Por necessidade e opção, executivas flexibilizam licença-maternidade

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Pornô e sedução em contexto de vida religiosa

    LER MAIS
  • Padres da Caminhada & Padres contra o Fascismo emitem nota de solidariedade à Via Campesina, MST, Dom Orlando Brandes, CNBB e Papa Francisco

    LER MAIS
  • “Devemos conceber o catolicismo de outra maneira”. Entrevista com Anne-Marie Pelletier

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


01 Agosto 2012

Com gêmeos recém-nascidos e as mamadas programadas para cada três horas, o cálculo era exato: Cláudia Zapparolli tinha 40 minutos de pausa entre uma amamentação e outra. E era esse tempinho que a executiva da Samsung aproveitava para ler os e-mails corporativos e receber telefonemas profissionais.

A reportagem é de Ocimara Balmant e foi publicada no jornal O Estado de S.Paulo, 29-07-2012.

"Montei uma estrutura antes do parto e, nos meses fora do escritório, fiquei disponível para a empresa, mas até certo ponto", diz ela. Uma maratona que começou no segundo mês de vida dos meninos - hoje eles têm 1 ano e 2 meses - e durou até o fim da licença-maternidade, emendada com um mês de férias.

A história de Cláudia é um exemplo da realidade de muitas executivas ante à maternidade. Ocupantes de cargos estratégicos, essas mulheres acabam não se ausentando do trabalho, mesmo que não estejam fisicamente no escritório. Um cenário mais possível com as tecnologias, as conferências telefônicas e as reuniões por Skype.

A legislação brasileira estabelece o afastamento mínimo e remunerado de 16 semanas (mais informações nesta página). Tempo considerado pequeno por muitas mães, mas exagerado por boa parte das empresas.

"Pode não parecer, mas a legislação brasileira é muito rígida. E isso, ao mesmo tempo em que protege a mulher, pode também atrapalhar. Especialmente quando se trata de cargos de alto escalão", afirma o consultor Jeffrey Abrahams, que trabalha no recrutamento de executivos.

É por essa razão, explica ele, que, apesar de o tabu de contratar mulheres ter sido vencido, grande parte das empresas ainda resiste à ideia de recrutar uma gestante. Uma estatística que poupou, na semana passada, uma das executivas mais bem pagas do mundo. Grávida de seis meses, a americana Marissa Mayer, de 37 anos, deixou o Google, onde atuava havia 13 anos, para assumir o cargo de presidente executiva do Yahoo! por um contrato de US$ 1 milhão por ano.

O inusitado da situação virou notícia em todo o mundo, principalmente pelo compromisso de Marissa em retornar ao trabalho apenas duas semanas após o parto. Missão que até Cláudia questiona. "Deixa nascer. Se ela for amamentar, por exemplo, é impossível ficar fora com 15 dias de vida do filho. Vai mandar o leite por e-mail?", brinca. "Não há milagre, mas também não deve haver extremismo. A gente entende a organização, mas a empresa precisa ser compreensiva."

Flexibilidade. É esse ceder recíproco que defende Renata Fabrini, sócia da Fesa, empresa de recrutamento de altos executivos. "Eu percebo as lideranças mais flexíveis e abertas mas, é óbvio, esperando uma contrapartida da mulher. Não dá para ter ingenuidade nesse sentido", avalia.

Ela conta que recentemente indicou uma grávida a um cliente e o processo só não progrediu porque a candidata desistiu da vaga. "Se houver comprometimento mútuo, não vejo por que isso não acontecer", defende. E alfineta um pouco mais: "Quinze dias após o parto, se há uma infraestrutura adequada, a mulher vai ao shopping e ao cinema com o marido. Por que não poderia ir à uma reunião? Acho que é preconceito, até."

Dilce Madureira concorda. Mãe de uma garota de 8 anos e de gêmeos de 4, ela não parou na licença-maternidade. "Não tenho paciência de ficar alheia ao mercado por tanto tempo", diz a gerente de vendas da Promega, uma empresa americana de biologia molecular.

Ela não foi ao escritório, mas, a partir do segundo mês, participou de tudo. "Eu ligava, envolvia-me nas decisões. Até poderia ter ficado de fora, mas sabia que tinha metas a cumprir e tinha em mente que minha participação influenciaria nisso. Se me oferecessem seis meses em casa, eu não aceitaria."

Afastamento. Executiva de uma empresa de agronegócio alemã, Andrea Veríssimo discorda absolutamente dessa decisão. Quando seu filho nasceu, em 2005, emendou licença-maternidade com as férias. "Desliguei-me completamente e nada saiu do eixo com a minha ausência." Para ela, o comportamento das mães reflete a posição da empresa. "Sinto uma diferença cultural. Organizações americanas cumprem os quatro meses obrigatórios. Já a maioria das alemãs aderiu ao recesso de seis meses."

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Por necessidade e opção, executivas flexibilizam licença-maternidade - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV