"Rio+20 não pode ser só desfile de chefes de Estado"

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17 Abril 2012

"Que o Brasil, como país anfitrião, não deixe que a cúpula apenas reafirme os compromissos de 1992. Isso será um fracasso", disse ontem, no Rio, Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em evento no Rio sobre a Rio+20. "Já negociamos convenções demais. A Rio+20 é sobre implementação", cobrou.

"Este é um momento difícil no mundo para se fazer uma cúpula sobre desenvolvimento sustentável", continuou, "mas não podemos trazer 190 países e esperar pelo melhor, não se trata de um desfile de chefes de Estado."

A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 17-04-2012.

O Brasil, segundo Steiner, tem enviado "mensagens confusas" sobre suas posições para a Rio+20. "Tenho ouvido que a Rio+20 pode ficar mais associada a Copenhague do que à Rio-92", continuou, citando a fracassada reunião sobre um tratado internacional de mudança do clima, em 2009 e a bem sucedida conferência do Rio, há 20 anos.

O Pnuma é o braço ambiental da ONU. É o "primo pobre" na família das Nações Unidas - não tem participação universal dos países, não tem autonomia nas decisões (que têm que passar pelo crivo da Assembleia Geral) e as contribuições de recursos são voluntárias. Uma das opções sobre a mesa é transformá-lo em uma agência especializada, como a OMS é para a saúde. Os Estados Unidos se opõem à ideia, mas europeus e africanos apoiam. O Brasil prefere a criação de um órgão de desenvolvimento sustentável.

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