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Olhando o passado para alumiar o presente

"Este encontro de bispos da Amazônia parece que vai ser mais produtivo do que o encontro Rio+20 encerrado há poucos dias. Pelo que estão dizendo nas entrevistas aos meios de comunicação e os temas que estão discutindo internamente, promete que a Igreja na Amazônia terá vozes cada vez mais proféticas porque percebem que o Egito de Faraó se reproduz com mais agressividade contra os povos e contra a mãe natureza. Esta matéria que estou enviando é fruto do que estou acompanhando, meio dentro, meio fora por ser membro da comunicação do evento. Ainda há esperança nesta terra", escreve Edilberto Sena, padre coordenador geral da Rádio Rural de Santarém, presidente da Rede Notícias da Amazônia – RNA e membro da Frente em Defesa da Amazônia – FDA. ao enviar o artigo que publicamos a seguir.

Eis o artigo.

Já é a décima vez que a Igreja Cristã na Amazônia, nas pessoas de seus pastores episcopais, se encontra para avaliar seu papel na sociedade. Antes do Concílio Vaticano segundo, cada bispo era um reizinho em sua prelazia, ou diocese. Sua responsabilidade era salvar as almas, através dos sacramentos e da doutrina.

Após o Concílio Vaticano II os bispos se deram conta que seu mestre Jesus não cuidava de almas, mas de pessoas e tinha preferência pelas vítimas de uma sociedade exploradora. Os bispos finalmente compreenderam que não podiam falar de Deus sem primeiro analisar as causas do sofrimento e da falta de libertação de seu povo. Foi daí que eles passaram a sentir necessidade de olhar para o chão antes de olhar para o céu.

Então começaram a se encontrar. Constataram que o sofrimento e falta de libertação da maioria do povo de Rio Branco do Acre, que era semelhante ao sofrimento dos povos de Santarém, de Mojuí dos Campos, de Parintins, de Curuai e de tantas outras partes da grande  Amazônia.

No marcante encontro dos bispos da Amazônia em 1972 deram um grande salto de compreensão e comprometimento com a missão libertadora de cada pessoa e de todas as pessoas. Dois encontros internacionais abrirem seus olhos, o Concílio Vaticano II e o encontro latino americano de Medellin. A partir desses dois espaços oferecidos ao Espírito Santo pelos bispos,  começaram a mudar a pedagogia da evangelização de tantos povos que vivem na região.

Os pastores perceberam que o sofrimento e a pobreza da maioria dos habitantes da imensa Amazônia, não era por vontade de Deus, nem era destino fatalista. Perceberam também que se Cristo aponta para a Amazônia, como dizia o Papa Paulo VI, era chamando a atenção deles para a dura realidade social, econômica, educativa e religiosa dos povos.

Então eles modificaram seu modo de guiar seus rebanhos, a dialogar mais com seus colegas e compreenderam enfim, que era preciso olhar o passado, avaliar os erros, acertar novas estratégias no presente, rumo ao futuro da libertação de seu povo.

Neste décimo encontro de bispos da Amazônia, os 37 companheiros dão sinal que o foco de sua avaliação ceve ser a realidade amazônica, que inclui a colonização extrema do capital, com graves prejuízos aos povos e à natureza. Estão estudando como assumirão seu papel de sacerdotes, pastores e profetas no sentido mais profundo das funções bíblicas.

Têm eles em sua meditação, as figuras de Moisés, de Amós e os grandes profetas. Quatro deles estão no encontro em Santarém cercados de guarda costas, num testemunho vivo de que na Amazônia, o profetismo implica riscos de morte. Reconhecem que a conjuntura social da região Amazônica é mais grave do que em 1972, quando ocorreu o importante encontro de seus antecessores.

A expectativa é que surja um documento bem comprometido como anúncio de boas notícias e denúncias de muitas injustiças que estão ocorrendo na região, muitas delas estimuladas pelas autoridades federais, estaduais e municipais.

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