''Há diferenças entre os valores inegociáveis''

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Para Bolsonaro, a crise climática é uma fantasia, “um complô marxista”. Entrevista com Eliane Brum

    LER MAIS
  • “Como vocês explicarão aos seus filhos que desistiram?”. Discurso de Greta Thunberg em Davos

    LER MAIS
  • Em São Carlos, SP, direita adota tática nazista contra manifestantes, em visita da Ministra Damares Alves

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

23 Janeiro 2013

É preciso distinguir, mas não separar entre si os valores inegociáveis. Negociar, encontrar compromissos razoáveis, saber indicar aquele "ponto de equilíbrio instável" que permita que todos os componentes culturais e políticos favoreçam ideias e percursos que promovam uma antropologia comum superior ao nível mínimo da liberdade de consciência individual.

A opinião é do sociólogo italiano Paolo Sorbi, em artigo publicado no jornal L'Unità, 21-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A proposta de Pierluigi Battista de pensar "pragmaticamente" em torno da complexa temáticas dos valores inegociáveis (Corriere della Sera da sexta-feira, 18 de janeiro) parece-me útil. Como sair do aperto das chamadas "guerras culturais"? Acima de tudo, Batista sabe que nós, habitantes das tardo-democracias ocidentais, estamos embebidos de pluralismos culturais em todos os estilos de vida e nos próprios procedimentos em todos os níveis institucionais. Vivemos quase como naturais os graves conflitos éticos que brotam justamente das complexas mutações da morfologia democrática e que conotam como irreversíveis certas "diferenças" nas opções de vida. Escrevemos juntos, com Pietro Barcellona, Mario Tronti e Giuseppe Vacca, que, no alvorecer deste novo século, crise antropológica e crise democrática estão ligadas indissoluvelmente (Emergenza antropologica, Ed. Guerini, 2012).

Ao mesmo tempo, na Itália, mas eu diria também em muitos outros países europeus – cito, por exemplo, somente a mais recente manifestação de massa, com cerca de 800 mil pessoas em Paris, no domingo, 13 de janeiro, em defesa do matrimônio heterossexual – estamos chegando a uma fratura sociocultural muito grave e precursora de perigos para as próprias dinâmicas de regulação do bem comum na democracia. É necessário encontrar métodos e conteúdos para, gradualmente, elaborar um "humanismo compartilhado" entre crentes e não crentes.

Na história da esquerda europeia do século XX, essa "divisão vertical" – e não as outras fraturas econômicas e sociais que eu defino como "horizontais" – foi a fonte de gravíssimas incompreensões e lutas furiosas sem saída que trouxeram escombros espirituais para dentro da história comum social e política europeia. Pierluigi Battista conhece bem esses passados nefastos e propõe que não caiamos neles novamente.

Agora, porém, há logo um elemento que prevalece. Os valores são todos "inegociáveis". Não podemos imaginar um mercado dos valores quando é preciso decidir sobre o embrião ou sobre as uniões civis, até porque surgem, desde o início, questões conectadas "em cadeia", como aquelas delicadíssimas das adoções por procriação artificial, e assim por diante.

É correto, no entanto, imaginar um método que possa "desagregar" o conjunto de tutelas das questões eticamente sensíveis segundo prioridades compartilhadas de necessidade e urgência. Isto é, distinguir, mas não separar entre si os valores inegociáveis, assim como nestes anos o comitê nacional de bioética fez oportunamente.

Certamente, os percursos serão "íngremes", às vezes será preciso aplicar a virtude (outros diriam "o método") da renúncia, também sobre questões urgentes.

Negociar, encontrar compromissos razoáveis, porém, é isto: saber indicar aquele "ponto de equilíbrio instável" que permita que todos os componentes culturais e políticos "desagreguem", favorecendo ideias e percursos que promovam uma antropologia comum superior ao nível mínimo da liberdade de consciência individual.

É um mínimo compartilhado, já há muitas décadas, entre todas as forças democráticas enraizadas na Europa, mas que, nas últimas décadas, sob o impulso das potências da ciência e da técnica, demonstra ser insuficiente. Especialmente nos programas políticos dos partidos, mais evidentes nas campanhas eleitorais, não só no nosso país. Estamos em uma encruzilhada, assim como em outras questões econômicas e sociais: as tardo-democracias europeias não podem ser permanentemente sacudidas por confrontos socioculturais generalizados que nos fragmentam ainda mais ideologicamente.

O equilíbrio democrático mostra rachaduras, produzidas por irracionalismos, também de marca laicista, cada vez mais precursor de impulsos antipolíticos e autoritários. É preciso discernimento por parte de todos os sujeitos responsáveis pela tradução dos respectivos valores de referência em regras jurídicas que evitem os riscos do bipolarismo ético.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

''Há diferenças entre os valores inegociáveis'' - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV