'Indignados' cercam Congresso e prometem permanecer nas ruas

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Por: Cesar Sanson | 26 Setembro 2012

Marcha para “ocupar o Congresso” na Espanha reforçou desejo de nova constituinte, reivindicação que ficou em segundo plano nas manchetes dos jornais após confronto da polícia com manifestantes – dezenas foram detidos e feridos. Indignados voltam às ruas nesta quarta-feira para exigir uma democracia mais participativa.

A reportagem é de Naira Hofmeister e Guilherme Kolling e publicado pela Agência Carta Maior, 26-09-2012.

Tudo o que a classe política espanhola queria era que, após o protesto do 25-S (em referência à data de 25 de setembro), ou “Ocupa o Congresso”, o noticiário do país ficasse centrado em um confronto entre a polícia e os manifestantes. Só assim poderiam desviar a atenção da exigência dos cidadãos que foram à rua: uma constituinte para modificar as bases da democracia na Espanha.

“Nossa Carta Magna foi escrita logo que acabou uma longa ditadura e naquele momento, no final dos anos 70, parecia avançada. Mas hoje se vê que era uma forma de manter o poder nas mãos dos mesmos grupos para sempre”, reclamava um jovem de não mais de 30 anos que, como todos os demais entrevistados nesta marcha, não quis identificar-se.

O debate de fundo acabou aplastado nos grandes jornais que optaram por destacar os distúrbios que terminaram com dezenas feridos, outros tantos detidos e muitos insatisfeitos que não arredaram o pé da frente do Parlamento mesmo após a carga policial. E que voltarão a reunir-se no mesmo lugar nesta quarta-feira, com a mesma proposta. “Queremos que isso seja um movimento revolucionário”, garantem.

Na verdade já é assim, tendo em vista que o 25-S é a continuação do que no Brasil ficou conhecido como o movimento dos Indignados e que na Espanha é lembrado pela data em que milhares acamparam na Puerta del Sol em Madri, o 15-M, 15 de maio de 2011. Nessa ocasião eles já pediam “democracia real já”.

Defendem a desobediência civil – pacífica e pública – como um requisito básico a essa evolução do sistema de participação popular. Por isso a grande maioria não provocou a polícia durante o ato: limitou-se a erguer seus cartazes e cantar gritos de guerra pedindo mudanças, mas poucos desafiaram as barreiras impostas pela tropa de choque. Foram destacados 2.500 homens para vigiar o Parlamento espanhol, que num raio de dois quarteirões era protegido por grades móveis.

Furgões e pequenos batalhões atravessavam propositalmente no meio da multidão para ir de um lugar a outro mesmo quando podiam chegar aonde queriam por outro caminho. Nas ruas paralelas, obstruíam a passagem com viaturas enquanto oficiais exibiam armas de forma acintosa, justo no momento em que manifestantes se davam as mãos em uma tentativa de abraçar o Congresso. “Isso é uma provocação!”, respondeu o público.

O governo municipal de Madri havia autorizado protestos e marchas até às 21h30, entretanto, meia hora antes do prazo oficial findar, o batalhão investiu contra os manifestantes com cassetetes e armas de efeito moral e conseguiu dispersar a massa. Uma minoria permaneceu até a madrugada.

Organizadores previam desvio do debate

O cuidado com a organização do protesto desta terça-feira demonstra que, embora uma das insígnias do movimento seja a de que não é preciso ter medo (“pois somos os 99% da população”), a repressão policial intimida. Há mais de duas semanas todas as reuniões do 25-S foram interrompidas por guardas que pediam a identificação dos manifestantes. Em uma marcha sindical recente um grupo foi detido por portar cartazes convocando o “Ocupa o Congresso”.

A estratégia política de reduzir o movimento a um bando de baderneiros é tão intensa que o “Ocupa o Congresso” teve que ser renomeado de “Cerca o Congresso”, já que os porta-vozes do Parlamento e políticos tradicionais começaram a comparar o protesto com a tentativa de golpe de Estado ocorrido em 1981, quando militares invadiram o plenário, armados, e mandaram os deputados deitarem no chão.

Os Indignados que organizaram o ato desta terça-feira já sabiam disso, tanto que nas assembleias preparatórias, o tema era recorrente. “Vão nos chamar de golpistas, grupos radicais anti-sistema. Temos que pensar uma forma de evitar até o limite o confronto com a polícia, para não desviar o foco do nosso ato e não nos massacrarem na guerra midiática”.

A longa discussão sobre a necessidade de deixar claro que o grupo era de não violência e que preparava um ato pacífico de desobediência civil chegou a irritar alguns integrantes dos grupos de trabalho do 25-S, esgotados com as horas de debates sobre como resistir a provocações da polícia, como segurar ativistas mais exaltados, como evitar a dispersão da massa após investidas policiais...

E de fato na tarde desta terça-feira, uma das orientações mais repetidas pela organização do 25-S – que ganhou inclusive ilustrações no blog da coordenação do Ocupa o Congresso - foi como (não) reagir em caso de cerco violento policial.

Também foi repetido à exaustão os números de telefone do advogados voluntários do grupo, e seus nomes. “Em caso de que te detenham, podes nomear a eles. Recorda que nesta situação tomarão teus pertences e te perguntarão o nome completo do advogado, razão pela que, antes de rodear ao Congresso, terás que memorizar nome e sobrenome ou escrevê-los no seu braço”, recomendava a página web do Ocupa o Congresso.

Indignados de Barcelona, que haviam feito um ato semelhante no Parlamento da Catalunha no ano passado chegaram a ir a Madri durante os preparativos para fazer uma palestra sobre estratégias para evitar que toda mensagem se resumisse a eventuais choques com a polícia. Os catalães relataram a força da mobilização de um dia em Barcelona em contraste com o massacre midiático que sofreram após o ato.

De fato, a preocupação mostrou que tinha razão de ser, consideradas a civilidade da assembleia e da marcha prévia à concentração em torno do Congresso, em Madri, e as provocações e truculência policial nas ruas do entorno.

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