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Após 20 anos, movimento “O Sul é o Meu País” volta a se organizar

Separar os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de seu grande inimigo: o Estado brasileiro. Essa é a polêmica luta do movimento “O Sul é o Meu País”, que completa 20 anos em 2012 com a pretensão de voltar a ganhar a discussão das ruas. Nos próximos dias 17 e 18 de março, os sulistas que querem a separação do resto do país fazem um congresso na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, para celebrar as duas décadas de existência e ganhar novo fôlego.

A reportagem é de Sandro Moser e publicada pela Gazeta do Povo, 19-02-2012.

Tratado com ironia e procurando livrar-se do estigma de ser “racista” em relação à população de outras regiões do Brasil, o movimento foi retomado no ano passado após a realização de uma pesquisa que teria indicado um grande apoio popular à causa separatista nas capitais do Sul.

O atual presidente do movimento, Celso Deucher, diz que o sonho dos “sulistas” seria a realização de um plebiscito para a criação do novo país, livre do “imperialismo centralizador“ e da “terrorismo tributário” da federação brasileira – nas palavras dele. Participaria da consulta toda a população do Sul do Brasil.

No caminho do movimento, porém, há uma cláusula pétrea da Constituição Federal que diz que a República brasileira é “formada pela união indissolúvel” dos estados e municípios – o que torna inconstitucional qualquer intenção de criar um novo país.

Assim, por prudência, os adeptos do movimento evitam falar em separatismo, preferindo a expressão “autonomia”. Como base legal da luta, explica Deucher, está o direito à liberdade de expressão e o princípio do Direito internacional da “autodeterminação dos povos”.

Ele ainda rebate a acusação de que o movimento é racista. “Isso sempre é usado para nos desacreditar. É uma besteira. O Sul do Brasil é uma das regiões mais múltiplas, com presença de várias etnias”, diz Deucher. Ele afirma estar concluindo um livro sobre a presença negra no Vale do Itajaí, em Santa Catarina – o que seria uma prova do caráter não racista da causa.

Criado no Rio Grande do Sul, o movimento se diz herdeiro de outros levantes separatistas sulinos – como a Revolução Farroupilha, no século 19. Segundo seu presidente, o movimento tem hoje representação em 800 municípios dos três estados e cerca de 30 mil filiados. O alto número de simpatizantes, no entanto, não se traduz em arrecadação financeira. Segundo Deucher, a organização sobrevive de doações dos 26 diretores e de mensalidades de R$ 15 pagas por cerca de cem membros.

Críticas

Para o professor de História Carlos Antunes Filho, da UFPR, as ideias separatistas no país são apoiadas em bases suspeitas. “É um delírio baseado em segregação racial e intolerância que destoa da forma coletiva e plural da construção da nação brasileira”, diz ele. O professor Herbert Toledo Martins, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, também desacredita a ideia. “Não é um movimento sério; não tem representatividade política.”

Acostumado a críticas, Deucher rechaça as acusações de que o movimento é delirante. “Pode ser um sonho; mas tem muita gente sonhando junto”, diz ele, que é professor de História numa escola de Brusque (SC), jornalista e marqueteiro político.

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Comentários  

 
0 #7 Andelmo Zarzur 26-02-2012 19:51
Os sulistas e paulistas já tomaram na cabeça com estas aventuras separatista com nomes diferentes, farroupilhas e constitucionalista, sera que não aprenderam nada?
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0 #6 Sérgio A.Oliveira 23-02-2012 11:04
Concordo c/a tese do Luiz Carlos(3). O maior separatista que já existiu no "hoje" Brasil foi um paraibano,Alyrio Vanderlei,que em 1934 (Bases do Separatismo) viu os fundamentos do seu inevitável desmanche na lei biológica da "cissiparidade"(divide para não morrer). Seria o fim da vida morta e o alvorecer da decência.
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0 #5 Sérgio A.Oliveira 22-02-2012 17:46
Quando lancei "Independência do Sul" (Martins Livreiro,1986) e iniciativas posteriores,não consegui a adesão em massa aqui no RS que eu imaginava. Pois saibam que em SC e no PR (vide reportagem) ela está forte como um furacão.Onde anda o meu Rio Grande ?
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0 #4 Marciano 21-02-2012 15:42
Aos poucos a população dos três estados está despertando! O Brasil centralizado interessa apenas ao bando de rapinas e sanguessugas!Que os ventos da liberdade soprem fortemente pelos pampas e pelas coxilhas...
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0 #3 Luiz Carlos C Soares 21-02-2012 11:24
Costumo fazer uma adaptação de uma lei da física para dizer que, em ações políticas e/ou sociais, é possível acontecerem reações maiores e contrárias.
Pode ser o processo que parece estar em marcha no sul do país. Ou seja, ainda que insipiente, pode haver uma reação a excessos de centralismos "democráticos" de ordem política e principalmente econômica. Acho isso uma hipótese não descartável. E até certo ponto,válida.
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+1 #2 Luci Mari Castro Lei 21-02-2012 10:54
Interessante esses dados de uma simulação da configuração de um novo país com culturas parecidas, bom índice de desenvolvimento humano com certeza cresceríamos e ajustaríamos uma distribuição financeira com equidade, principalmente entre o extremo sul que precisa de reformas e redistribuição de terras, pois há grande concentração (latifúndio, ninguém tem coragem de transformar. Dai teríamos novos horizontes, perspectivas de vida com qualidade ainda muito melhor! Luci Mari/Mestranda em B.Aires- UTN
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0 #1 André Ambrosio Abram 21-02-2012 09:09
Que besteira! Prá que a separação, sob qualquer título que se lhe dê (autonomia, autodeterminação etc.)?É como querer se livrar de tuberculose cortando fora os pulmões.
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