Aqueles 54 mortos no mar e as perguntas que não podem mais esperar

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16 Julho 2012

Seriam 54 as pessoas mortas na tentativa de chegar à Itália via mar desde a Líbia. A enésima tragédia do mar foi divulgada no dia 10 pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Conforme relatado pelo único sobrevivente, um cidadão da Eritreia, 54 pessoas, embarcada na Líbia, teriam morrido de desidratação depois de um calvário que durou 15 dias.

A reportagem é da revista Popoli, dos jesuítas italianos, 11-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Como comentário a essa tragédia, publicamos integralmente o comunicado de imprensa divulgado pelo Centro Astalli, sede italiana do Serviço Jesuíta para os Refugiados (www.centroastalli.it).

Eis o texto.

"Uma tragédia que nos deixa chocados. Pela enésima vez, encontramo-nos contando o número de mortos no Mediterrâneo, na tentativa desesperada de chegar à Europa. As 54 vítimas ao longo da Tunísia suscitam uma profunda dor, agravada pelas trágicas circunstâncias em que ocorreu o naufrágio. E mais uma vez fazem emergir interrogações para as quais não é mais possível não responder". Assim o padre Giovanni La Manna (presidente do Centro Astalli) comenta a notícia das mortes ocorridas no mar nos últimos dias.

Como é possível que ninguém tenha se dado conta do que estava acontecendo naquela embarcação carregada de pessoas desesperadas em busca de salvação, em um trecho de mar onde todos os dias muitos navios fazem a sua rota? Mais uma vez, o Centro Astalli lembra a importância e o vínculo dos princípios da navegação: não se deixam embarcações em dificuldade sem o socorro devido pelas obrigações do mar, além do mais elementar senso de humanidade.

Pedimos novamente ao governo e às instituições comunitárias que ponham em campo todos os esforços necessários para garantir a essas pessoas viagens seguras e acolhida, em um sistema de compartilhamento das responsabilidades por parte da União Europeia.

Reiteramos também a urgência o imediato restabelecimento de Lampedusa como lugar de acolhida e de primeiros socorros, e a revogação da declaração em vigor de "porto não seguro".

O Centro Astalli também pede uma aceleração em mérito à aplicação da resolução do Parlamento Europeu sobre um "programa conjunto de restabelecimento de refugiados". Esse procedimento, que entrará em vigor em 2013, estabelece que a União Europeia apoie a transferência de refugiados reconhecidos pelas Nações Unidas de países de primeira acolhida para os Estados da União.

Trata-se de um mecanismo que permite a chegada regular de refugiados com base em cotas anuais, que os governos individuais colocam à disposição.

O Centro Astalli espera, a esse propósito, a adesão do nosso país [Itália] ao programa de restabelecimento da União Europeia. Estabelecer cotas significativas de acesso seria uma decisão corajosa e um primeiro passo para a abertura de canais de ingresso protegidos na União Europeia para aqueles que escapam de guerras e de perseguições, e não podem encontrar proteção nos países de primeiro asilo.

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