Civis armados participam da tomada de um povoado no sul do México

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Por: André | 27 Março 2013

Um grupo de autodefesa, cidadãos que pegaram em armas e agem como uma polícia paralela em algumas regiões do México especialmente violentas, sitiou um município do Estado de Guerrero e mantém presos o chefe da polícia local, oito de seus agentes e três escoltas de ajuntamento, aos quais acusam de proteger narcotraficantes da região.

A reportagem é de Juan Diego Quesada e publicada no jornal espanhol El País, 27-03-2013. A tradução é do Cepat.

À frente de 1.500 homens armados que irromperam de madrugada no povoado ia Bruno Plácido. “Eles estão bem posicionados. Entramos com cuernos de chivo [fuzis de assalto]”, disse por telefone. Apresentaram-se no povoado de Juan R. Escudero [Terra Colorada] um dia depois do assassinato de um de seus comandantes, Guadalupe Quiñones. Suspeitam que os militares estejam por trás desse crime.

Isto os levou a tomar um povoado inteiro em plena noite. Os membros do Sistema de Justiça dos Povos da Costa Chica, integrados por pessoas dos povoados indígenas dos arredores, tomaram o ajuntamento e puseram outro grupo de pessoas para patrulhar em busca de criminosos no município. Na entrada do local e na rodovia federal Chilpanchingo-Acapulco colocaram barreiras.

A situação está tão ruim que para ali se deslocou a procuradoria – fiscal – de Guerrero. A prefeita, ao meio-dia, começou a negociar com a autodefesa e concordou em destituir o chefe de polícia e abrir uma investigação em troca de que libertem todos os reféns. “É uma forma de despressurizar a situação”, conta Juan Angulo, diretor do El Sur, jornal de Acapulco.

As autodefesas são formadas por grupos de cidadãos armados que fazem justiça com as próprias mãos. Cansados com a violência e a corrupção policial, decidem agir por sua conta. Alguns destes grupos são suspeitos de ter um nexo com o narcotráfico, mas outros têm mais a ver com a tradição de guerrilhas de esquerda latino-americanas.

Algumas destas autodefesas, que chegam a julgar e condenar os presos em processos judiciais mais que duvidosos, provêm das polícias comunitárias mexicanas, algo que existe há décadas e ao qual os povos têm direito por lei. Uma pesquisa revelou que seis de cada 10 cidadãos veem com bons olhos sua existência. Outros, ao contrário, acreditam que é o fiel reflexo da incapacidade do Estado de proteger os seus cidadãos.

O grupo de civis armados comandado por Plácido em Guerrero surgiu em janeiro e foi o primeiro que se criou, no momento em que aumentaram vertiginosamente os assassinatos e as extorsões no Estado sulista de Guerrero, sobretudo na zona agrícola. A explosão de violência foi atribuída à rivalidade entre cartéis. Armados com velhos rifles e ocultando o rosto atrás das máscaras, os camponeses bloquearam então rodovias e prenderam 50 pessoas, que depois libertaram.

Agora, com o rosto descoberto para parecer mais amigáveis, trabalham para criar um sistema de segurança eficaz que proteja as pessoas do campo. “É hora de que voltem para o campo para trabalhar. Os pecuaristas, cuidar do seu gado”, disse Plácido há uma semana. Assim como eles, desde o começo do ano, apareceram outros 14 grupos de justiceiros, que se saiba, com presença em seis municípios: Jalisco, Morelos, Oaxaca, Veracruz, Chiapas e Michoacán. O rosto da luta contra o narcotráfico do governo de Enrique Peña Nieto, Manuel Mondragon, disse tê-los perfeitamente localizados e conhece o armamento que utilizam. “Estão totalmente fora do marco legal”.

O padre Mario Ocampo, que alimenta a alma dos que tomaram este município, acredita que o trabalho que estes cidadãos fazem é admirável. “A insegurança que se vive aqui é muito grande. Violações, assassinatos, roubos... agora, graças a eles, estão sendo evitadas muitas mortes”.

Outro pároco, Jesús Mendoza, dialoga como representante da arquidiocese de Acapulco com estas organizações indígenas que antes tinham em sua agenda o preço abusivo da luz e das explorações minerais, mas que agora, conformes aos tempos, se preocupam, sobretudo, com sua pele. “Os representantes de seus povos foram sequestrados. Nos interessamos pelo que está acontecendo com os povos. Dialogamos com eles para que isto se resolva pela via da paz”, sustenta Mendoza. Mas a realidade é outra: as balas estão sendo combatidas com mais balas.

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