Conjuntura da Semana. Papa Francisco. Uma "primavera" na Igreja católica?

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07 Abril 2013

A análise da Conjuntura da Semana é uma (re) leitura das Notícias do Dia publicadas diariamente no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT, parceiro estratégico do IHU, com sede em Curitiba-PR, e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, parceiro do IHU na elaboração das Notícias do Dia.

Sumário

Papa Francisco. Uma “primavera” na Igreja?

Novidade e impressões a respeito do novo papa
Os primeiros gestos de um papa chamado Francisco
Crítica ao relativismo resignificado
A opção pelos pobres e a retomada do Concílio Vaticano II
A liturgia como campo de batalha
Até quando vai durar a “lua de mel” do Papa Francisco?

Conjuntura da Semana em frases

Eis a análise.

Papa Francisco: o nome como programa para o Pontificado. A escolha de Bergoglio retumbou como uma surpresa, confirmada nos gestos. Uma Igreja mais simples, próxima, peregrina e despojada. A utopia de uma Igreja pobre e dos pobres. Esta análise procura elucidar o significado dos gestos e discursos emitidos nas primeiras semanas de pontificado do Papa Francisco. Após os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, há o prenúncio uma nova "primavera" na Igreja. A sequência do pontificado de Francisco ratificará essa esperança? Estará a Igreja preparada para essa primavera ou continuará a viver no "inverno" eclesial, como aconteceu no tempo de Francisco de Assis? São questões que vão emergindo. A presente análise é uma primeira aproximação.

Novidade e impressões a respeito do novo papa

A renúncia de Bento XVI, com todos os seus desdobramentos para a vida da Igreja, conforme conjuntura já publicada neste sítio, já havia surpreendido o mundo católico. Agora, a ainda recente eleição do cardeal Jorge Mario Bergoglio para a sua sucessão enche a todos de um misto de esperança, expectativas e muitas indagações a respeito dos novos rumos da Igreja.

Como bem destacou o historiador Rodrigo Coppe Caldeira, “a Igreja demonstra que seus caminhos são insondáveis. A escolha de Bergoglio é certamente uma ruptura na tradicional escolha de papas europeus. Mostra que a instituição religiosa se atenta para os desafios globais, que se avolumam”. De fato, a Igreja católica possui um dinamismo que, de tempos em tempos, foge das análises presumíveis, dos olhares cristalizados. Novos cenários parecem se delinear.

As credenciais de Bergoglio, independente do trabalho que desempenhará em seu ministério, já são em si uma novidade para a Igreja. Nascido em 17 de dezembro de 1936, filho de um funcionário da companhia de trens argentina, ingressou no seminário aos 21 anos, após se formar como técnico em química. Foi ordenado padre jesuíta em 1969, tornando-se superior provincial dos jesuítas, entre 1973 e 1979. Em 1998, foi nomeado arcebispo da Arquidiocese de Buenos Aires e, em fevereiro de 2001, foi feito cardeal por João Paulo II. É, portanto, além de primeiro jesuíta, o primeiro latino-americano a ser eleito papa na história da Igreja.

De acordo com destaques apresentados na reportagem de Henri Tincq, para o sítio Slate.fr, Bergoglio é originário de um continente onde vive a metade da população católica do mundo, com países fortemente marcados pela influência da Igreja em suas instituições e abalizados por uma religião popular, emotiva e ativa, embora, atualmente, o “quase monopólio religioso” católico já se encontre “diante de uma grave hemorragia, sendo fortemente ameaçado pela explosão das Igrejas evangélicas e pentecostais”. Na Argentina, país do Papa, por exemplo, em 20 anos, quatro milhões de pessoas abandonaram a Igreja católica para ingressarem em outras denominações religiosas.

Mesmo assim, o legado histórico da Igreja latino-americana para a Igreja universal é salutar. E, em certa medida, a escolha de Bergoglio, com todas as reticências que podem ser feitas, rememora uma longa caminhada de vitalidade eclesial deste continente. De Medellín (1968) a Puebla (1979), neste continente, segundo o sociólogo Luiz Alberto Gómez de Souza, a Igreja viveu uma década “gloriosa”, “afirmando fortemente a centralidade da ‘opção preferencial pelos pobres’”.

Exceto as polêmicas que envolvem a atuação de Bergoglio nos tempos difíceis da ditadura militar argentina, quando ainda nem era bispo, Stéphanie Le Bars considera, em reportagem para o jornal Le Monde, que “a sobriedade com que (Bergoglio) viveu durante anos em Buenos Aires, próximo da população dos bairros mais pobres, tende a tornar crível a mensagem que ele continuou a enviar (...): o seu desejo de ver surgir uma ‘Igreja pobre para os pobres’, de promover uma Igreja e um mundo que prestem mais atenção ao destino ‘dos mais humildes’ e da ‘natureza’”. É neste âmbito que ecoam suas palavras, em 2007, junto aos bispos latino-americanos: “Vivemos na zona mais desigual do mundo, onde a redução da miséria foi menor”. “A distribuição injusta dos bens continua criando uma situação de pecado social que clama ao céu e limita as possibilidades de uma vida mais plena para muitos de nossos irmãos”.

As expectativas de alguns grupos religiosos no Brasil, sobre o novo papa, foram reunidas num artigo pelo presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina (CEHILA-Brasil), Sérgio Ricardo Coutinho.     

Coutinho observa que, de um modo geral, os cardeais brasileiros que participaram do conclave veem o novo papa como portador da esperança “de uma Igreja ‘reformada’, mais simples, despojada, ao lado do povo, para ser capaz de uma ‘nova evangelização’ e se tornar crível”.

