Prêmio do ano a dois bispos da China, mártires desconhecidos

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10 Janeiro 2012

No final de cada ano, muitas revistas e sites elaboram uma classificação dos personagens mais famosos, que se destacaram em alguma obra ou determinaram a informação mundial. Frequentemente, são personagens da política ou da cultura, ou de um movimento inteiro, como neste ano para a revista norte-americana Time, que consagrou como personagem coletivo de 2011 os jovens da "primavera árabe" e a todos os manifestantes no mundo.

O editorial é de Bernardo Cervellera, diretor da Agência Asia News e reproduzida pelo sítio chiesa.it, 09-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nós, da Asia News, queremos fazer uma escolha contracorrente: dar um prêmio a quem jamais foi mencionado pela mídia, a quem não teve nenhum reconhecimento público, a quem está esquecido, apesar de anos de luta pela verdade, pela dignidade e pela justiça. Enfim, um prêmio ao "ilustre desconhecido".

Assim como a Time, nós também queremos dedicar um prêmio coletivo, a dois grandes desconhecidos: dois bispos chineses da comunidade clandestina que, há décadas, foram sequestrados pela polícia e dos quais ninguém sabe mais nada.

O primeiro é Dom Giacomo Su Zhimin, com quase 80 anos, bispo de Baoding (Hebei) preso pela polícia no dia 8 de outubro de 1997. Desde então, ninguém sabe nem a acusação que provocou a prisão, nem se houve um processo, nem o seu local de detenção. Em novembro de 2003, ele foi descoberto por acaso sendo tratado em um hospital de Baoding, cercado por policiais da segurança pública. Depois de uma breve e apressada visita dos parentes, a polícia fez com que ele desaparecesse novamente, até hoje.

O segundo é Dom Cosma Shi Enxiang, de 90 anos, bispo de Yixian (Hebei), preso no dia 13 de abril de 2001. Dele, não se sabe verdadeiramente nada, embora seus parentes e fiéis continuem perguntando à polícia pelo menos algumas notícias.

Eles merecem ser lembrados ao lado de famosos personagens da dissidência, como o prêmio Nobel Liu Xiaobo ou o grande Bao Tong, porque, assim como eles – e há muito mais tempo –, lutam pela liberdade do indivíduo e pela sua fé. De algum modo, eles são profetas da dissidência: os primeiros a sofrer perseguição; os primeiros a sofrer detenções e condenações; os primeiros a lançar apelos à comunidade internacional; os primeiros a serem esquecidos.

Antes da última prisão, Dom Su Zhimin passou, em fases alternadas, ao menos 26 anos m celas ou em trabalhos forçados, rotulado como "contrarrevolucionário" só porque, desde os anos 1950, sempre se recusou a aderir à Associação Patriótica Católica Chinesa, que quer edificar uma Igreja nacional separada do papa. Em 1996 – de um lugar escondido, por ser procurado – havia conseguido divulgar uma carta aberta ao governo chinês para que respeitasse os direitos humanos e a liberdade religiosa do povo. Ao todo, já passou 40 anos em cativeiro.

Dom Shi Enxiang foi preso por ainda mais tempo: de 1957 até 1980, obrigado a trabalhos forçados agrícolas em Heilongjiang, até ser mineiro nas minas de carvão de Shanxi. Foi preso ainda por três anos, em 1983, depois sofreu três anos de prisão domiciliar. Em 1989 – ano de constituição da Conferência Episcopal dos Bispos Clandestinos –, foi preso novamente e depois libertado em 1993, até a sua última detenção em 2001. Ao todo, já passou 51 anos na prisão.

Enquanto crescem na China as revoltas sociais pela justiça e pela dignidade dos operários e dos agricultores, vale a pena lembrar esses exemplos, porque lutaram pela verdade, sem jamais pegar em armas, muitas vezes sozinhos, sem o conforto das redes do Facebook ou do Twitter.

Também vale a pena lembrá-los porque há o temor de que o regime chinês os faça morrer sob torturas, como ocorreu no passado com outros bispos presos (Dom Giuseppe Fan Xueyan em 1992, Dom Giovanni Gao Kexian em 2006, Dom Giovanni Han Dingxiang em 2007).

Ao mesmo tempo, vale a pena lembrá-los para mostrar como é ridículo o governo de Pequim, que, diante de apelos de personalidades políticas internacionais sobre o destino dos dois bispos, se esconde, respondendo: "Não sabemos". Devemos acreditar que o governo, com um gigantesco aparato policial e uma enorme rede de espionagem e de controle refinado sobre a sua população, ignora onde se encontram esses dois bispos idosos, que a cultura chinesa imporia que fossem respeitados e honrados?

O "não sabemos" também é a resposta que o Vaticano recebe quando – em encontros muito privados com alguns burocratas chineses – ousa levantar a questão sobre os dois bispos desaparecidos. Assim, pelo temor de que o seu destino piore, seus nomes jamais são citados sequer nas orações pelos perseguidos.

A doçura vaticana, mostrada até agora no diálogo com as autoridades chinesas, ainda não conseguiu libertar esses bispos, nem as dezenas de sacerdotes clandestinos que definham nos "laogai", os campos de prisão chineses.

O nosso desejo para a comissão vaticana sobre a Igreja na China é que ela ponha a sua libertação como condição para reiniciar qualquer diálogo. E o nosso pedido a qualquer pessoa, cristã ou não, é que se lembre desses dois idosos, exemplos da fé, da verdade e da dignidade humana.

A eles, sem dúvida, vai o nosso prêmio e, sobretudo, a nossa gratidão. Por isso, queremos iniciar 2012 com uma campanha em seu favor.

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