A relação entre diaconato e mulheres

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19 Fevereiro 2012

Women Deacons: Past, Present, Future [Diaconisas: Passado, Presente e Futuro] é um livro eminentemente razoável. Puro e simples, em apenas 128 páginas, ele é uma destilação de respostas à questões essenciais. A saber: houve alguma vez diaconisas na Igreja Católica? É atualmente possível ordenar mulheres de acordo com o ensino da Igreja e da visão do Concílio Vaticano II do diaconato restaurado? Como seria a Igreja com diaconisas?

E, para serem muito claros, os autores afirmam conjuntamente em sua introdução: "Este livro não é sobre mulheres-padre".

A análise é de Maureen Daly, ex-editora do Catholic News Service por 10 anos. É mestra em teologia pelo Instituto Ecumênico do St. Mary’s Seminary and University, em Baltimore, EUA. O artigo foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 06-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Gary Macy, presidente do departamento de estudos religiosos e professor de teologia da Santa Clara University, na Califórnia, abrange o passado, o argumento histórico.

Macy, autor de The Hidden History of Women’s Ordination: Female Clergy in the Medieval West [A História Secreta da ordenação de mulheres: O clero feminino no Ocidente medieval] (Oxford University Press, 2007), escreve que há uma ampla corrente de estudos para mostrar que "as mulheres serviram como diaconisas desde os primeiros séculos do cristianismo e mantiveram-se ativas nas Igrejas Orientais e Ocidentais até o século XII". Estudioso da história da liturgia, Macy escreve: "Ainda mais importante (...) é a existência da liturgia para a ordenação de mulheres como diaconisas". Ele cita antigos ritos de ordenação.

Nesse capítulo e por toda parte, as amplas notas de rodapé de Women Deacons tornam-no uma útil referência. Por exemplo, há nove notas na primeira página de Macy, cada uma delas com uma citação completa de recentes coleções de documentos históricos. As notas finais abrangem 24 das 128 páginas do livro, um prático compêndio de fontes, o início de um sílabo.

Por que essa prática chegou ao fim? Macy cita canonistas dos séculos XII e XIV e conclui: "Parece que as principais razões pelas quais as mulheres deixaram de ser ordenadas diaconisas, tanto no Oriente como no Ocidente, foi a gradual introdução das leis de pureza das Escrituras Hebraicas. A menstruação e o parto eram vistos como impedimentos para que as mulheres servissem ao altar ou para que fossem finalmente ordenadas".

Outra coisa que ocorreu, afirma ele, foi "uma mudança radical na definição da ordenação", depois do movimento de reforma da Igreja do século XI e os debates escolásticos e canônicos do século XII. Antes dessa época, a ordenação era a atribuição de uma certa tarefa ou papel na comunidade; depois, foi definido como a conferência de um poder que poderia ser exercido em qualquer comunidade.

Macy cita um canonista do século XII: "Mas eu digo que uma mulher não é capaz de receber as ordens. (...) Se, portanto, uma mulher é de fato ordenada, ela não recebe as ordens". Macy, explica: "Em outras palavras, mesmo que uma mulher fosse ordenada, ela não iria 'pegar'. O simples fato de ser mulher negaria qualquer efeito que a ordenação pudesse ter".

Em um século, "os escritores passaram a não mais admitir que as mulheres foram ordenadas uma vez, ensinando que as mulheres nunca foram ordenadas, ensinando, finalmente, que as mulheres nunca poderiam e nunca seriam ordenadas".

O diácono William T. Ditewig aborda a questão das possibilidades atuais, a questão teológica e pastoral: "As mulheres podem e deveriam ser ordenadas diaconisas?".

Ditewig, ordenado em 1990, foi, durante cinco anos, diretor-executivo do Secretariado para o Diaconato e do Secretariado para a Evangelização da Conferência dos Bispos dos EUA. Foi professor de teologia e diretor dos programas de graduação da St. Leo University, perto de Tampa, Flórida, e hoje é diretor da formação na fé, diaconato e planejamento da diocese de Monterey, Califórnia. É o autor de The Emerging Diaconate: Servant Leaders in a Servant Church [O Diaconato Emergente: Líderes Servos em uma Igreja Serva] (Paulist, 2007).