Para comparar as diferentes expectativas dos outros grupos eclesiais, Coutinho utiliza a imagem das estações do ano. Se para os teólogos da libertação “o horizonte de expectativa é uma mescla da sensação de uma brisa de ‘primavera’ em meio ao ainda pesado vento de ‘inverno’ presente”, para o grupo da Renovação Carismática Católica “nunca houve ‘inverno’ na Igreja. Somente ‘primavera’ e ela continuará com a ajuda do Espírito Santo”. Numa posição oposta a dos teólogos da libertação, o grupo dos restauradores da identidade católica considera que “a ‘primavera’ trazida por Bento XVI (mais que João Paulo II) parece que se transformará em um ‘outono’ e temem o frio do ‘inverno’”.

Por fim, é preciso lembrar também o destaque de Coutinho a respeito da posição menos prospectiva da teóloga feminista Ivone Gebara para o resultado deste conclave. No fragmento de um de seus artigos, destacado por Coutinho, a teóloga afirma que “um chefe político da Igreja, vindo do sul vai equilibrar as pedras do xadrez mundial, bastante movimentadas nos últimos anos pelos governos populares da América Latina e pelas lutas de muitos movimentos, entre eles os movimentos feministas do continente com reivindicações que atormentam o Vaticano”.

Parece que Bergoglio não é daquele tipo de personalidade presumível, que se encaixa facilmente em estereótipos. Em reportagem publicada no jornal The Guardian, Margaret Hebblethwaite, que diz ter acompanhado o papável argentino nos últimos dez anos, ressaltou que já ouviu duas opiniões opostas sobre o novo papa. “Uns o veem como alguém humilde, outros como autoritário. Alguns como progressista e aberto, outros como conservador e severo”. Relembrando uma de suas conversas com Bergoglio, disse ter encontrando alguém que lhe pareceu “ser um homem que era não só apaixonadamente comprometido com o evangelho da pobreza, mas também inteligente e culto”. E arremata: “Eu acredito que ele não vai nos decepcionar e será um farol de pobreza e simplicidade franciscanas em um Vaticano que ainda opera como uma corte medieval”.

Os primeiros gestos de um papa chamado Francisco

Quando o novo papa surgiu na sacada da Basílica de São Pedro, logo o mundo católico se surpreendeu com a reação discreta e contida do agora papa Francisco. Ao pedir para que os fiéis rezassem por ele, mostrou humildade e sentido de comunidade com todos. O editorial do New Catholic Reporter frisou alguns dos novos gestos do Papa: “Evitou quaisquer outras pompas do cargo, salvo a sotaina branca e a cruz simples”, “andou numa minivan junto com seus irmãos cardeais, e não na limusine papal”, “apanhou suas malas no hotel onde tinha ficado antes do conclave e pagou sua própria conta”.

O editorial também aponta que a escolha do nome Francisco teve a influência pessoal do “cardeal brasileiro Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, franciscano e apoiador da teologia da libertação, ao se dar conta de que o cardeal Jorge Mario Bergoglio seria o novo papa, abraçou-o e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’”.

A escolha do nome Francisco comoveu aos que sonham com uma Igreja mais pobre e lutam por um mundo justo, fraterno e de relações harmônicas. Para o teólogo Leonardo Boff, certamente a “centralidade que Francisco de Assis conferiu aos pobres” inspirou a escolha de seu nome. “O Francisco de Roma, desde que o conhecemos, vive repetindo: o problema dos pobres não se resolve sem a participação dos pobres, não pela filantropia, mas pela justiça social. Esta diminui as desigualdades que castigam a América Latina e, em geral, o mundo inteiro”.

Ainda em concomitância com o simbolismo da escolha deste nome, Boff relembra que a palavra cuidado apareceu mais de oito vezes na fala inaugural do novo papa. “Francisco de Assis, patrono da ecologia, será o paradigma de uma relação respeitosa e fraterna para com todos os seres, não em cima, mas ao pé da natureza”. Por fim, Boff acentua que “Francisco de Roma, à diferença de Bento XVI, expressão da razão intelectual, é um claro exemplo da inteligência cordial que ama o povo, abraça as pessoas, beija as crianças e olha amorosamente para as multidões”.

Outro ponto forte do papa Francisco é a sua firmeza em se pronunciar como bispo de Roma, evidenciando a colegialidade eclesial. Este aspecto está inserido no que o historiador Massimo Faggioli considera o “fim das simbologias monárquicas e imperiais: o papa não é papa porque é monarca, mas porque é bispo de Roma. A reforma desejada pelo papa Francisco para a liturgia de início do pontificado transmite uma ideia de Igreja que remonta à Igreja chamada ao Concílio por João XXIII e é uma ideia de Igreja fiel à grande tradição cristã, e não às ideologizações antimodernas dela”.

Num outro artigo, Faggioli também explicita, no contexto das interpretações ambivalentes sobre o novo papa, que “Francisco não é o papa liberal que alguns ingenuamente esperam e não é o teólogo da libertação vingador da repressão de Boff, Gutiérrez e Sobrino. Mas certamente não é um ideólogo da restauração anticonciliar: do que vimos até agora, o patrimônio teológico, litúrgico, ecumênico e inter-religioso faz parte, e de modo pleno, dos primeiros atos e palavras do papa Bergoglio".

Até o momento, na avaliação de Marco Politi, os primeiros gestos e palavras de Jorge Bergoglio foram incômodos e desconcertantes, o que já estaria irritando os prelados mais conservadores. “O ponto de força de Francisco (e de preocupação para aqueles que temem as suas reformas), além disso, é o fato de que ele absolutamente não exibe sobriedade. Ele é sóbrio e ponto final”. Como todos sabem, mais do que as palavras, exemplos são capazes de arrastar multidões. Quem sabe este seja só o início da primavera da Igreja para o século XXI.

É inegável que o Papa Francisco seja mensageiro de uma boa notícia marcada pela simplicidade, pela proximidade e pela fidelidade à mensagem evangélica. As “surpresas” de Francisco aparecem em como aborda alguns temas em particular, como segue.

