“É impossível evitar acidentes nucleares, por mais que se tente”

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25 Janeiro 2012

Horas após autoridades japonesas pedirem à Agência Internacional de Energia Atômica a instalação de um escritório permanente em Fukushima, o monge budista japonês Yoshihiko Tonohira defendeu ontem, em Porto Alegre, a desativação de todos os reatores nucleares do Japão – país que se recupera do acidente atômico de março de 2011.

Liderança budista e ativista nos movimentos pacifista e antinuclear no Japão, Tonohira vive em Hokkaido, segunda maior ilha do Japão.

A entrevista é de Rossana Silva e publicada pelo jornal Zero Hora, 24-01-2012.

Eis a entrevista.

Que informações sobre as usinas de Fukushima estão sendo omitidas pelo governo e pela imprensa no Japão?

Em 16 de dezembro do ano passado, o governo japonês fez uma declaração de que a situação em Fukushima estava sob controle – que os reatores estavam resfriados. Mas boa parte da comunidade científica e dos cidadãos não tem nenhuma confiança nessa declaração. Não existe evidência empírica de alguém que tenha entrado nos reatores e verificado a situação real – uma pessoa estaria condenada à morte, se o fizesse. A declaração se baseia em uma suposição. Não existe base científica e factual para comprovar que a situação está sob controle.

O que os robôs que entraram no local puderam verificar?

Quando aconteceram os problemas, não havia no país equipamentos capazes de atuar de forma eficaz.

Por que os japoneses estão céticos com as informações?

O governo assumiu um sistema de avaliação de riscos nucleares chamado Speedi – conhecido e de alta tecnologia. Logo depois da catástrofe, em março, o governo já tinha avaliado o risco de contaminação em toda a região de Fukushima, mas essas informações não foram repassadas para o público – e uma grande quantidade de refugiados foi alocada em áreas de risco nuclear. As informações só foram divulgadas meses depois.

Como está a produção de alimentos na região do acidente?

O governo elevou o nível de tolerância à radiação em alimentos e peixes provenientes da região. Logo depois do desastre, correu pelo país o boato de que deixariam de circular, nos mercados, produtos agrícolas e marítimos de Fukushima. Isso suscitou o temor de que a economia da região seria colapsada. As cooperativas da região estão fazendo medições nas verduras e nos peixes para saber o nível de contaminação. Já se constatou uma grande quantidade de casos em que os alimentos estavam com níveis extremamente altos de contaminação.

Países como a Alemanha revisaram seus programas nucleares após o acidente em Fukushima. Qual a lição para o Japão?

Como o Japão é o único país no mundo que foi vítima de dois ataques nucleares, a introdução da energia nuclear, na década de 60, foi acolhida de forma dúbia. O governo e as grandes empresas fizeram um apelo extremamente forte. Eles diziam que um país desenvolvido como o Japão não poderia dispensar o uso da energia nuclear e que não existiria a possibilidade de acidentes. Os japoneses não aprenderam a lição de Chernobyl e atribuíram o acidente às deficiências tecnológicas de um país atrasado. Isso levou o japonês a ter sua confiança no programa nuclear abalada só recentemente. Com esse acidente, algumas coisas ficaram bastante claras. É impossível evitar acidentes, por mais que se tente desenvolver regras ou tecnologia. E, uma vez ocorrendo o acidente, a recuperação da região é muito penosa, quem sabe, impossível. Existe um antagonismo básico e fundamental entre a continuidade da espécie humana e o uso da energia nuclear.

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