Comissão da Verdade quer reabrir caso Berbert

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09 Julho 2012

A Comissão da Verdade quer reabrir o caso do guerrilheiro Ruy Carlos Vieira Berbert, morto aos 24 anos, em janeiro de 1972, na cadeia pública de Natividade, hoje no Tocantins. Integrante da comissão, o ministro Gilson Dipp afirmou que as fotografias do corpo de Berbert, localizadas pelo Estado no Arquivo Nacional, revelam a necessidade de nova busca dos restos mortais e uma reavaliação das circunstâncias da morte do guerrilheiro. "Vou propor à comissão que se defina uma equipe de técnicos para verificar o que ocorreu", afirmou.

A reportagem é de Alana Rizzo e Leonêncio Nossa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 09-07-2012.

Na avaliação de Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça, as buscas para encontrar os restos mortais de Berbert foram falhas. "As procuras que foram feitas no passado não tinham o apoio oficial que se tem agora e tecnologia, por isso não avançaram", observou. Ele ressaltou que a Lei de Acesso à Informação possibilitou que documentos como o álbum de fotografias de Berbert, guardado desde 2005 no Arquivo Nacional, pudessem ser revelados.

O presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Marco Antonio Rodrigues Barbosa, que assessora a Comissão da Verdade, defenderá, na reunião de hoje, a reabertura conjunta do caso da morte do guerrilheiro. Ele vai apresentar à família Berbert, que mora em São Paulo, uma proposta para colher amostras de DNA para possível trabalho de busca do corpo.

Relatório

Além de divulgar as primeiras imagens, após a redemocratização, do corpo de um guerrilheiro morto em dependências do Estado, o jornal também divulgou um relatório secreto da Polícia Federal que põe em xeque a versão de que Berbert cometeu suicídio. No documento, um agente informa que o médico Colemar Rodrigues Cerqueira, que atendia a população de Natividade, se recusou a fazer a autópsia. O tarefa acabou sendo realizada por um farmacêutico local.

Há 20 anos, a família Berbert conseguiu localizar nos arquivos do Dops, de São Paulo, uma ficha com o registro da morte do guerrilheiro, enterrado com o nome de João Silvino Lopes. O Ministério da Justiça chegou a fazer uma busca no cemitério de Natividade, mas o trabalho foi abortado. Em 1992, a família fez um enterro simbólico na cidade de Jales, interior de São Paulo.

A divulgação de fotos inéditas causou surpresa em um companheiro do guerrilheiro no Movimento de Libertação Popular (Molipo). O engenheiro Vinícius Medeiros Caldevilla, o Manuel, disse que, agora, é preciso saber as circunstâncias da morte. Caldevilla, que atualmente mora em São Paulo, relatou ter convivido com Berbert em Cuba, onde ambos participaram de treinamento de guerrilha.