Crítica ao relativismo resignificado

Para os analistas – e outros – preocupados em traçar uma distinção excessivamente nítida entre Francisco e seu antecessor, Bento XVI, no sentido de evidenciar sua descontinuidade, o Papa Francisco já armou armadilhas. A primeira delas diz respeito ao tema do relativismo, presente e caro a Bento XVI, mas que Francisco retoma já no início de seu pontificado – na audiência com os diplomatas, na sexta-feira, 22 de março. As classificações, fáceis e rápidas, requerem cuidado.

Há, na retomada deste tema, uma dupla surpresa. A primeira: ninguém esperava que ele fosse tocar, logo no início de seu pontificado, num assunto que foi causa de numerosas e calorosas polêmicas envolvendo seu antecessor. A segunda surpresa, a descoberta da resignificação realizada por Francisco, fato para o qual chamam a atenção vários analistas.

Quem de modo mais explícito circunscreve este aspecto é Sérgio Ricardo Coutinho, presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina (CEHILA-Brasil). “Em Ratzinger, ‘ditadura do relativismo’ se centra na ausência de uma reta razão que conduz à Verdade. A Verdade é a doutrina católica, a doutrina correta, ortodoxa, que por vezes é acusada de fundamentalismo pelos adversários da Igreja. O termo é uma expressão mais sofisticada para heterodoxia (quando pensado para designar as correntes de pensamento internos à Igreja) e para o irracionalismo trazido pelos pensadores pós-estruturalistas e neo-nietzschenianos (Derrida, Deleuze, Foucault...). O termo quer dar conta da fragmentação do pensamento nas sociedades (pós)modernas e que impede o homem de chegar à Verdade”, escreve.

Bergoglio, por sua vez, de acordo com o cientista político e leigo católico italiano Christian Albini, faz uma leitura diferente do relativismo. Francisco o qualificou como "pobreza espiritual" (e se pode pensar que, no futuro, ele continuará empregando essa expressão), entendida como o ver a si mesmo e o próprio bem independentemente dos outros. “É uma leitura muito próxima do conceito de philautía (o amor exclusivo a si mesmo), próprio da tradição patrística, com a qual o Papa Francisco opera uma passagem do plano teórico ao espiritual”, avalia Albini.

O Papa Francisco, segundo Coutinho, “fala de outro tipo de ‘verdade’: a busca pelo bem comum. O egoísmo, o individualismo que não vê o outro, sem solidariedade, sem fraternidade, sem a busca do bem de todos, da dignidade humana, é uma ‘ditadura’ que ‘relativiza’ a ‘natureza comum a todos os seres humanos nesta terra’. Sua crítica estaria na linha de rejeitar o princípio básico do liberalismo político, qual seja, a autonomia privada como o grande bem a ser preservado, na medida em que os indivíduos são capazes de formular suas próprias concepções de vida digna independentemente do Estado. Desta forma, para o liberalismo político, caberia ao aparato burocrático do Estado garantir a realização dos interesses individuais dos cidadãos. Por isso, Francisco critica aquela prática de ‘reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo com o bem dos outros’, comportamento típico dos cidadãos nos países mais ricos”. E conclui: “A meu ver, a expressão tem um teor de doutrina social e política, que também busca a ‘verdade’, mas pela prática da justiça e da paz”.

Portanto, pode-se identificar nesse tema traços de continuidade, mas também de ruptura entre Bento XVI e Francisco. Este parece indicar que tem luz própria e que está disposto a imprimir novo estilo teórico, não sendo mero discípulo fiel da teologia ratzingeriana.

A opção pelos pobres e a retomada do Concílio Vaticano II

O tema dos pobres e da pobreza emerge quase como obsessão em Bergoglio-Francisco. Há inúmeras referências ao estilo de vida simples de Bergoglio. De como cultivou e praticou uma sensibilidade para com o sofrimento e a dor dos pobres. Também de como, pastoralmente, incentivou a inserção dos sacerdotes da Arquidiocese de Buenos Aires nos meios mais pobres. A este respeito, Jon Sobrino, figura destacada da Teologia da Libertação, disse em entrevista: “Acompanhou decididamente os processos eclesiais nas margens da Igreja católica, e os processos que ocorrem na margem da legalidade. Dois exemplos emblemáticos são o Vicariato de padres da favela, dos bairros marginais, e o seu apoio aos padres que perambulavam sem um ministério digno”. Entretanto, salienta, Bergoglio “não foi um Romero – célebre por sua defesa dos direitos humanos e assassinado no exercício de seu ministério pastoral. (...) Bergoglio não oferecia a imagem de dom Angelelli, bispo argentino assassinado pelos militares em 1976. Muito possivelmente sim, tocava em seu coração, mas não costumava aflorar em público a lembrança de Leonidas Proaño, dom Juan Gerardi, Sergio Méndez...”.

Palavras suas, escritas em 2001, mostram o quanto a pobreza era uma virtude que levava perto do coração. Foram escritas no contexto do Sínodo dos Bispos, realizado naquele ano, falando sobre a vida espiritual dos bispos. Escreve Bergoglio, na ocasião Relator Geral Adjunto: “Homem de coração pobre, ele [o bispo] é imagem de Cristo pobre, imita Cristo pobre, sendo pobre com um discernimento profundo. A sua simplicidade e austeridade de vida lhe conferem uma completa liberdade em Deus. [...] trata-se de buscar aquele radicalismo evangélico pelo qual bem-aventurado é quem se faz pobre em vista do Reino, para se colocar no seguimento de Jesus-pobre, para viver na comunhão com os irmãos segundo o modelo da apostolica vivendi forma, testemunhada no livro dos Atos dos Apóstolos”.

Há informações de que a partir desta intervenção, começou a se falar dele como um provável candidato a sucessor de Pedro. Nas primeiras semanas de seu pontificado, Francisco manifestou o profundo desejo de ter uma Igreja mais pobre e ao mesmo tempo voltada para os pobres. "Ah, como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres", disse no encontro que teve com milhares de jornalistas. E manifestou que a escolha do seu nome está estreitamente vinculada ao estilo de vida pobre e pacífico de Francisco de Assis. "Essa palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Logo pensei em Francisco de Assis. Depois eu pensei nas guerras, enquanto o escrutínio prosseguia até a contagem de todos os votos. E Francisco é o homem de paz. E assim veio o nome no meu coração: Francisco de Assis. O homem da pobreza, o homem da paz, um homem que ama e cuida da criação", conta aos jornalistas, justificando a escolha de seu nome.

