“Um antes e um depois de Bento XVI", constata historiador

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Por: André | 15 Fevereiro 2013

“Para mim, há verdadeiramente um antes e um depois de Bento XVI: doravante, o papa poderá renunciar ao seu cargo caso se sentir oprimido pelo ritmo da modernidade. Ele será confrontado com o prazo da sua fraqueza. É uma verdadeira modernidade”. A reflexão é de Philippe Levillain analisando a renúncia de Bento XVI.

Philippe Levillain é historiador especialista do catolicismo e do papado, membro da Academia das Ciências Morais e Políticas e professor emérito da Universidade Paris Ouest Nanterre-La Défense.

A entrevista é de Anne-Judith Dana e está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 13-02-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Bento XVI declarou não ter mais as forças necessárias para exercer suas funções de chefe da Igreja. No que elas estão esgotadas?

O papa é ao mesmo tempo chefe espiritual, uma vez que é o guardião do depósito e da interpretação da fé, e chefe de Estado: ele recebe em audiência, preside sessões, escreveu livros, e viaja, desde que Paulo VI visitou a Terra Santa, em 1964. Embora eleito pelo voto indireto, tem a vida de um Presidente à frente de um Estado sem fronteiras povoado por um bilhão de católicos.

A renúncia sempre fez parte do horizonte de governo de Bento XVI: na minha opinião, desde os primeiros dias de seu pontificado ele pensava nisso como uma possibilidade que lhe permitiria retomar sua qualidade de homem comum, caso se sentisse muito cansado. Ele aceitou a responsabilidade, porque ele sentiu nisso o caminho da Providência: ele foi eleito por uma boa margem de votos. É um dever ao qual não se furta.

Mas eu penso que ele não julgou ser útil oferecer ao mundo um novo espetáculo de papa agonizante, como João Paulo II, que, durante cinco anos, realmente não governou a Igreja porque estava doente.

Qual deverá ser o perfil do próximo papa?

Ele terá menos de 75 anos. Será teólogo, poliglota, como Bento XVI, e deverá adaptar a linguagem da Igreja à linguagem do mundo, como o Vaticano II o pretendeu e que foi difícil realizar.

Que impacto a renúncia terá sobre a visão que teremos sobre a Igreja?

Teremos a imagem de uma Igreja moderna onde o papa tem o status de um Presidente de Estado: há um mandato que pode se autolimitar, e que não é limitado por uma regra. Para mim, há verdadeiramente um antes e um depois de Bento XVI: doravante, o papa poderá renunciar ao seu cargo caso se sentir oprimido pelo ritmo da modernidade. Ele será confrontado com o prazo da sua fraqueza. É uma verdadeira modernidade.

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