Chávez tem funeral em clima de campanha para Maduro

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Por: Cesar Sanson | 07 Março 2013

Em meio às cenas de luto e dor pela morte do presidente Hugo Chávez, os seguidores do mandatário venezuelano morto na terça-feira aproveitaram seu funeral para oferecer apoio irrestrito à virtual candidatura do novo presidente interino, Nicolás Maduro.

A reportagem é de Carlos Chirinos e publicada pela BBC Mundo, 08-03-2013.

A procissão fúnebre que acompanhou os restos de Chávez do Hospital Militar de Caracas até a Academia Militar, na quarta-feira, pareceu em muitos momentos viver a condição dupla de manifestação de luto e comício virtual.

Nomeado por Chávez à Vice-Presidência logo após sua reeleição, em novembro, Maduro foi no mês seguinte indicado como herdeiro político pelo presidente antes de partir a Cuba para uma nova cirurgia contra o câncer.

Já em ritmo de campanha, Maduro encabeçou a procissão do funeral vestido com a característica jaqueta com as cores da bandeira venezuelana. Enquanto dezenas de milhares de pessoas atravessavam com ele boa parte de Caracas, o Diário Oficial venezuelano trazia a publicação da confirmação de seu nome como presidente interino.

O mesmo Diário Oficial trazia também o primeiro decreto firmado por Maduro no exercício da Presidência, declarando sete dias de luto oficial pela morte de Chávez. Para porta-vozes da oposição, a nomeação é ilegal, já que entendem que a Constituição estabelece que o substituto do presidente, em caso de ausência definitiva, seria o presidente da Assembleia Nacional, o também chavista Diosdado Cabello.

Novas eleições devem ser convocadas em 30 dias. Espera-se que Maduro enfrente nas urnas o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, derrotado por Chávez na eleição de novembro.

Apoio a Maduro

No funeral de Chávez, tanto entre o público presente quanto entre as autoridades que acompanhavam Maduro, eram frequentes as menções à provável candidatura do presidente interino.

Vários dos oradores que se revezavam nas plataformas colocadas ao longo do caminho da procissão se dividiam entre as loas ao líder morto e as duras críticas à oposição "golpista". "Agora temos que apoiar Maduro, porque ele foi quem nos deixou o Comandante para seguir com sua obra revolucionária", afirmava o motociclista Alexis, enquanto mostrava orgulhoso uma foto de Chávez com as filhas, a última imagem divulgada do presidente.

Ainda assim, mesmo entre os chavistas mais ardorosos, alguns expressavam dúvidas de que alguém possa preencher o vazio deixado pelo líder bolivariano.

"Não há outro como Chávez. Eu confio em que se ele disse para elegermos Maduro é porque sabia que era o melhor. Mas sem Chávez não sei o que pode acontecer aqui", explicava Beatriz, uma senhora que dizia que de agora em diante adotará o sobrenome "Chávez". "A verdade é que sinto que fiquei sozinha", disse.

Cadeia de TV

Para complementar o ar eleitoral do funeral, durante a transmissão ao vivo em cadeia obrigatória de rádio e TV tanto repórteres quanto pessoas entrevistadas não paravam de falar bem do presidente morto e mal da oposição venezuelana.

Uma das declarações de maior impacto foi a do almirante Diego Molero, ministro da Defesa, que no meio da procissão advertiu aos que descreveu como grupos desestabilizadores de que as Forças Armadas estão fechadas com Maduro. "Não se equivoquem. O fato de haver dor não quer dizer que não haja força. Aqui há um braço forte, armado, que são as Forças Armadas respaldando o povo", disse Molero.

Como chefe das Forças Armadas, Molero estará encarregado do Plano República, o sistema de controle e vigilância do processo eleitoral e dos materiais de votação. Por conta disso, suas palavras geraram comentários imediatos de rechaço entre políticos opositores.

Ainda assim, mesmo durante a cerimônia ecumênica após a chegada do caixão ao edifício da Academia Militar, um dos sacerdotes advertiu que se não houver "respeito" à dor do povo chavista durante da perda, o país poderia se ver submetido a "um tsunami de grandes proporções", em referência a uma possível explosão de raiva popular.

Entre todas essas expressões de dor e advertências à oposição, a transmissão em cadeia nacional durou cerca de 9 horas, uma das transmissões obrigatórias mais longas da história da TV venezuelana. Em meio à comoção nacional pela morte de Chávez, os principais líderes opositores têm mantido uma postura discreta, evitando declarações que acirrem os ânimos.

Em pronunciamento na noite de terça-feira, Henrique Capriles, ainda não lançado oficialmente candidato à Presidência, afirmou que Chávez foi um "adversário", mas nunca um "inimigo".

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