Nesta temática, há sinais de retomada e continuidade com o espírito do Concílio Vaticano II, do qual, como ressalta o cientista político italiano Christian Albini [o que seria também uma “novidade” deste pontífice em relação aos seus antecessores mais imediatos. Ressalte-se, no entanto, que Ratzinger participou não como bispo, mas como perito do cardeal Joseph Frings, de Colônia], Bergoglio não participou diretamente. Sabe-se que a opção pelos pobres esteve no coração de João XXIII e de um grupo de bispos, mas que não conseguiu se transformar em espinha dorsal dos documentos conciliares. A opção pelos pobres receberá especial atenção no documento que resultou da Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe de Medellín, em 1968, portanto, logo depois do término do Concílio Vaticano II.

“O sonho de uma Igreja pobre e para os pobres o reconecta [Papa Francisco] ao sonho de uma ‘Igreja de todos e especialmente Igreja dos pobres’, que o Papa João XXIII proclamou na sua mensagem de rádio um mês antes do Concílio. Trata-se de um sonho, não de um projeto que o papa pode executar, porque não basta um papa para fazer a Igreja”, avalia Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano.

Já o brasileiro Antonio Cechin, irmão marista e militante social, identifica no jeito simples e pobre de viver de Bergoglio-Francisco, traços do Pacto das Catacumbas, assumido por um grupo de bispos ao final do Concílio Vaticano II. Os signatários do pacto se comprometiam a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. Isso pode ser confirmado pelos diversos gestos de Francisco, já como pontífice [construtor de pontes, como gosta de ressaltar]

O próprio Francisco já abordou de diversos modos o Concílio, como faz ver o historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, nos EUA: “A exegese do nome Francisco no auspício de uma ‘Igreja pobre para os pobres’; a ênfase eclesiológica do seu próprio ministério como ‘bispo de Roma’, com todas as consequências institucionais e ecumênicas que essa ênfase comporta; a nobre simplicidade da missa de início de pontificado, sinal de uma aceitação plena e sem complexos da reforma litúrgica do Vaticano II; o discurso aos delegados, com uma citação por extenso do Concílio e do papa que o convocou”.

São sinais que dão novo vigor e ânimo à opção pelos pobres e ao Concílio Vaticano II.

Ao mesmo tempo em que o Papa Francisco se apresenta com estas credenciais, pode estranhar o fato de que nunca se tenha ouvido falar de que fizesse parte da Teologia da Libertação, que se desenvolveu ao longo dos últimos 40 anos na América Latina. Pelo contrário, há indícios de que a criticava duramente, acusando-a de europeia, demasiado teórica e intelectual.

Para compreender essa questão, auxilia a análise feita pelo sociólogo franco-brasileiro Michäel Lowy, em artigo publicado no Le Monde. A Teologia da Libertação “nada mais é do que a expressão intelectual e espiritual de um vasto movimento social, nascido ao menos uma década antes, que se manifesta através de uma estreita rede de pastorais populares (da terra, operária, urbana, indígena, da mulher), de comunidades eclesiais de base, de grupos de bairro, de comissões de justiça e paz, de formações da Ação Católica, que assumiram de maneira ativa a opção preferencial pelos pobres. Não na forma tradicional da caridade, mas como solidariedade concreta com a luta dos pobres pela sua libertação”.

Lowy caracteriza esse tipo de “cristianismo da libertação” como uma “religião comunitária de salvação” e de luta contra as ditaduras militares que se espalharam pela região. A Teologia da Libertação foi capaz de fazer uma crítica da própria religião cristã, apontando o quanto, ao longo da história, esteve mais do lado dos opressores do que dos oprimidos.

Para Bergoglio, esta opção pelos pobres esteve atravessada por um viés mais político que espiritual. Além disso, Bergoglio esteve imerso em uma realidade sócio-política muito marcada pelo peronismo. É partidário de uma teologia popular, beirando o populismo, marcada pela inserção, sim, mas também pela valorização da devoção popular, das romarias... Tem menos a preocupação com as mudanças sócio-políticas. É oriundo, portanto, de um horizonte sociocultural diferente, embora vivam a mesma opção pelos pobres feita pela Igreja neste Continente. Caso esta análise estiver correta, Bergoglio está do “nosso lado”, isto é da Teologia da Libertação, sim, como admite Leonardo Boff, mas entre as duas opções há enormes diferenças, justamente para o que chama atenção Michël Lowy.

Mas, como adverte, John L. Allen Jr., entre o desejo - sincero e profundo - de Francisco e as circunstâncias históricas da Igreja, em especial da hierarquia, há um hiato que precisa ser superado.

A liturgia como campo de batalha

É em torno do tema da liturgia, no entanto, que o clima já esquentou. O jeito sóbrio, espontâneo e mais centrado na ortopráxis de celebrar atraiu a atenção, a preocupação e a ira dos setores mais conservadores da Igreja sobre Francisco.

O Papa Francisco surpreendeu positivamente por sua maneira simples de celebrar. Deixou para trás a pompa e costumes antigos tão característicos tanto de João Paulo II como de Bento XVI. Neles tudo era pomposo, fantástico, extravagante, oficial e ritmado impecavelmente pelas rubricas. Uma perfeição em termos de ortodoxia litúrgica. Chega Francisco e tudo muda, desde o primeiro instante, desde o primeiro gesto na sacada, quando vem vestido de branco e não de vermelho, a cor do sumo pontífice. Apresenta-se liturgicamente mais livre, espontâneo, sem se prender excessivamente às rubricas. As celebrações ganham em emotividade e leveza. Aproximam-se das intenções expressas na Constituição conciliar Sacrossanctum Concilium.

