Dom Ladislau, defensor dos pobres e das lutas dos movimentos sociais. Testemunho de Darci Frigo

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Por: André | 14 Fevereiro 2012

“Era um incansável defensor das causas dos pobres e marginalizados. Acolhia e era acolhido por eles. Sentia-se em casa no meio deles”, escreve em seu depoimento Darci Frigo, ex-agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná e coordenador da ONG Terra de Direitos.

Eis o depoimento.

Foi presença marcante nas lutas sociais do Paraná e do Brasil. Homem simples, humilde, solidário, ecumênico e muito sábio. Era um incansável defensor das causas dos pobres e marginalizados. Acolhia e era acolhido por eles. Sentia-se em casa no meio deles. Seu engajamento junto às pastorais sociais da Igreja Católica, como a CPT e a Pastoral Operária e seu compromisso com os movimentos sociais, revelam o lugar preferencial que D. Ladislau escolheu para desenvolver sua missão de pastor.

Defendia a reforma agrária e a agricultura familiar camponesa como se fossem causas suas – e eram, por ser filho de camponeses e da Teologia da Libertação. Para ele o latifúndio era a origem de desigualdades e das enormes injustiças no campo. Erguia sua voz para denunciar o trabalho escravo, a violência contra camponeses, indígenas, quilombolas e a criminalização de movimentos sociais. Acreditava e defendia a reforma agrária e a regularização fundiária como caminhos para garantir paz e justiça no campo brasileiro. Propôs e defendeu o que se chamou no Brasil de Campanha pelo estabelecimento de um limite para a propriedade da terra no campo.

Era um agroecologista. Além de cultivar uma horta no quintal da sua casa, defendia a produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, sem transgênicos. Participava de Jornadas de Agroecologia, Feiras de Sementes Crioulas e sempre propunha que os agricultores e agricultaras deveriam ter acesso às escolas técnicas. Atento aos sinais dos tempos e das crises climáticas planetárias causadas pela ação do ser humano denunciou as mudanças no Código Florestal com objetivo de anistiar devastadores das florestas e abrir ainda mais espaço para novos desmatamentos no país sempre em nome dos lucros do agronegócio.

Descansou em paz por ter dedicado sua vida na luta pela justiça para os pobres.

Guardo muitas e boas lembranças da nossa amizade. As sementes (e mudas de flores) que partilhou conosco (quando pela última vez visitamos sua casa, três dias antes do Natal de 2011), ao encontrar a terra livre, germinaram. Vão certamente produzir frutos e flores no quintal das nossas casas. As sementes que D. Ladislau partilhou ao longo da caminhada, vão germinar e produzir frutos e flores nos quintais das nossas vidas.

Foto: Joka Madruga / TerraLivrePress

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