A segunda resposta dos lefebvrianos

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18 Janeiro 2012

Um primeiro texto havia chegado ao Vaticano em dezembro, mas havia sido considerado inadequado: assim, a Santa Sé solicitou um novo documento, recém-chegado, que agora está sendo examinado.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 17-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A verdadeira resposta do superior da Fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, formulada segundo as exigências da Santa Sé, chegou ao Vaticano apenas na semana passada. A primeira resposta, que chegou ao Vaticano no último dia 21 de dezembro, não havia sido considerada adequada pelas autoridades vaticanas, que convidaram o responsável dos lefebvrianos a reformulá-la, considerando o primeiro envio mais como uma "documentação" do que como uma resposta.

Dom Fellay, portanto, preparou um segundo texto, mais curto, relativo ao preâmbulo doutrinal que a Congregação para a Doutrina da Fé, lhe tinha entregue em setembro passado. Este segundo texto está sendo agora cuidadosamente examinado pelos consultores da Comissão Ecclesia Dei que acompanham o dossiê dos lefebvrianos, e isso poderia levar tempo.

Na próxima semana, se reunirá no palácio do Santo Ofício, a plenário da Congregação para a Doutrina da Fé. Na pauta, está a possibilidade de uma comunicação sobre as relações com a Fraternidade São Pio X, mas é difícil que a reunião possa ser decisiva, já que a segunda resposta de Fellay, que aceita partes do preâmbulo doutrinal colocando outras em discussão, requer tempo para ser examinada. É provável que uma decisão mais precisa sobre o que fazer seja tomada não agora, mas sim em fevereiro, durante uma "Feria IV", são definidas as congregações ordinárias do ex-Santo Ofício.

No preâmbulo doutrinal proposto pela Comissão Ecclesia Dei, presidida pelo cardeal William Levada e dirigida por Dom Guido Pozzo, pedia-se que os lefebvrianos subscrevessem a profissão de fé, o que é considerado indispensável para ser católico. A profissão prevê três graus diversos de aprovação exigidos e distingue entre verdades reveladas, declarações dogmáticas, e magistério ordinário.

A propósito deste último, o documento afirma que o católico é chamado a assegurar um "religioso obséquio da vontade e do intelecto" aos ensinamentos que o papa e o colégio dos bispos "propõem quando exercem o seu magistério autêntico", mesmo que não sejam proclamados de modo dogmático, como no caso da maior parte dos documentos do magistério.

Ao entregar o preâmbulo, as autoridades vaticanas tinham indicado que esse texto não seria tornado público por ainda não ser definitivo, isto é, sujeito a alterações – não substanciais – ou a eventuais acréscimos. De setembro a dezembro, correram boatos sobre a dissidência dentro da Fraternidade, por parte daqueles que não consideram possível um acordo com Roma.

O próprio Fellay havia falado várias vezes sobre o assunto. Em um primeiro momento, ele afirmara que o preâmbulo representa um grande passo à frente. Depois, após uma importante reunião com os chefes dos distritos da Fraternidade, embora reiterando a importância do diálogo empreendido, dissera que não poderia acolher o preâmbulo como está, acrescentando: "Se Roma nos pede para aceitar em qualquer caso, nós não podemos". Fellay, depois, enviou a primeira resposta, que não foi considerada pelo Vaticano. E agora enviou a segunda.

O fato de que a resposta nova e mais adequada – que foi considerada nos sacros palácios como "um passo às frente" – precise ser atentamente estudada e aprofundada, significa que não é nem um "sim" nem um "não" definitivo ao texto do preâmbulo. Mas acolhe algumas partes do texto vaticano, expressando, ao contrário, reservas sobre outras. E, acima de tudo, pede mais esclarecimentos e acréscimos.

Os lefebvrianos não pretendem dar o seu parecer favorável aos textos conciliares que referem à colegialidade, ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e à liberdade religiosa porque os consideram em contraste com a tradição. Justamente o conceito de tradição, Traditio, e o seu valor representam o ponto crucial do debate que caracterizou as negociações entre a Fraternidade e a Santa Sé. Os lefebvrianos criticam algumas passagens conciliares, considerando-as em desacordo com a tradição da Igreja.

Como cardeal, Joseph Ratzinger havia insistido várias vezes na necessidade de não considerar o Concílio como um "superdogma". Como papa, Bento XVI, no já famoso discurso à Cúria Romana de dezembro de 2005, sublinhou a necessidade de interpretar o Vaticano II segundo a hermenêutica da "reforma" na "continuidade". O Catecismo da Igreja Católica, do qual em 2012 se celebra o 20º aniversário com um especial Ano da Fé, já propôs essa chave interpretativa sobre alguns dos pontos que os lefebvrianos consideram controversos.

Ainda é prematuro especular qual será o resultado final desse diálogo que, nesta fase, ocorre à distância e por escrito. Mas nenhuma palavra definitiva foi dita até agora: o papa quer fazer todo o possível para sanar a ruptura criada com os lefebvrianos, e Fellay sabe muito bem disso.

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