“Fim do barroquismo, fim das nostalgias, fim das simbologias monárquicas e imperiais: o papa é papa não porque é monarca, mas porque é bispo de Roma. A forma desejada pelo Papa Francisco para a liturgia de início do pontificado transmite uma ideia de Igreja que remonta à Igreja chamada ao Concílio por João XXIII e é uma ideia de Igreja fiel à grande tradição cristã, e não às ideologizações antimodernas dela”, analisa Massimo Faggioli.

“A própria forma da celebração do início do Papa Francisco mostrou – prossegue Faggioli –, na solenidade de um rito de menos de duas horas, a ‘nobre simplicidade’ de que fala o documento do Vaticano II sobre a reforma da liturgia”. Simplicidade que deu muitas razões de otimismo para muitos católicos que procuram uma Igreja mais humilde. Enfim, uma guinada de 180 graus. E os grandes perdedores parecem ser os movimentos eclesiais mais conservadores, entre os quais já se acendeu, por conta desses gestos e “liberdades” em relação à liturgia, o sinal vermelho.

Em alerta e sob intensa observação até então, o silêncio dessas alas mais conservadoras começou a se romper na Semana Santa. A missa do Lava-pés, na Quinta-feira Santa, foi o estopim. O motivo: o Papa Francisco lavou os pés de duas mulheres. “Escândalo” maior, porque uma delas era muçulmana! Convém observar que, na América Latina, o fato de haver mulheres na cerimônia do lava-pés constitui algo absolutamente comum (embora proibida pela rito romano), razão pela qual, certamente, o Papa Francisco incentivou essa participação na cerimônia realizada na prisão juvenil de Casal di Marmo.

A ala mais raivosa, detecta nas atitudes de Francisco “uma mudança de 180 graus”, que conduz “à confusão litúrgica”. O liturgista Adolfo Ivorra, professor do Centro de Estudos Superiores Litúrgicos de León e fundador do sítio Lex Orandi, dedicado à interpretação da liturgia católica, se diz especialmente preocupado com o fato de que “o primeiro a não obedecer às rubricas seja o ‘patriarca’ de nosso rito, o romano”. Denunciando a participação das mulheres no lava-pés, Ivorra adverte que “o relativismo entra em nossas casas” e pede ao Papa Francisco que “siga fielmente as rubricas de seu próprio rito, o romano, e dê o exemplo aos demais sacerdotes e bispos de fidelidade às normas da Igreja”.

A reação dos tradicionalistas litúrgicos espalha-se através de suas redes sociais. “Algo está muito errado quando os ventos da mudança podem soprar tão rapidamente por uma instituição imutável criada pelo próprio Deus”, diz, por exemplo, Patrick Archbold no Creative Minority Report, um sítio conservador. São ofensivas militantes e incisivas e que veem “caos litúrgico” e “problemas teológicos” em tudo o que Francisco faz.

Ainda na ala conservadora, também incisivo, mas mais polido, está a postura do vaticanista italiano Sandro Magister, que questiona algumas contradições encontradas nos gestos de Francisco. Uma em especial: em respeito às crenças dos jornalistas e para não causar constrangimentos – “muitos de vocês não pertencem à Igreja católica, outros não são crentes”, disse –, evita dar a bênção. Entretanto, na cerimônia do lava-pés, não tem esse mesmo cuidado, admitindo muçulmanos na celebração da eucaristia. Destaque-se que, embora conservador, a sua postura não deve ser confundida com a dos conservadores “militantes”, mais integristas.

Fora destes âmbito ideológico, as reações são bem diferentes. Para o liturgista José Manuel Bernal, as celebrações de Francisco “têm uma cor nova, rejuvenescida, mais quente, mais entranhável”. Na sua opinião, o Papa “foge dos comportamentos estereotipados e convencionais. Evidentemente, não é escravo das rubricas. Ele se sente acima das rubricas”. “Alguns pedem que o Papa seja exemplar. E está sendo – defende Bernal. Ele está marcando uma nova linha, tendo novas atitudes nas celebrações litúrgicas. Os liturgistas não devem ser escravos das rubricas; antes, devem aplicá-las com inteligência e com bom critério. Essa é a linha do Vaticano II, e assim se reflete no novo Missal”.

“A eucaristia – assinala Bernal – não é apenas expressão de fraternidade; também é fonte, impulso, ponto de partida. A eucaristia cria comunhão, fraternidade. A eucaristia celebra a grande utopia do Reino, a grande reunião dos dispersos, o grande banquete escatológico da abundância. Essa é a meta, para ela caminhamos, por ela lutamos”.

Até quando vai durar a “lua de mel” do Papa Francisco?

Não há dúvida de que o Papa Francisco, com seu jeito simples e até meio envergonhado, tenha conquistado a simpatia de – quase – todos e se tornado popular. Suscitou enormes esperanças e expectativas de mudança na Igreja. Dará ele conta desses desejos? Enfrentará com coragem e determinação as grandes questões internas e externas que requerem uma resposta e uma atitude diferentes? Será esquivo? Como irá se comportar diante das resistências e objeções às suas decisões ou falta de decisões?

Nos últimos dias já manifestou que irá manter a mesma postura adotada por seu antecessor, Bento XVI, em relação ao tratamento dado aos sacerdotes pedófilos. Em um comunicado divulgado pelo Vaticano no dia 05 de abril, pode-se ler: “O Santo Padre recomendou particularmente que a Congregação para a Doutrina da Fé, continuando na linha desejada por Bento XVI, aja com decisão no que se refere aos casos de abusos sexuais, promovendo acima de tudo as medidas proteção dos menores, a ajuda daqueles que no passado sofreram tais violências, os devidos procedimentos com relação aos culpados, o compromisso das Conferências Episcopais na formulação e implementação das diretrizes necessárias nesse campo tão importante para o testemunho da Igreja e a sua credibilidade". Já deu sinais que não pretende relaxar nesse ponto.

