20 Março 2013
A reação diante de uma cartilha feita pelo Ministério da Saúde com instruções para uso de um medicamento em casos de aborto legal dá a dimensão do controle que grupos religiosos exercem sobre as ações do governo. Lançado no fim de 2012, o manual, dirigido a médicos, orienta sobre o uso do misoprostol (comercializado como citotec) - indicado para o tratamento de úlcera, tem a venda controlada porque também é utilizado para provocar aborto.
A reportagem é de Lígia Formenti e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 21-03-2013.
Logo após o lançamento, no entanto, grupos contrários ao aborto lançaram suspeitas sobre o material. Argumentaram que a linguagem usada não era técnica e questionaram o fato de terem sido impressos mais de 200 mil exemplares - número dez vezes maior do que a quantidade de especialistas no País.
Para eles, a cartilha poderia ser usada como material para um programa de aconselhamento de mulheres que decidiram abortar. Uma ação que o governo havia apoiado, mas que, diante da polêmica provocada, decidiu arquivar. De acordo com o Ministério da Saúde, caiu o número de mortes provocadas pelo aborto - hoje, a quinta causa de morte materna.