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05 Março 2012

A capacidade do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para negociar acordos com organizações sindicais e movimentos sociais vai passar pelo seu primeiro grande teste neste semestre. De greves e passeatas a invasões de terras na zona rural e ocupações de edifícios urbanos, por todo o País estão sendo articuladas ações que podem transformar o período pré-eleitoral num inferno para o Planalto.

A reportagem é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 04-03-2012.

No dia 15, servidores públicos federais de todo o País devem realizar um dia nacional de luta por melhores salários. Será o rufar de tambores para a greve nacional com a qual pretendem paralisar todas as repartições públicas - do Judiciário, Legislativo e Executivo - no mês de abril.

O Movimento dos Sem Terra (MST) também pretende adentrar abril com surpresas para o governo. As habituais manifestações que seus militantes promovem no período, no chamado abril vermelho, com a invasão de terras, edifícios públicos e postos de pedágio, agora devem contar com reforço de outras organizações do setor agrário. Desde a semana passada, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) estão articulando a unificação de suas principais manifestações, que normalmente se distribuem entre os meses de abril e maio.

Esse tipo de articulação não ocorria desde a posse do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2003. "Já vimos que somos todos contra o modelo de política agrária que está em curso e favoráveis a outro modelo, que reconheça a importância da agricultura familiar e facilite o acesso à terra", disse ao Estado a coordenadora geral da Fetraf, Elisângela Araujo. "Agora vamos tentar unificar as ações para dar maior visibilidade às nossas propostas."

Ainda em abril estão sendo programadas ações de movimentos por moradia. Com marchas de protesto e, sobretudo, ocupações de edifícios e terrenos urbanos, elas devem ser concentradas no Estado de São Paulo.

Repúdio

No dia 17 de maio, em Brasília, o governo de Dilma será um dos principais alvos da 3.ª Marcha Nacional Contra a Homofobia. De acordo com um manifesto preparatório que está sendo distribuído por todo o País, assinado por 257 organizações de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, o protesto deverá expressar o "repúdio à homofobia institucional que vem dominando o governo federal".

Ainda segundo o texto, o governo "se acovarda perante os ataques do fundamentalismo religioso". A ABGLT, que reúne entidades de todo o País, reclama que Dilma já recebeu duas vezes representantes de setores fundamentalistas evangélicos, mas se recusa a receber o movimento.

O leque político por trás dessas articulações é amplo e, frequentemente, envolve setores do próprio PT - o partido do governo. A greve do funcionalismo federal está sendo articulada por entidades sindicais vinculadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que é próxima ao PT. Os sem-terra, os sem-teto e os gays têm o apoio de setores petistas e também da oposição, especialmente o PSOL e o PSTU.

Carvalho assumiu papel que o próprio Lula havia exercido

O apoio que a candidata Dilma Rousseff (PT) recebeu da área sindical no 2.º turno da eleição de 2010 foi inédito: as seis centrais do País defenderam o voto nela. Depois de eleita, porém, a presidente não fez questão de se aproximar pessoalmente dessas organizações, nem dos movimentos sociais. Delegou ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, a tarefa de cuidar dessas relações. Agora, em meio ao nervosismo do período pré-eleitoral e articulações de diferentes movimentos na área urbana e rural, ele está prestes a enfrentar um de seus maiores desafios.

Sindicalistas ouvidos disseram ter saudades do presidente Lula. Segundo o dirigente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o ex-presidente ouvia diretamente os sindicalistas e atendia mais rapidamente às suas reivindicações.

Até na Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do País, ligada ao PT, a diferença é sentida. "O Lula foi peão de fábrica e sindicalista e adorava conversar e negociar diretamente com gente de sindicato, de movimentos sociais, feministas, homossexuais, sem-terra, negros", diz Quintino Severo, secretário executivo da central. Na avaliação dele, o governo Dilma ainda deve afiar o diálogo com sindicatos e movimentos sociais.

Na Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, onde se articula uma greve nacional, a queixa é quanto à demora na tomada de decisões. Segundo a entidade, as negociações sobre salários da categoria estão paradas desde janeiro.

Carvalho, que também já foi peão e sindicalista, conta com a assessoria de pessoas que já estiveram do lado de lá do balcão, como José Lopes Feijó, ex-diretor da CUT. O maior problema dele, porém, não é a falta de conhecimento dos temas, mas sim a situação política. "As decisões não dependem dele e tendem a se tornar mais complicadas, por que passam pela coalizão política que sustenta o governo e dependem da correlação de forças", observa Severo, da CUT. Os caso dos sem-terra, que se opõem à bancada ruralista, e dos gays, alvo dos parlamentares evangélicos, são exemplares.

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