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11 Janeiro 2012

Diante da leva de haitianos que chega ao Brasil pelo Acre e Amazonas, empresários do sul do Brasil decidiram apostar na contratação de parte dos imigrantes. Mas vinda de ilegais preocupa o governo federal, que decidiu impor restrições.

A reportagem é de Rossana Silva e publicada pelo jornal Zero Hora, 11-01-2012.

A 5.960 quilômetros de distância do Haiti, o Rio Grande do Sul está incluído na rota de oportunidades dos haitianos que deixam o país, fugindo da pobreza e da fome após o terremoto que devastou a nação mais pobre das Américas, há dois anos.

Nas próximas semanas, o Estado receberá imigrantes que trabalharão em uma indústria de massas em Gravataí, na Região Metropolitana.

Após saber pelo rádio do drama dos haitianos que chegam ao Acre, o diretor industrial da Indústria e Comércio de Massas Romena, Alexandro Rosa, viajou para Brasileia para contratar 10 homens. Na fronteira boliviana com o Acre, Brasileia é um dos pontos de entrada de cerca de 4 mil haitianos que já chegaram ao Brasil desde janeiro de 2011. Sozinhos ou com as famílias, enfrentam um roteiro complexo, com passagens por outros países, até alcançar o norte brasileiro. Ali, protocolam um registro de refúgio em um posto da Polícia Federal, onde recebem a autorização provisória para permanecer no Brasil. A previsão é de que, em 90 dias, estejam com um visto humanitário em mãos, com direito a usar o Sistema Único de Saúde (SUS) e a trabalhar com carteira assinada, como ocorrerá na indústria de massas gaúcha.

Ao mesmo tempo em que lidera a força de paz no país caribenho desde 2004, o Brasil agora é confrontado com o risco de uma avalanche migratória na fronteira. Para conter a entrada ilegal de imigrantes, o governo federal decidiu adotar medidas restritivas. Dos 1,6 mil haitianos que já regularizaram seu status no Brasil, acredita-se que 800 conseguiram emprego, especialmente na construção civil em São Paulo, Rondônia, Pará e Brasília. O cálculo é do representante da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre em Brasileia, Damião Borges.

Salários baixos decepcionam

Há um ano acompanhando os haitianos na cidade, Borges está acostumado a que os caribenhos lhe enumerem as razões da imigração: simpatia pelos brasileiros que participam da missão de paz da ONU no Haiti e a crença de que o crescimento econômico e a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas lhes garantirá uma vaga de trabalho. Uma decepção, porém, já foi detectada: os salários são bem menores dos R$ 1,5 mil ou R$ 2 mil que esperavam receber.

– É questão de sobrevivência. Eles relatam que, estar aqui, sob qualquer condição, é melhor do que lá – diz o deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT), que acompanha a situação pela Câmara.

A partir de ontem, a Polícia Federal passou a emitir 40 vistos por dia na cidade, facilitando a contratação de mão de obra haitiana. Além do gaúcho, um empresário catarinense e um mineiro estavam na cidade para contratar haitianos.

Sorrisos e carteira assinada em SC

Funcionários com sotaque espanhol misturado com algumas palavras de francês já fazem parte da rotina de algumas empresas de Chapecó (SC). A empresa Fibratec foi a primeira a contratar os haitianos, há cerca de seis meses. Um dos diretores da empresa, Érico Tormen, disse que seu sócio estava fazendo uma obra no Acre quando viu dezenas de haitianos em Brasileia. Dos 24 que viajaram para Santa Catarina, 13 ainda estão na empresa. Tormen diz que os haitianos se relacionam bem com os demais funcionários.

Em Chapecó desde julho, os irmãos Wendales Zephirin e Lichelet Zephirin trabalham na fabricação de piscinas. Provenientes de uma família de 13 irmãos, eles enviam por mês cerca de R$ 250 a R$ 300 cada um para o Haiti. Eles recebem salário mensal de R$ 850.

“Vamos trazer 10 trabalhadores para Gravataí”

De Brasileia, na fronteira do Acre com a Bolívia, Alexandre Rosa, diretor industrial da b, conversou com Zero Hora no início da tarde de ontem, pouco antes de iniciar a seleção para contratar 10 imigrantes haitianos que receberão treinamento para trabalhar na fábrica, em Gravataí. Eles devem chegar à cidade nas próximas semanas.

Eis a entrevista.

Como vocês souberam da situação dos haitianos?

Ouvimos uma reportagem no rádio na semana passada. Fomos pesquisar na internet e descobrimos o telefone da prefeitura aqui de Brasileia, que nos passou o pessoal da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre. Cheguei a Brasileia hoje (ontem).

Quantos trabalhadores vocês pretendem contratar?

A ideia inicial, até para fazer um teste, é levarmos 10 homens para trabalhar na fábrica em Gravataí.

Eles vão morar em Gravataí?

Sim. Vamos preparar um alojamento até eles se estabelecerem.

Se der certo, mais pessoas serão contratadas?

Exatamente. Essa é a ideia. Hoje temos uma média de 10 a 15 vagas abertas. Por isso, estamos levando 10 pessoas agora. Até está aqui na minha frente um haitiano, ele é professor de português, inglês, estava falando comigo agora e pediu pra ir também, dar aulas para o pessoal, ensinar o pessoal a falar português.

O senhor já fez a seleção?

Não, vou começar agora. Poucos falam português. Eles falam a língua deles, o creole, e quase todos falam francês. Alguns falam espanhol e inglês. Temos na empresa pessoas que falam tanto inglês quanto francês e espanhol. Então, pela língua, não vamos ter problemas. A ideia é dar treinamentos de fabricação, qualidade e segurança.

Como será o trabalho?

Eles vão trabalhar em todo o processo de produção de massas frescas. Vão começar como auxiliar de serviços gerais. Depois, conforme o treinamento e conforme forem se saindo, vamos encaixá-los em outros cargos.

Qual será o salário?

R$ 700 nos três primeiros meses. Depois, vai para R$ 800. Eles também terão assistência médica e cesta básica.

Por que o senhor está contratando os haitianos? Há dificuldade em encontrar mão de obra aqui?

Temos vagas abertas há bastante tempo. Temos uma rotatividade muito grande. Por isso, a decisão de vir buscar pessoas aqui. Além de ter gente sobrando, querendo trabalhar, como eles passaram por bastante dificuldades, a gente acredita que estejam querendo trabalhar de verdade.

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