''A Igreja não pode subestimar as outras uniões'', afirma Bruno Forte

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Mais de 50 mil assinaturas exigem proteção para o Padre Júlio Lancellotti

    LER MAIS
  • Massacragem dos Chiquitanos vai à ONU. Artigo de Aloir Pacini

    LER MAIS
  • Um confinamento frutífero: em que o papa Francisco trabalhou durante a pandemia?

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


20 Dezembro 2012

"Mais do que ficar se alarmando, acredito que para Igreja existe uma chance a ser aproveitada, anunciar a possibilidade de um valor estável, definitivo e eterno. O verdadeiro desafio não é mais ou menos casamentos religiosos, mas, no fundo, mais ou menos evangelização: a nova evangelização desejada por Bento XVI, a necessidade de um anúncio de um modo novo, não moralista, mas 'querigmático', evangélico, no sentido de alegre...". O arcebispo Bruno Forte não acusa nem rasga as vestes, mas, como grande teólogo, vai até os fundamentos: "Secularização? Na realidade, já estamos em uma era pós-secular...".

A entrevista é de Gian Guido Vecchi e publicada no jornal Corriere della Sera, 19-12-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Em que sentido, excelência?


Partamos da queda dos casamentos em si. Ela demonstra, acima de tudo, como o efeito da grande crise está começando a ser percebido também nas escolhas de vida e induz a passos mais provisórios, com menos confiança na estabilidade....

No entanto, permanece a tendência: no Norte, os casamentos civis superam os religiosos, não?

É preciso dizer que a escolha de se casar na Igreja, no passado, também nascia do condicionamento de um contexto social que hoje está desaparecendo. Celebrar o casamento religioso para agradar a sua família ou aos outros é cada vez menos relevante do que a escolha pessoal de fé e esperança dos esposos. Sem contar que as núpcias na Igreja parecem ser algo mais absoluto do que o contrato civil, que, além disso, não deve ser subestimado ou obscurecido.

Não são duas escolhas contrapostas?

É claro que a proposta aos crentes é confiarem em Deus e se confiarem a Ele como casal. Mas aqueles que se casam com o rito civil são pessoas que escolheram um pacto estável. Além disso, as duas coisas não se excluem: muitas vezes, ao casamento civil, segue-se o religioso, depois de um período vivido como uma "verificação" antes do passo posterior. Eu não compartilho isso, mas o constato: nos cursos pré-matrimoniais, vi muitos casais já casados no cartório.

Mas por que o senhor falava de era pós-secular?

A secularização é a erradicação de uma pertença comum. Parecia tornar o ser humano mais livre e, na realidade, o deixou mais sozinho. O grande problema, agora, é a solidão. Uma sociedade esfacelada, uma multidão de solidões nas quais o outro se torna o estrangeiro moral, a desconfiança com relação ao próximo e o futuro. Não é por acaso que se vê isso mais no Norte, onde a secularização surgiu antes.

E os "ataques" à família, que a Igreja lamenta?

Certamente existem, mas acredito que o verdadeiro ataque é essa realidade mais sutil, penetrante, que a corrói nos seus fundamentos: a confiança para com o outro e para com o futuro que, no fim, é confiança em Deus.

O que significa "um modo novo" de evangelizar?

Quando eu digo Igreja, penso acima de tudo nos casais de esposos e namorados que acreditam e podem testemunhar que é bonito, que vale a pena: o evangelho no sentido da "boa notícia" de que o amor eterno é verdadeiro, o "sim" definitivo é possível. Entre as relações esfaceladas a serem recompostas está a das gerações. Veja, eu me comovo diante dos casais de esposos mais idosos que se olham com ternura de amor e penso no testemunho que podem dar aos jovens. Não se trata de fazer apelos moralistas. Vale o que dizia Paulo VI: o ser humano contemporâneo escuta mais as testemunhas do que os mestres, e se escuta os mestres é porque são testemunhas.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

''A Igreja não pode subestimar as outras uniões'', afirma Bruno Forte - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV