Papa escolhe pessoalmente novo patriarca de Veneza

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Por: André | 08 Fevereiro 2012

O novo patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, foi escolhido pessoalmente por Bento XVI. Vem de Gênova e é discípulo do cardeal Siri. É um verdadeiro ratzingeriano, tanto na teologia como na liturgia.

A reportagem é de Sandro Magister e está publicada no sítio Chiesa, 31-01-2012. A tradução é do Cepat.

A escolha de dom Francesco Moraglia como novo patriarca de Veneza é uma das mais pessoais já realizadas por Bento XVI durante o seu pontificado.

Sua nomeação não foi discutida em um das reuniões realizadas em cada quinta-feira na Congregação para os Bispos, presidida pelo cardeal canadense Marc Ouellet – reunião da qual participam os cardeais e bispos membros da Congregação –, como aconteceu com a escolha de Angelo Scola para Milão.

Também não houve uma reunião restrita a poucos eclesiásticos do alto escalão – por exemplo, os vértices da Secretaria de Estado, da Congregação para os Bispos, da Conferência Episcopal Italiana –, que foi o caso na escolha de outros titulares de outras dioceses cardinalícias italianas, como Turim e Florença.

Parece, ao contrário, que a decisão tenha amadurecido diretamente na mente do papa Joseph Ratzinger e, talvez, em alguma conversa pessoal com um ou outro cardeal.

A investigação da nunciatura vaticana sobre os candidatos para Veneza foi realizada quando esta sede diplomática, na ausência de núncio, era dirigida por um encarregado de negócios que proporcionou um relatório quase notarial das consultas que foram realizadas depois do último verão. No relatório foram incluídas as indicações dos bispos do Trivêneto [região formada por Vêneto, Trentino Alto-Adige e Friul-Veneza Júlia], de outros eclesiásticos e de alguns leigos de Veneza, dos cardeais residenciais italianos, inclusive alguns eméritos, e dos arcebispos de dioceses cardinalícias.

No final do processo, os sufrágios mais numerosos confluíram sobre o arcebispo de Udine, Andrea Bruno Mazzoccato (63 anos, anteriormente bispo de Adria-Rovigo e desde 2009 em Treviso, à frente da diocese friulana) e sobre Moraglia. Mas enquanto em relação ao primeiro, que é vêneto, não houve um plebiscito por parte de seus irmãos da região eclesiástica, o segundo, que provém de Ligúria, recolheu a preferência de quase todos os cardeais consultados.

Dom Moraglia deu-se a conhecer ao grande público após a enchente que assolou duramente a sua diocese de La Spezia em outubro passado, quando determinou imediatamente que os seminaristas da sua diocese (que aumentaram de número com ele) fossem aos lugares do desastre para ajudar a população. Mas de algum tempo para cá é estimado por importantes eclesiásticos que o conheceram de perto.

Nascido em Gênova no dia 25 de maio de há 59 anos, foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1977 pelo cardeal Giuseppe Siri, com o qual se converte em vice-pároco e, em 1986, em professor de Teologia no Instituto Superior de Ciências Religiosas de Ligúria. Com o sucessor de Siri, o cardeal Giovanni Canestri, converteu-se, em 1989, em professor da secção genovesa da Faculdade de Teologia da Itália Setentrional; em 1990, em assistente diocesano do MEIC [Movimento Eclesial de Engajamento Cultural] e, em 1994, em diretor do citado Instituto de Ciências Religiosas. Com o sucessor de Canestri, o cardeal Dionigi Tettamanzi, em 1986 converte-se em diretor do escritório diocesano para a cultura. Com o sucessor de Tettamanzi, Tarcisio Bertone, em 2004 converte-se em canônico efetivo do capítulo metropolitano da catedral de San Lorenzo. Quando, em 2007, chega a nomeação para bispo de La Spezia consagram-no em Gênova, no dia 3 de fevereiro de 2008, o cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo de Gênova e presidente da CEI, e o arcebispo Mauro Piacenza, atual cardeal prefeito da Congregação para o Clero, que sempre seguiu muito de perto a trajetória eclesiástica de Moraglia.

