“Humala prometeu defender o meio ambiente, mas agora mostra uma posição pró-mineira”, afirma ativista peruano

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Por: André | 12 Janeiro 2012

“A população de Cajamarca é vítima de mais de 18 anos de contaminação de sua água, solo e ar, além de outros abusos e irresponsabilidades da empresa mineira Yanacocha”, assinala Secundino Silva Urquía, presidente do Comitê de Apoio a Celendín Cajamarca.

A entrevista é de Irene Santiago e está publicada no jornal quinzenal espanhol Diagonal, 05-01-2012. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Qual é a situação atual em Cajamarca produzida pelo projeto de mineração Conga?

A população de Cajamarca é vítima de mais de 18 anos de contaminação de sua água, solo e ar, além de outros abusos e irresponsabilidades da empresa mineira Yanacocha. Entre eles estão o envenenamento, até hoje impune, de mais de 1.200 família em Choropampa no derrame de mercúrio em 2000; o assassinato do camponês Isidro Llanos em Combayo, em 2006; e a agressão de 29 de novembro passado aos camponeses que defendiam o lago El Perol de Conga, com ao menos dois feridos a bala que ficarão inválidos pelo resto da vida.

O conflito segue sem solução porque o Governo tomou partido a favor do investimento mineiro e determinou medidas repressivas contra a luta pacífica da população de Cajamarca. Assim, para sufocar a greve indefinida iniciada no dia 24 de novembro, decretou o estado de emergência [que acabou no dia 15 de dezembro]; depois passou a deter temporária, arbitrária e ilegalmente os nossos dirigentes, e a hostilizar ativistas anti-Conga. Ultimamente, ignorando os representantes do povo de Cajamarca, o governo reuniu pessoas vinculadas à Yanacocha e prefeitos de distritos que estão fora do projeto, apresentando-os como novos interlocutores.

Como os cajamarquinos estão vivendo esta situação?

O povo sente que o presidente Ollanta Humala o traiu. Como candidato prometeu apoiar a defesa do agro, a pecuária, a água e o meio ambiente. Como presidente mostra uma posição abertamente pró-mineira. Os cajamarquinos entendemos perfeitamente que as observações do Ministério do Meio Ambiente ao Estudo de Impacto Ambiental do projeto Conga praticamente dizem que este é inviável. Contudo, aceitamos uma peritagem internacional séria, independente e consensuada de uma empresa consultora, que paralelamente à avaliação profissional do Estudo de Impacto Ambiental faça a auditoria dos mais de 18 anos de trabalhos extrativistas da Companhia Yanacocha.

Você acredita que a demora na solução deste conflito pode gerar uma nova crise governamental?

Sim. Já gerou uma, na qual as posições dialogantes do Governo perderam com a renúncia ética do primeiro ministro Salomón Lerner. O atual primeiro-ministro, Óscar Valdés, entende pouco de civismo e nada de negociações de conflitos.

O conflito socioambiental devido ao projeto Conga tem similitudes com outros casos no Peru?

Sim, porque Conga não é o único projeto de mineração situado em nascentes de bacia hidrográfica. É importante assinalar que executar o projeto Conga ou outros de localização similar são ilegais, já que, lendo o artigo 75 da Lei de Recursos Hídricos, entendemos que não se deve fazer mineração em cabeceiras de bacia. Os danos ou impactos aos seus ecossistemas gerados pelas atividades extrativas da mineração seriam irreversíveis.

O que pode dizer acerca da opinião pública nacional e internacional em torno do projeto Conga?

Uma das tarefas do coletivo que represento é posicionar as razões de resistência do povo cajamarquino ao projeto Conga na opinião pública de Lima, nacional e internacional. Fazemos frente a uma campanha midiática milionária do governo e da Companhia Yanacocha. Através das redes sociais temos recebido a solidariedade da juventude universitária, de muitos coletivos sociais nacionais e estrangeiros, de personalidades de todo o mundo.

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