.

Nem um ano depois, no dia 24 de março de 1980, quando elevava a hóstia celebrando a missa na capela de um hospital, Romero foi atingido por um tiro de um assassino da oligarquia. Um martírio evidente. Continua sendo uma página obscura nas peregrinações internacionais de Wojtyla a definição que o papa dedicou ao arcebispo assassinado durante a sua primeira viagem a El Salvador em 1983: "Um pastor zeloso". Bem outras eram as palavras que, nessa década, a Igreja dedicava ao padre do Solidarnosc, Popieluszko, assassinado pelos serviços secretos poloneses.

Somente depois da queda do Muro de Berlim e da erradicação da Teologia da libertação da América Latina, é que João Paulo II mudou de linha. Percebeu-se isso na sua segunda viagem a El Salvador em 1996, até que, no ano 2000, ele o inseriu na lista dos "novos mártires" do século XX, citando-o durante uma celebração.

Mas a causa de beatificação, iniciada em 1997, havia permanecido encalhada. Agora, graças às pressões de Dom Paglia (líder espiritual da Comunidade de Santo Egídio) e por decisão do Papa Francisco, deve-se chegar rapidamente à conclusão do processo.

O prêmio Nobel argentino Pérez Esquivel contou a Franca Giansoldati, do jornal Il Messaggero, que, encontrando-se com o Papa Francisco poucos dias depois da sua eleição, encontraram-se de acordo em considerar Romero como um dos "grandes profetas e mártires da Igreja". Antes tarde do que nunca.

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