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27 Agosto 2012

O debate sobre a fórmula da consagração do vinho nas línguas modernas dura 40 anos. A questão foi reproposta pelo papa em abril passado, solicitando a passagem do "sangue derramado por todos" ao "sangue derramado por muitos", para que se tenha uma tradução menos "interpretativa" e mais literal do latim pro vobis et pro multis.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 26-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quem quer manter "por todos" expressa o temor de que os fiéis não entendam corretamente o novo texto e o interpretem no sentido de uma "restrição" do número dos salvos. Também se defende que o polloi grego – que está na origem do multis latino – não se opõe a "todos", como o "muitos" da nossa língua e que, portanto, é preciso traduzi-lo com uma uma palavra que permaneça "aberta" à totalidade.

Os que adequaram por primeiro à indicação do papa foram os bispos húngaros, seguidos por alguns episcopados da América Latina e anglófonos. Estão a caminho – no sentido de que se disseram favoráveis ao "muitos", mas ainda não publicaram o novo Missal – alemães, espanhóis e portugueses. Os italianos continuam em uma posição de apego ao "todos": eles votaram majoritariamente pela sua manutenção em 2010.

Recentemente, dois estudiosos propuseram uma tradução que ecoe a francesa, que, em italiano, soaria como "por uma multidão", ou "por imensas multidões": são Francesco Pieri, professor de liturgia em Bolonha, e Silvio Barbaglia, professor de exegese bíblica em Novara. Um recente texto de Bruno Forte, bispo e teólogo, convida a acolher a indicação papal, reequilibrando as posições.

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