A grande expectativa gira em torno de como vai encarar temas mais polêmicos internos à Igreja católica: como irá abordar a questão do celibato dos sacerdotes, do divórcio, da participação da mulher, entre outros.

É possível que não se oponha a todos os temas com o mesmo grau de objeção. Em relação às mulheres, Francisco já se manifestou diversas vezes de maneira positiva à sua contribuição. Em uma audiência, diante de 50.000 pessoas, o Papa disse que as mulheres têm uma capacidade única de compartilhar a fé católica por causa da sua propensão a experimentar o amor e compartilhá-lo com os outros. "As mulheres tiveram e ainda têm um papel particular em abrir as portas ao Senhor, em segui-lo e em comunicar o seu Rosto, porque o olhar de fé sempre precisa do olhar simples e profundo do amor", disse o papa, para em seguida acrescentar: "Esta é a missão das mulheres, das mães, das mulheres: dar testemunho aos filhos, aos netos de que Jesus está vivo, é o vivente, está ressuscitado", afirmou. "A fé se professa com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor".

Na celebração do Lava-pés, na Quinta-feira Santa, Francisco lavou os pés de duas mulheres, sendo uma delas muçulmana. Mas, o discurso sobre o papel das mulheres na Igreja ficará neste nível mais genérico ou irá se traduzir em uma participação aumentada em toda a estrutura da Igreja, incluindo os ministérios?

Aqui vale, a este respeito e aos demais pontos mais críticos, a síntese feita pelo filósofo italiano Massimo Cacciari: o Papa Francisco vai surpreender, mas “não cometerá traições doutrinais”.

Em todo o caso, é cedo e temerário fazer uma análise mais conclusiva sobre o pontificado do Papa Francisco

Conjuntura da Semana em frases

Igreja

Rasga, mas sempre se recompõe

“A Igreja Católica jamais foi uma monarquia como outras, nem uma estrutura monolítica de resistência a todo movimento, apesar do peso do aparelho eclesiástico, mais conhecido como Cúria Romana, que parece ter sido uma outra causa de renúncia para Bento XVI. A igreja se desenvolveu como um tecido orgânico que se distende, ocasionalmente, se rasga, mas sempre se recompõe” – Marie-Françoise Baslez, professora de história da religião na Universidade de Paris/Sorbonne e autora de "Comment Notre Monde est Devenu Chrétien" (como nosso mundo se tornou cristão) – Folha de S. Paulo, 18-03-2013.

‘Quién?’

“Na Venezuela corre a versão de que a escolha de Bergoglio foi resultado de um pedido feito pessoalmente a Deus pelo Hugo Chávez. Pode ser verdade, mas o que não contam é que a primeira reação do Senhor ao ouvir o nome do argentino foi “Quién?” – Luís Fernando Verissimo, escritor – Zero Hora, 18-03-2013.

Papa Chico e o Rolex

“Neste livro “Sobre el cielo y la tierra”, do Papa Francisco, objeto de nota ontem na coluna do Elio Gaspari, tem um trecho que mostra a indignação desse prelado argentino ao recusar, certa vez, um convite para um jantar de caridade que incluía o leilão de um relógio Rolex: “O dono do Rolex quer exercitar sua vaidade à custa dos pobres". Maravilha” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 18-03-2013.

Calma, gente

“Estou feliz que Dom Odilo Scherer não seja Papa. Ele é um cardeal reacionário, autoritário. Ele era o candidato da Cúria romana. Graças a Deus, ele se queimou defendendo a Cúria e o Banco Vaticano” – Leonardo Boff, teólogo, em entrevista ao jornal Clarin, de Buenos Aires – O Globo, 20-03-2013.

Modernização da Igreja

“Não é muito importante que a Igreja Católica se modernize. Pois seus fieis já estão se modernizando há tempo, optando pela liberdade de sua consciência, sem deixarem de ser católicos” – Contardo Calligaris, psicanalista – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

Base aliada

“Dilma Rousseff ofereceu ao Vaticano o programa Minha Casa, Minha Vida para que o novo papa possa cumprir a missão conferida por Cristo: "Vai Francisco, conserta a minha casa que está caindo em ruínas!" – Tutty Vasques, humorista – O Estado de S. Paulo, 20-03-2013.

Melhor que seja argentino

“Não é só o teólogo Leonardo Boff que deu graças a Deus que o cardeal Dom Odilo Scherer não foi eleito Papa. A líder feminista Hildete Pereira de Mello diz que “temia que um Papa brasileiro fosse a volta da inquisição, por causa da política que a Igreja Católica defende para as mulheres” – Ancelmo Gois, jornalista – Folha de S. Paulo, 21-03-2013.

É que...

“Com um Papa local, segundo Hildete, “a pressão seria maior contra as demandas do movimento como aborto, pílulas e orientação sexual”. É. Pode ser” – Ancelmo Gois, jornalista – Folha de S. Paulo,21-03-2013.


Política

Gelo

“Lula e Eduardo Campos (PSB-PE), governador de Pernambuco, não se falam há mais de cinco meses. A última vez foi em outubro, quando Campos telefonou para felicitar o ex-presidente por seu aniversário” – Mônica Bergamo, jornalista – Folha de S. Paulo, 18-03-2013.

Mão amiga

“E Campos vai tentar ajudar Marina Silva a derrubar o projeto de lei que restringe o acesso de novas legendas ao fundo partidário e limita o tempo de propaganda gratuita na televisão. O novo partido da ex-senadora, a Rede, seria diretamente atingido” – Mônica Bergamo, jornalista – Folha de S. Paulo, 18-03-2013.

Mesa redonda

“A interlocutores Campos diz achar que o projeto é uma manobra do governo para inibir sua eventual candidatura à Presidência em 2014. Criando dificuldades para Marina, o PT tentaria impedi-la de também participar da disputa. Com poucos postulantes, os que sobrassem contra Dilma ficariam com cara de oposição direta ao governo dela -imagem que ele pretende evitar” – Mônica Bergamo, jornalista – Folha de S. Paulo, 18-03-2013.

