“O papel da mulher é fundamental na comunidade cristã”, afirma o Papa

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Por: Jonas | 11 Abril 2012

Bento XVI elogiou o gênio feminino, o papel da mulher é fundamental na comunidade cristã. Acolhido pelo afeto dos muitos fiéis que o receberam, o Papa falou de Castel Gandolfo, local onde se encontra para passar uns dias de descanso, até a próxima sexta-feira à tarde (com um pequeno intervalo, na quarta-feira, quando se dirigirá ao Vaticano para a audiência geral na Praça de São Pedro).

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 09-04-2012. A tradução é do Cepat.

Na segunda-feira do Anjo, o Papa escolheu concentrar sua reflexão sobre a figura feminina. Justamente, os Evangelhos dão às mulheres a tarefa de testemunhar a Ressurreição, um evento “misterioso – afirmou Bento XVI – não no sentido de menos real, mas de escondido, além do alcance de nosso conhecimento”. Um evento que “transformou a história e que dá sentido à existência de todos os homens”. “Nesse tempo, em Israel, o testemunho das mulheres não podia ter valor oficial, jurídico”, explicou Ratzinger. No entanto, os Evangelhos outorgam esta tarefa às mulheres, porque “as mulheres viveram uma experiência de vínculo especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta da comunidade cristã, e isto sempre, em qualquer época, não somente no início do caminho da Igreja”.

A marca da carta apostólica “Mulieris dignitatem”, verifica-se no chamado de Bento XVI para ressaltar, inclusive em cargos de responsabilidade na Igreja, o papel da mulher. E também o eco das conversações informais com uma defensora do feminismo. No profético documento wojtyliano confluíram a sensibilidade teológica de seu, então, estreito colaborador (Joseph Ratzinger) e, circunstância menos conhecida, uma série de encontros que aconteceram, entre 1987 e 1988, com personalidades da cultura feminina, em especial com Maria Antonietta Macciocchi.

“O acontecimento da ressurreição – explicou o Pontífice – enquanto tal, não é descrito pelos Evangelistas: este permanece misterioso, não no sentido de ser menos real, mas de escondido, além da capacidade de nosso conhecimento: como uma luz tão deslumbrante que não se pode observar com os olhos, caso contrário, os cegariam. Ao contrário, as narrativas começam a partir do amanhecer, do dia depois do sábado, em que as mulheres foram ao sepulcro e o encontraram aberto e vazio. São Mateus fala, também, de um terremoto e de um anjo resplandecente, que fez rolar a grande pedra do túmulo, sentando-se encima dela (cf. Mt 28,2). Recebido do anjo o anúncio da ressurreição, as mulheres, cheias de temor e de alegria, correram para dar a notícia aos discípulos, e precisamente naquele momento encontraram Jesus, prostraram-se aos seus pés e o adoraram; e ele disse para elas: “Não tenham medo.Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão” (Mt 28,10).

Em todos os Evangelhos, as mulheres possuem um grande espaço nos relatos das aparições de Jesus ressuscitado, como, também, por outro lado, nos relatos da paixão e morte de Jesus. Naqueles tempos, em Israel, o testemunho das mulheres não podia ter valor oficial, jurídico, porém as mulheres viveram uma experiência de relação especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta da comunidade cristã, e isto sempre, em toda época, não só no início do caminho da Igreja.

Modelo sublime e exemplar desta relação com Jesus, de modo especial no seu Mistério Pascal, naturalmente, é Maria, a Mãe do Senhor. Precisamente, por meio da experiência transformadora da Páscoa de seu Filho, a Virgem Maria chega a ser também a Mãe da Igreja, ou seja, de cada um dos crentes e da comunidade inteira. Para Ela nos dirigimos, agora, invocando-a qual “Regina Caeli”, com a oração que a tradição nos faz rezar no lugar do angelus, durante todo o tempo pascal. Que Maria nos alcance experimentar a presença viva do Senhor ressuscitado, fonte de esperança e de paz”.

Após rezar a antífona mariana, típica deste tempo pascal, à Mãe de Deus, o “Regina Coeli”, o Papa saudou, em diversas línguas, aos numerosos grupos de fiéis e peregrinos no pequeno povoado de Castel Gandolfo.