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PF reforça nível de fiscalização sobre imigrantes do Haiti

A Polícia Federal brasileira reforçou a fiscalização na fronteira com o Peru e com a Bolívia e tenta fechar as portas do país à imigração ilegal de haitianos.

A reportagem é de Kátia Brasil e Fred Antunes e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-01-2012.

O aumento do efetivo que patrulha as pontes e os rios da fronteira veio depois de o governo anunciar uma política migratória específica para os haitianos na última quinta-feira.

O Brasil irá conceder 1.200 vistos de trabalho por ano, mas começará a deportar aqueles que entrarem clandestinamente.

Ontem, a Polícia Federal já controlava com maior rigor o fluxo de embarcações no rio Solimões, por onde chega a maioria dos haitianos que escolhem o Amazonas como porta de entrada.

Barcos com imigrantes a bordo eram impedidos de atracar em Tabatinga (AM) e orientados a voltar para Santa Rosa, no lado peruano.

Desde o início de 2010, chegaram a Tabatinga 2.722 haitianos. Ontem, porém, nenhum novo imigrante ilegal foi atendido pela Igreja Católica, que oferece assistência social a eles.

No Acre, outra porta de entrada do haitianos, a PF aumentou desde a última sexta o efetivo nas pontes que ligam o Brasil ao Peru e à Bolívia.

A determinação de barrar os imigrantes ilegais também foi repassada para a Sejudh (Secretaria de Justiça e Direitos Humanos) do Acre, que deixou de oferecer comida e abrigo aos haitianos que chegam até a cidade de Brasileia (231 km de Rio Branco).

De acordo com o representante da Sejudh, Damião Borges de Melo, a orientação é de não atendê-los e de informar à PF sobre a entrada ilegal.

BARRADOS

Melo diz que, em razão da fiscalização mais rigorosa, cerca de 50 haitianos acabaram barrados desde sexta-feira e estão do lado peruano da fronteira, em Iñapari.

Em Brasileia, permanecem cerca de 750 haitianos, sendo que 60% já conseguiram regularizar a situação e apenas aguardam na cidade alguma proposta de emprego para seguir viagem. Ainda não há registro de deportações nem no Amazonas nem no Acre.

Segundo o Ministério da Justiça, os haitianos que atravessarem as fronteiras ilegalmente a partir de agora serão notificados pela Polícia Federal para deixar o país. Se não forem embora em oito dias, serão deportados.

Até a semana passada, o governo estava acolhendo, alegando razões humanitárias, todos os haitianos que chegavam ao país ilegalmente.

O Haiti ainda tenta se reerguer do terremoto que devastou sua capital, Porto Príncipe, há dois anos, e deixou mais de 300 mil mortos.

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