Parceria

"Nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir um país com esta complexidade. Precisamos de parceiros. Precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho" – Dilma Rousseff, presidente da República – Folha de S. Paulo, 26-03-2013.

Dilma, não candidata?


“Está afastada a possibilidade de Dilma não ser candidata à reeleição? Não, não está afastada. Está afastada 95%. Não está afastada 100%. O mundo acabou de assistir, perplexo, à renúncia de um papa. Ninguém imaginou a hipótese de o papa renunciar. No entanto, Bento XVI renunciou” – Raymundo Costa, jornalista – Valor, 02-04-2013.

100%

“O que parece 100% (ou quase) definido é que as eleições estaduais serão subordinadas à sucessão presidencial” – Raymundo Costa, jornalista – Valor, 02-04-2013.

Exemplo

“Um exemplo simbólico: se for preciso entregar a cabeça de Lindbergh Farias (PT), no Rio de Janeiro, a fim de preservar uma aliança fundamental (PMDB) para o projeto nacional, o PT vai entregar a cabeça do ex-presidente da UNE como quem corta cebola. Chorando, é bem verdade. Mas vai entregar” – Raymundo Costa, jornalista – Valor, 02-04-2013.

Lula e Odebrecht na Guiné

“Deu domingo na Folha: na sua única viagem internacional como representante oficial do governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou na delegação à Guiné Equatorial um diretor da Odebrechet. "A Odebrecht entrou na Guiné Equatorial após a visita de Lula, sendo favorita para obras na parte continental, onde está sendo construída uma capital administrativa", dizia ainda o texto” – Clóvis Rossi, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-03-2013.

Lula e Obiang


“No mesmíssimo domingo, deu em "El País": "Fazer negócios com o clã familiar que lidera Teodoro Obiang [ditador da Guiné Equatorial desde 1979] é arriscado. O pagamento de comissões é obrigatório e as disputas comerciais, muitas vezes fictícias, derivam, às vezes, em extorsão, ameaças e em perda do investimento para salvar a vida" – Clóvis Rossi, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-03-2013.

Obscenidade

“Que Lula trabalhe como caixeiro-viajante dessas empresas já é esquisito, mas, convenhamos, é o que fazem hoje em dia não apenas ex-presidentes mas até presidentes/primeiros-ministros em pleno exercício do cargo. Mas que feche os olhos para uma tirania obscena como, entre tantas outras, a de Obiang, no cargo há 34 anos, vira também uma obscenidade, mais ainda como representante oficial de um governo que diz pôr direitos humanos no centro de sua política externa” – Clóvis Rossi, jornalista – Folha de S. Paulo, 26-03-2013.

Dilma e Campos

“Um resultado muitíssimo relevante é que a popularidade dela (Dilma Rousseff) subiu fora da margem de erro e bateu em 85% no Nordeste, região muito populosa, que rendeu votações decisivas para Lula e Dilma e é fundamental para a candidatura Eduardo Campos. Com 85% de Dilma, ele tem pouca margem para trabalhar. E, sem o Nordeste, pode ir tirando o cavalinho da chuva” – Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de S. Paulo, 21-03-2013.

Fator Odebrecht

“Esta visita de Lula a quatro países africanos é patrocinada pela Odebrecht e pela OAS. Em novembro, o ex-presidente foi a Moçambique a serviço da empreiteira Camargo Corrêa” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 20-03-2013.

Inafiançável

"No Brasil nós precisamos priorizar uma reforma política. Eu sou defensor do financiamento público de campanha como forma de moralizar a política. E mais ainda: não só se deveria aprovar o financiamento público como tornar crime inafiançável o financiamento privado” – Lula, ex-presidente da República – Folha de S. Paulo, 27-03-2013.

Constituinte

"Não acredito que o Congresso vote a reforma. Quem está lá quer continuar com o status quo. Se o Congresso não fizer uma reforma política, nós teríamos que ter uma Constituinte só para fazê-la" – Lula, ex-presidente da República – Folha de S. Paulo, 27-03-2013.

Vendedor

"Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho nenhuma vergonha de continuar fazendo isso. Se for preciso vender carne, linguiça, carvão, faço com maior prazer. Só não me peça para falar mal do Brasil" – Lula, ex-presidente da República – Valor, 27-03-2013.

Contem conosco

“Contem conosco, contem com este governo, contem com a presidenta Dilma para continuarmos trabalhando pelo País com seriedade, com dedicação missionária e com espírito evangélico” – Gilberto Carvalho, ministro, falando para 3 mil pastores da Assembleia de Deus Madureira – O Estado de S. Paulo, 23-03-2013.

Povo evangélico

“Quando sobra dinheiro, o povo evangélico não vai para a butique comprar roupa. Sabe o que o povo faz? Ele vai mais na igreja, dá mais oferta, mais dízimo, faz mais caridade. Então nós temos que aplaudir a presidenta Dilma” – Marcelo Crivella, ministro da Pesca, ao elogiar os programas sociais do governo Dilma, na reunião de 3 mil pastores da Assembleia de Deus Madureira – O Estado de S. Paulo, 23-03-2013.


Direitos Humanos


Calada

“Mais grave do que sofrer calada é a mulher ir à delegacia e ouvir do delegado: “Vou pedir a medida protetiva. Pode voltar para casa”. Ela volta para casa e a medida nunca é expedida. É esse processo que queremos mudar” – Eleonora Menicucci, ministra – O Estado de S. Paulo, 25-03-2013.

Vergonha

“As mulheres mais do que medo de denunciar seus agressores, têm vergonha. Vergonha de assumir que estão sendo violentadas. Seja violência doméstica ou estupro. E sabe qual a maior vergonha? Denunciar o homem que ela escolheu para ser pai de seus filhos. É quando ela expõe a privacidade em seu nível mais alto. E isso eu falo de cátedra” – Eleonora Menicucci, ministra – O Estado de S. Paulo, 25-03-2013.

