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Por: André | 16 Março 2012

O encontro em Roma de Bento XVI com o primaz dos anglicanos aconteceu sob a insígnia do grande Papa que evangelizou a Inglaterra. Com Ratzinger e Williams o ecumenismo abandona as táticas e vai à essência.

A reportagem é de Sandro Magister e está publicada no sítio Chiesa, 14-03-2012. A tradução é do Cepat.

Entre as muitas críticas a Bento XVI há uma que já não se sustenta depois de celebrar as vésperas junto com o arcebispo de Cantuária e primaz da comunhão anglicana Rowan Williams, na tarde de 10 de março, no mosteiro romano de São Gregório al Celio.

A crítica é a de empantanar o ecumenismo, de antepor o abraço com os lefebvrianos ao diálogo com as outras confissões cristãs.

Os fatos dizem o contrário. Os mais irredutíveis em rechaçar as ofertas de paz do Papa são precisamente os seguidores do arcebispo cismático Marcel Lefebvre. E as rechaçam precisamente em razão dos notáveis passos avançados – que para eles são um ceder ao erro – por Bento XVI no caminho da reconciliação com os anglicanos, com as Igrejas do Oriente e inclusive com os herdeiros de Martinho Lutero.

* * *

Com a comunhão anglicana, a aproximação que se registra desde que Joseph Ratzinger é Papa é simplesmente surpreendente.

Segundo a lógica, o esperado seria o contrário. No outono de 2009, Bento XVI promulgou uma constituição apostólica, a Anglicanorum Coetibus, para regular a entrada na Igreja católica de comunidades inteiras de fiéis provenientes do anglicanismo, com seus bispos e sacerdotes.

A iniciativa foi imediatamente condenada – por parte de algumas correntes católicas progressistas – como um ato gravemente antiecumênico: ou seja, como um retornar sobre a ideologia do “grande retorno” e como vontade da Igreja católica de “ampliar seu império” arrebatando porções das Igrejas rivais.

Mas no campo anglicano a iniciativa não provocou nenhum rechaço.

O anúncio da Anglicanorum Coetibus foi dado simultaneamente em Roma e em Londres, neste último lugar por obra do próprio primaz anglicano Williams, que, além disso, não havia participado da preparação do documento.

Acompanharam depois a efetiva passagem à Igreja de Roma de milhares de fiéis e de dezenas de sacerdotes e bispos, enquadrados em “ordinariatos” especiais – até agora dois –, o primeiro na Grã-Bretanha e o segundo nos Estados Unidos.

Os recém chegados têm a faculdade de conservar seu rito litúrgico anterior, ao passo que os sacerdotes e os bispos, geralmente casados e com filhos, são ordenados sacerdotes na Igreja católica, continuando na guia de suas respectivas comunidades.

Numericamente, as passagens do anglicanismo para o catolicismo normadas pela Anglicanorum Coetibus foram até agora limitadas.

Mas, simultaneamente, entre os quase 77 milhões de anglicanos no mundo se ampliou o abismo entre uma ala “liberal” favorável às mulheres sacerdotes, às mulheres bispas, aos sacerdotes e bispos gays, aos matrimônios entre homossexuais; e uma ala mais ampla formalmente contrária a estas inovações.

Nesta segunda ala a maior parte são de inspiração “evangelical”, muito afastada da ideia de passar à Igreja católica.

Isso, no entanto, não exclui que a Igreja de Roma seja vista hoje pela maioria dos anglicanos de todo o mundo em uma luz muito mais positiva do que no passado, como válida guardiã das tradições apostólicas comuns, contra os naufrágios modernistas.

Em consequência, o limite entre o catolicismo e o anglicanismo se fez hoje mais aberto. E o próprio primaz anglicano Williams, que é um teólogo fino, encontrou no magistério teológico de Bento XVI uma visão amplamente compartilhada.

O ecumenismo de Bento XVI não é de negociação, de concessões recíprocas de soberania, de diluição da doutrina, com a finalidade de criar uma estrutura aceita por todos. Simplesmente quer reavivar a fidelidade às raízes da missão dos cristãos no mundo, como queria Jesus Cristo. Quer obter uma unidade fundada nesta fidelidade.

E a escolha do mosteiro romano de São Gregório al Celio para as vésperas celebradas ao lado do primaz anglicano Williams, foi precisamente um insistir nestas raízes essenciais, “porque justamente deste mosteiro o Papa Gregório [Magno] escolheu Agostinho e seus 40 monges para enviá-los a levar o Evangelho entre os anglos, há pouco mais de 1.400 anos”. E depois, de suas ilhas, os monges ingleses voltaram para evangelizar a Europa.

Desde aquele envio em missão, o vínculo entre este mosteiro romano e a cristandade inglesa, antes e depois da ruptura no século XVI, não foi interrompida.

Basta pensar que em São Gregório al Celio rezaram junto com o predecessor do Papa Ratzinger, João Paulo II, também os dois primazes anteriores da comunhão anglicana: Robert Runcie, no dia 30 de setembro de 1989, e George Carei, no dia 05 de dezembro de 1996.

O atual prior do mosteiro, Peter John Hugues, australiano, foi ele próprio anteriormente sacerdote anglicano.

O primaz Williams, na homilia que fez imediatamente antes da de Bento XVI, definiu como “certa”, embora ainda “imperfeita”, a proximidade entre anglicanos e católicos.

“Certa, pela comum visão eclesial compartilhada com a qual nossas duas comunidades estão comprometidas, sendo o caráter da Igreja uno e particular: uma visão de restauração da plena comunhão sacramental, de uma vida eucarística que seja plenamente visível, e que seja assim testemunho plenamente crível, de tal modo que o mundo confuso e atormentado possa entrar na luz acolhedora e transformadora de Cristo. E, no entanto, imperfeita, por causa dos limites da nossa visão, uma deficiência na profundidade da nossa esperança e paciência”.

Com Bento XVI a unidade de visão mencionada por Williams certamente foi reforçada. Sua visita ao Reino Unido em setembro de 2010 teve um de seus momentos mais altos nas vésperas celebradas na anglicana Abadia Westminster.

Dirigindo o coro – entre os melhores coros de música litúrgica do mundo – estava o católico James O’Donnell.

E será justamente este coro anglicano que acompanhará em Roma as liturgias de Bento XVI na próxima festividade dos Santos Pedro e Paulo, nas Basílicas de São Pedro e de São Paulo extramuros.

Também nisto sob o signo comum de Gregório Magno e do canto que toma dele seu nome.

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