Sua questão: "É possível, com base em um exame do ensino da Igreja e da visão do Concílio Vaticano II acerca do diaconato, ordenar mulheres como diaconisas? A nossa questão é válida e legítima, embora esta seja uma questão emocional para muitos que a temem. (...) Este não é um ato de desafio, que é a forma como algumas pessoas podem interpretá-lo, mas sim um ato de compromisso entusiasmado com o melhor que a nossa tradição tem a oferecer à Igreja e ao mundo do nosso tempo".

Ditewig oferece uma linha do tempo de documentos-chave sobre o desenvolvimento do sacramento das Sagradas Ordens para incluir o diaconato como uma "ordem própria e permanente", distinta do presbiterado. Ele observa que o Papa João Paulo II, em sua carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis ("Sobre a ordenação sacerdotal reservada somente aos homens"), de 1994, "nunca se referiu explicitamente ao diaconato, nem usou termos mais abrangentes como clero".

A renovação do diaconato permanente ocorreu como resultado do Vaticano II. Ditewig escreve que, na Lumen Gentium, "dizia-se que os diáconos eram 'fortalecidos pela graça sacramental' e o Decreto Ad Gentes ("Sobre a atividade missionária da Igreja"), que dizia que era "justo" fortalecer as pessoas que já estavam pregando, praticando a caridade e realizando o serviço dos diáconos com a graça da ordenação. Seguindo a lógica do cardeal Leo Joseph Suenens, Ditewig diz: "A Igreja tem o direito sobre todas as graças que o Espírito Santo oferece, e uma dessas graças é o diaconato: por que deveria ser negado à Igreja o dom de ter mulheres, assim como homens, servindo como diaconisas?".

O futuro das diaconisas é abordado por Phyllis Zagano, autora do Holy Saturday: An Argument for the Restoration of the Female Diaconate in the Catholic Church [Sábado Santo: Um argumento para a restauração do diaconato feminino na Igreja Católica] (Crossroad/Herder, 2000) e colunista do National Catholic Reporter.

Zagano cita lideranças da Igreja que dizem que não há necessidade de diaconisas ordenadas porque as mulheres já fazem o trabalho de serviço dos diáconos. Ela pergunta: "O que uma mulher ordenada pode fazer que uma mulher não ordenada não pode? A questão, talvez, deveria ser melhor postulada: o que um clérigo pode fazer que um não clérigo não pode?". Ela responde que as duas funções mais importantes são pregar e julgar nos procedimentos da Igreja. Mas é mais do que uma questão de funções. Os ordenados também fizeram uma "dedicação pública e permanente de suas vidas ao ministério sagrado" e receberam "a aceitação e a ratificação desse ministério sagrado pelas mãos do bispo diocesano".

Zagano leva em consideração quem poderia se tornar diaconisa. Se forem membros de ordens religiosas, como isso mudaria a sua ordem ou a sua filiação? Se for casada, qual seria então o papel do marido? Ela escreve: "Os aspectos práticos de devolver o diaconato às mulheres são complexos, mas (...) a única razão genuína para que a Igreja restaure as mulheres ao serviço diaconal ordenado são as necessidades da Igreja".

Women Deacons é claramente uma obra de promoção ativa. Macy, Ditewig e Zagano acreditam que a Igreja seria mais bem servida por diaconisas ordenadas. No prefácio do livro, Susan A. Ross, da Loyola University Chicago, escreve: "Este livro deveria ser leitura obrigatória para todos os bispos e clérigos". Eu concordo que ele é um livro muito útil, uma rápida revisão dos argumentos e um livro-fonte para os documentos-chave, apresentados por três escritores de autoridade.

  • Women deacons: Past, present, future. Gary Macy, William T. Ditewig e Phyllis Zagano. Ed. Paulist Press.

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