Teologia Moral: É necessária uma nova experiência ética

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11 Outubro 2012

“É preciso saber que ética sem práxis é ética morta e que posturas éticas têm enorme autoridade pedagógica. Assim, é dever do cristão ter Ética e ser sujeito ético”, assinala Márcio Fabri.

Tendo em vista as tensões de se discutir tópicos importantes e difíceis para a Igreja, o Prof. Dr. Márcio Fabri dos Anjos (foto à direita), Accademia Alfonsiana, Pontificia Università Lateranense – Roma/ Instituto São Paulo de Estudos Superiores – ISPES, São Paulo – SP, iniciou sua palestra com o intuito de propor lugares básicos para pensar a ética teológica dentro dessa conjuntura. O tema escolhido “Teologia e ética” foi apresentado com o subtítulo “Entre fé, poder e razão” pelo professor, na tarde de ontem (10/10), no Auditório Central da Unisinos.

Conforme João Paulo II, “os tempos são complexos e há que reinventar a caridade”, mas Fabri questiona: “Como nós, cristãos, podemos cumprir essa missão?”. Para encontrar a resposta e propor alternativas, ele citou três caminhos: Fé e Poder na Teologia Moral, Vaticano II e Razão e Pautas para Ética teológica hoje.

Experiência Fundante, Discipulado, Comunidade

“Os próprios filósofos traduzem que “a fé e a crença precedem a razão” e nesse princípio está a confiança”, comenta o professor. Segundo ele, a experiência fundante de Jesus constitui o mistério pascal e esse mistério tem uma relação estreita com o poder político e religioso. Essa dimensão já começa a aparecer dentro das primeiras comunidades.

“Aderir-se à uma experiência fundante acontece com todas as comunidades religiosas”, mas o Discipulado nos dá uma missão para que essa Comunidade não fique fechada a si mesma, propondo como Envio e Missão: levar o Evangelho. Nos caminhos há a disputa pelo poder, podendo comparar o Kratos (força ou imposição moral) à Exousia (poder comunicativo); o poder de Jesus é comunicativo e não um poder dominador.

As primeiras comunidades cristãs apostólicas já tiveram tanta briga de poder que o Evangelho de João fez uma crítica direta a isso. Ele não narra a benção do cálice do vinho, ele narra o lava-pés. Para reproduzir a cena, Fabri escolheu a obra “The Washing of Feet” (O lava-pés), de Sieger Köder (foto abaixo).




Poder e Subjetivação da culpa


A condenação que está implícita na culpa não é da mensagem de Jesus. “Temos a criação de um mega sistema de culpabilização. Essa culpabilização é tão forte que cria às tarifas penitenciais. Somos culpados, temos que pagar. Essa subjetivação da culpa está tão presente hoje, que as nossas culturas dizem que para tudo há culpados, e que os culpados têm que pagar”, menciona Fabri, e continua: “Só Jesus pode expiar culpa humana pela ofensa a Deus”.

De acordo com o professor, “percebemos a intensificação do poder sagrado como aquele que coordena dentro da Igreja e dentro da sociedade. É possível perceber as mediações do Poder Sagrado nas sociedades teocráticas e no interior da Igreja”.

Encontro da fé com a razão moderna

O diálogo da fé-razão é de longa tradição, pode-se dizer que, inclusive, é uma filosofia medieval. “Há uma concentração muito grande do poder e um ponto básico de saída é que tudo ocorre da essência de Deus, dela surge tudo que é criado”, enfatiza.

Para Fabri, o primeiro passo da razão moderna vem com o nominalismo. As coisas não derivam das ontologias, porque não derivam das forças de Deus. A ética vai derivar da Vontade de Deus. Com isso, teremos uma negação dos Universais, pois serão colocados como tudo que é comum na natureza.

“A explicação dos fenômenos e particularidades é dada pela Ciência Moderna. Já às explicações pela fé têm algumas alternativas, como o encontro com a razão instrumental, o fortalecimento dos sujeitos e sua autonomia e há, ainda, outros dados como a transmutação”, aponta.

Utilizando uma citação de Paolo Prodi, “As novas Institutiones Theologiae Moralis, fruto da Igreja tridentina, eram a resposta à modernidade: uma síntese entre a reflexão teológica e a vida concreta da sociedade e história. Esta síntese constitui a base, tanto do ensino universal como da práxis na vida cotidiana”.

Durante sua apresentação, ele explicou que “o Vaticano recusou-se a pensar a ética através das ontologias. Após isso, o mercado propôs, então, os pobres, mas no fim o que recebeu aprovação foi a cultura moderna”. Mas para que a Teologia Moral ocorra, é necessário que “todas as disciplinas teológicas sejam renovadas por meio de uma aproximação mais viva com o Mistério de Cristo e com a História da Salvação”. Fabri aponta: “Somos um grupo dentro da grande sociedade. A Igreja pode aprender dentro da grande sociedade”.

“Nós estamos abertos a tudo?”, questiona. “Não estamos abertos a tudo, temos restrições. No fundo, a aproximação que temos com as pessoas é selecionada, mas não pode ser absoluta”. Entre uma das alternativas citadas por Fabri para esse quadro está “recuperar a força da compaixão pelo pobre”. Para que isso ocorra, é importante lembrar que “a Igreja, embora fechada em si mesma, continua em processo de mudanças no mundo”. Fabri cita como tarefa em realce da ética teológica, o sofrimento que nos faz refletir. “Deixar falar a dor é condição de toda verdade”, como já dizia Theodor Adorno.

Como desafio da educação para a ética, o palestrante propõe “que possamos contribuir para que a Comunidade tenha uma nova experiência ética”. A grande tarefa é levar esperança e confiança aos pobres, e isso responde a primeira inquietação, o segmento que nos leva às práticas esperançosas. “A esperança é essencial para que todos possam viver”, ressalta Márcio Fabri dos Anjos, encerrando o seu painel.

Por Luana Taís Nyland / Foto: Mariana Staudt

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