Sem condições

“Como uma mulher vítima de violência poderá procurar ajuda na comissão, se Feliciano diz que os direitos das mulheres são um problema? Como um homossexual agredido vai procurar a comissão, se o presidente diz que os gays são uma maldição?” – Manoela D’Ávila, deputada federal - PC do B-RS – Zero Hora, 27-03-2013.

Grande oportunidade


“Defendo a permanência dele (Marco Feliciano) porque vejo uma grande oportunidade para a nossa frente. Existem alguns princípios que são fundamentos do cristianismo e que não há como abrir mão, mas não quer dizer que não se possa conviver de forma harmoniosa” - Ronaldo Nogueira, pastor da Assembleia de Deus e deputado federal - PTB-RS – Zero Hora, 27-03-2013.

Preso

"Aquele senhor de barba. Chama a segurança. [Ele] me chamou de racista. Racismo é crime. Eu quero que ele saia preso daqui" – Marco Feliciano, pastor, deputado federal – PSC-SP, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apontando na direção do antropólogo Marcelo Reges Pereira, 35, que acabou sendo arrastado da sala por integrantes da Polícia Legislativa – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

Negro, pobre e gay


"Estão me prendendo porque sou negro, pobre e gay" – Marcelo Reges Pereira, antropólogo, ao ser preso a pedido de Marco Feliciano – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

Renúncia?!

"Não renuncio de jeito nenhum. O que os líderes podem fazer com a minha vida? Eu fui eleito pelo voto popular e pelo voto do colegiado” – Marco Feliciano, pastor, deputado federal – PSC-SP, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

Escravidão

“A origem do trabalho doméstico no Brasil é a escravidão” – Creuza Maria Oliveira, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

8 milhões

“Não se trata somente da igualdade de direitos, mas de inclusão e reparação histórica, diante dos absurdos já vivenciados por essas cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas do país” – Creuza Maria Oliveira, presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – Folha de S. Paulo, 28-03-2013.

Bloco evangélico e ruralista

“O impasse em torno do pastor-deputado Marco Feliciano, com suas manifestações racistas e anti-homossexuais, é o primeiro embate relevante em que os evangélicos se põem como um novo bloco orgânico, ideologicamente bem definido e poderoso. Este novo evangelista e o bloco ruralista não precisam estar de acordo em tudo para comprovar o adiantamento da direita, como bancada no Congresso, sobre os que se dizem "a esquerda" – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 31-03-2013.

Promissora

“A perspectiva dessa situação delineia-se neste fato incontestável: nenhum segmento político está em mais condições de crescer, nas eleições do ano próximo para o Congresso, do que os evangélicos. A contribuição que podem levar só é promissora para eles e seu projeto de poder político” – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 31-03-2013.

O pastor é pop

“O PSC tem razões eleitorais para manter Marco Feliciano (SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara até o limite. O partido calcula que o pastor, sob fogo cerrado de militantes que o acusam de racismo e homofobia, triplicará em 2014 os 211 mil votos que teve em 2010. Com isso, ajudará a eleger uma bancada paulista da sigla, da qual é hoje o único deputado. Um dado corrobora o cálculo: o aumento de filiações desde que começaram os protestos para derrubá-lo” – Vera Magalhães, jornalista – Folha de S. Paulo, 31-03-2013.

Sociedade radicalmente igualitária

“A luta dos homossexuais por respeito e reconhecimento institucional pleno é, atualmente, o setor mais avançado da defesa por uma sociedade radicalmente igualitária e livre da colonização teológica de suas estruturas sociais. Por isso, ela tem a capacidade de recolocar em cena as clivagens que sempre foram o motor dos embates políticos” – Vladimir Safatle, professor de Filosofia – Folha de S. Paulo, 02-04-2013.

Poder indutor

“Ao exigir respeito e reconhecimento, os homossexuais fazem mais do que defender seus interesses. Eles confrontam a sociedade com seu núcleo duro de desigualdade e exclusão. Por isso, sua luta pode ter um forte poder indutor de transformações globais” – Vladimir Safatle, professor de Filosofia – Folha de S. Paulo, 02-04-2013.

Uma

“Ora, ora, saudemos o aparecimento de uma deputada, entre os 513 integrantes da Câmara, que teve a hombridade de entregar à Mesa Diretora um pedido de processo contra o deputado-pastor Marco Feliciano, por quebra de decoro. Trata-se da ex-ministra Iriny Lopes, que presidiu a Comissão de Direitos Humanos e, portanto, é uma das pessoas acusadas por Marco Feliciano de tornar a comissão "dominada por Satanás" – Jânio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 04-04-2013.

Pressão

“Por que tanta pressão para que Marco Feliciano não continue na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados?” – Silas Malafaia, psicólogo, é pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) e apresentador do programa Vitória em Cristo – Folha de S. Paulo, 05-04-2013.

Holofotes

“Toda essa mobilização tinha um motivo maior: desviar os holofotes do PT. Afinal, enquanto se discutia a posse de Feliciano na CDHM, dois deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), tornaram-se membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a mais importante comissão da Câmara” - Silas Malafaia, psicólogo, é pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) e apresentador do programa Vitória em Cristo – Folha de S. Paulo, 05-04-2013.

Evangelicofobia

“Pergunto: se a oposição pode acusar os que discordam deles de homofóbicos e racistas, por que o povo evangélico não pode chamar essa perseguição de evangelicofobia? Dentro desse Estado democrático de direito, onde a maioria é cristã, a democracia só vale para a minoria?” - Silas Malafaia, psicólogo, é pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) e apresentador do programa Vitória em Cristo – Folha de S. Paulo, 05-04-2013.

Ditadura gay

“O crime de opinião já foi extinto de nosso país com o fim da ditadura militar. Mas agora querem instaurar a ditadura gay, que, além de perseguir as ideologias políticas, também combate as crenças religiosas” - Silas Malafaia, psicólogo, é pastor presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) e apresentador do programa Vitória em Cristo – Folha de S. Paulo, 05-04-2013.