Em "Deus da Carnificina", Polanski filma luta de classes

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05 Junho 2012

Dois educados casais de classe média se encontram à tarde, no apartamento de um deles, no Brooklyn (Nova York). Pauta: uma briga entre seus filhos de 11 anos, que resultou em um dente perdido, talvez dois. Natural em tais circunstâncias, o constrangimento inclui um roteiro conhecido: formalizar as desculpas, prometer ficar atento ao comportamento dos meninos, dar adeus e cuidar da própria vida. Qualquer desvio de curso implica riscos. Mas, para azar dos quatro adultos (e consequente deleite do público), a armadilha da cordialidade estica essa reunião vespertina até a chamada "fadiga do material".

O comentário é de Sérgio Rizzo e publicado pelo jornal Valor, 06-06-2012.

A dinâmica agressiva e autodestrutiva entre os personagens move "Deus da Carnificina", que entra em cartaz amanhã. A trama é conhecida de todos os que assistiram à peça homônima da francesa Yasmina Reza, encenada pela primeira vez em 2006. Desde então, o espetáculo percorreu diversos países, incluindo temporadas de prestígio em Londres (com Ralph Fiennes liderando o elenco) e Nova York (com Jeff Daniels, Hope Davis, James Gandolfini e Marcia Gay Harden). Dirigida por Emílio de Mello, a montagem brasileira - que promete retornar aos palcos em agosto - reuniu Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti.

Na adaptação para cinema, dirigida pelo polonês Roman Polanski e coescrita por ele e Reza, há apenas duas sequências de rua, no parque da ponte do Brooklyn, onde se deu o incidente entre os meninos. Convém prestar atenção ao que acontece ali: inseridas no início e no fim do filme, essas imagens ajudam a definir ironicamente o outro incidente, protagonizado pelos quatro adultos no apartamento onde se passa todo o restante da ação. Em virtude dos problemas judiciais de Polanski nos EUA, o longa foi rodado em Paris, em estúdio, sem nenhuma pretensão de alterar o andamento do texto original. Teatro filmado, como se costuma dizer, mas sem que isso represente um defeito.

Polanski já havia adotado princípio semelhante, de respeito e pouca intervenção, na segunda de suas adaptações de peças, "A Morte e a Donzela" (1994), baseado no texto de Ariel Dorfman - a primeira, "Macbeth" (1971), faz leitura mais livre de Shakespeare. Em "Deus da Carnificina", os esforços do diretor estão voltados para possibilitar que a comédia de humor negro escrita por Yasmina encontre boa tradução pelo elenco. Nesse aspecto, é difícil reclamar das opções. Os anfitriões são interpretados por Jodie Foster e John C. Reilly, que incorporam bem a oscilação entre um certo espírito de inferioridade diante das visitas e, na outra face da moeda, um sentimento de arrogância liberal - temos menos dinheiro, mas somos mais corretos.

Christoph Waltz (o coronel Landa de "Bastardos Inglórios") e Kate Winslet fazem o outro casal, mais frio e de aparência sofisticada, pais do menino agressor. O marido não desgruda de um telefone celular, lembrando uma versão atualizada do melhor amigo do personagem de Woody Allen em "Sonhos de um Sedutor" (1972), enquanto a mulher mal esconde um turbilhão de emoções. Quando a comporta se abre, "Deus da Carnificina" vira diversão para adultos na mesma medida em que "Os Vingadores" agrada o público jovem.

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