“Basta da cultura do efêmero”, diz Papa

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Por: André | 15 Mai 2012

Na escada do helicóptero, em Arezzo, o Papa saúda o presidente do governo Monti e (contra o usual protocolo) e sua mulher Elsa; depois, durante a homilia da missa celebrada no Parque Il Prato pede um renovado compromisso para enfrentar “a cultura do efêmero, que fez com que muitos se tenham iludido, determinando uma profunda crise espiritual”. O Pontífice recomenda, para enfrentar esta crise material e espiritual, não cair em uma “mentalidade materialista”, mas recuperar a educação para os valores. Em nome dos valores, da solidariedade, da dignidade, da vida, o Papa aconselhou a enfrentar a “cultura do efêmero, que iludiu a muitos, determinando uma profunda crise espiritual”.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e está publicada no sítio Vatican Insider, 14-05-2012. A tradução é do Cepat.

“No contexto da Igreja na Itália, comprometida durante esta década com a educação – disse em outro momento da homilia –, temos que nos perguntar, sobretudo na Região pátria do Renascimento, que visão de homem podemos propor às novas gerações”. “Esta terra, que viu nascer grandes personalidades do Renascimento, desde Petrarca até Vasari – recordou –, participou ativamente da afirmação dessa concepção de homem que incidiu na história da Europa reforçando os valores cristãos. Em tempos inclusive recentes, pertence ao patrimônio ideal da cidade o quanto alguns de seus melhores filhos, no campo da pesquisa universitária e nas sedes institucionais, souberam elaborar sobre o conceito mesmo de civitas, declinando o ideal da idade comunal nas categorias de nosso tempo”. “Sede fermento da sociedade, sede cristãos presentes, decididos e coerentes”. A Igreja de Arezzo, recordou na missa no Parque do Prado, “possui entre os valores que a distinguem, a solidariedade, a atenção para com os mais fracos, o respeito à dignidade de cada um”. O Papa citou também a “acolhida” que na história os cidadãos de Arezzo manifestaram, e a “solidariedade” com os pobres e os fracos.

Bento XVI celebrou com todos os bispos da Toscana, e antes de iniciar o rito escutou a saudação do prefeito Giuseppe Fanfani e do bispo Riccardo Fontana. Ambas as saudações faziam referência à crise econômica que a sociedade de Arezzo atravessa; além disso, o bispo recordou a questão dos imigrantes. “Conheço o empenho de vossa Igreja na promoção da vida cristã – disse o Papa na homilia. Sede fermento na sociedade, sede cristãos presentes, decididos e coerentes. A Cidade de Arezzo – destacou – resume em sua história multimilenar expressões significativas de culturas e de valores”.

O Papa mencionou os numerosos santos destas terras, entres eles Donato, bispo comprometido com a “unidade” dos povos, e o Papa Gregório X, que trabalhou pela “reforma da Igreja” e na tentativa de recompor o cisma do Oriente, entre outras coisas, recordou, com o Concílio de Lyon. Do exemplo destes e de outros santos e de muitos cidadãos ilustres de Arezzo, Bento XVI extraiu a incitação à Igreja para que esteja presente na sociedade. Insistiu na questão da “acolhida”, da “solidariedade”, da “atenção aos fracos”, do respeito à dignidade de cada um. Embora “fortemente postos à prova pela crise econômica, sigamos apoiando os “setores mais fracos”, busquemos “soluções mais rápidas e eficazes”, sobretudo para os jovens, os mais atingidos. Sai-se da crise compartilhando os “recursos” e mudando os “estilos de vida”. “É certo – observou Bento XVI – também que a vossa Província foi duramente posta à prova pela crise econômica. A complexidade dos problemas torna difícil encontrar as soluções mais rápidas e eficazes para sair da presente situação, que afeta especialmente os setores mais fracos e preocupa não pouco os jovens. O cuidado com os outros, desde tempos remotos – recordou depois –, incentivou a Igreja a se tornar concretamente solidária com quem se encontrou em situação de necessidade, compartilhando os recursos e promovendo estilos de vida mais essenciais”.