Bagnasco, com um decreto seu de 23 de abril de 2010, nomeia Moraglia presidente do Conselho de Administração da Fundação “Comunicação e Cultura”, da qual depende o canal de TV da CEI, TV 2000, dirigida por Dino Boffo.

Em suma, sobre Moraglia houve uma rara convergência de consensos entre personalidades que, por outro lado, nem sempre estão em sintonia entre si, como os cardeais Bagnasco e Bertone. Assim como entre outros cardeais consultados, como Carlo Caffarra, Camilo Ruini, Angelo Scola e Crescenzio Sepe.

Mas o novo patriarca de Veneza é estimado também pelo ancião, mas sempre vigilante, cardeal Giacomo Biffi que, embora não o conheça de perto, havia utilizado todo o seu prestígio junto ao papa Ratzinger para propor seu nome inclusive para arcebispo de Milão – nas veias de Moraglia flui sangue ambrosiano por parte materna – com uma afligida carta que havia impressionado muito as altas instâncias do Palácio Apostólico.

Moraglia pode ser definido, sem sombra de dúvida, “ratzingeriano” tanto na teologia como na liturgia. É um homem de cultura, sempre atento para que se sinta a presença da Igreja junto ao mundo do trabalho, com uma particular atenção para os mais fracos seguindo uma tradição que procede de Siri. Assim, em janeiro de 2009, foi visto, com impecáveis hábitos episcopais, empunhando um megafone para falar com os operários de uma fábrica mobilizados para defender o posto de trabalho.

Agora Moraglia, midiaticamente bastante na sombra, tem que suceder em Veneza um cardeal como Scola que, pelo contrário, sempre foi muito visível, também graças às múltiplas iniciativas que caracterizaram o seu mandato: basta pensar no pólo educacional do Marcianum e na Fundação Oásis.

Além disso, sendo o primeiro genovês na cátedra de São Marcos, Moraglia deverá também estar atento para não ferir sensibilidades provincianas, sempre à espreita em toda realidade política e eclesial. Uma prova do agrado de sua nomeação, ao menos em nível eclesiástico, se verá quando a Conferência Episcopal do Trivêneto tiver que escolher seu novo presidente (que, atualmente, é o arcebispo de Gorizia, Dino De Antoni, que atingiu os 75 anos, em que deve apresentar sua renúncia). Os predecessores Scola e Marco Cè, ambos lombardos, não tiveram dificuldades para se elegerem. E é improvável que o episcopado vêneto faça, para uma escolha desejada pessoalmente pelo Papa, a descortesia que o episcopado da Toscana infligiu em 2001 ao novo arcebispo de Florença, Ennio Antonelli (antes disso secretário geral da CEI), quando preferiu, como presidente, o arcebispo de Pisa, Alessandro Plotti, grande opositor na CEI do então presidente Ruini.

Com a nomeação de Moraglia – que será feito cardeal no primeiro consistório posterior ao de fevereiro – cresce o peso dos eclesiásticos discípulos de Siri, embora com sensibilidades diferentes. Além de Moraglia, de fato, foram ordenados sacerdotes por Siri os cardeais Bagnasco e Piacenza e o novo cardeal Domenico Calcagno, sem contar o núncio apostólico Antonio Guido Filipazzi e o bispo francês Marc Aillet. O atual mestre de cerimônias pontifícias, dom Guido Marini, foi o último diácono “caudatário” do cardeal Siri, enquanto o vice-ministro de Assunto Exteriores do Vaticano, dom Ettore Balestrero, mesmo estando incardinado na diocese de Roma, também nasceu e cresceu na Gênova “siriana”.

Contam os antigos curiais que uma vez o cardeal Sebastiano Baggio, poderoso prefeito da Congregação para os Bispos, na última fase do pontificado de Paulo VI e no começo do de João Paulo II, havia reprovado no cardeal Siri o fato de fazer aumentar seus seminaristas e sacerdotes como em uma ilha separada do corpo da Igreja italiana. E por este motivo não eram levados em consideração para serem nomeados bispos.

“Sim, é verdade – teria respondido Siri –, nós somos uma ilha, mas ensinei os meus a nadar”. E a nadar bem, se poderia acrescentar hoje.

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