10 Janeiro 2012
Foram 35 minutos muito bem aproveitados. O presidente da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), Dom Ubaldo Santana, arcebispo de Maracaibo, fez neste sábado o discurso inaugural da 97ª assembleia plenária ordinária que reúne as autoridades da Igreja Católica de toda a Venezuela em sua sede.
A reportagem é de Elvia Gómez, publicada no jornal El Universal, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Nesta semana, sairão desse grupo as novas autoridades. Neste sábado, Santana estava acompanhado do núncio apostólico, Dom Pietro Parolin, o cardeal Jorge Urosa e outros membros da direção da CEV: os prelados Baltazar Porras, Roberto Lückert e Jesús González De Zárate, além de cerca de 50 bispos.
O núncio, Dom Parolin, também se pronunciou, pedindo para que se observe 2012 "com atitude de vigilância e lucidez, e de confiança e sólida esperança, que não se esquiva nem se deixar vencer pelo conflito". Ele citou uma passagem bíblica do profeta Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Para os que habitavam nas trevas, uma luz brilhou". O representante do Vaticano em Caracas ressaltou em um discurso de 18 minutos o papel dos jovens e citou João Paulo II: "Os jovens são a esperança do mundo e da Igreja". Como o país possui uma população muito jovem, Parolin afirmou que "há esperança para a Venezuela".
Dom Santana, em seu discurso, abordou questões mundiais e nacionais: globalização, o movimento dos "indignados", a "primavera árabe", o êxodo dos jovens venezuelanos, o problema da violência criminosa – "uma espécie de guerra civil camuflada" – até a saúde do presidente Hugo Chávez, para quem fez votos para que chegue às eleições do dia 7 de outubro "plenamente recuperado e nas melhores condições possíveis para participar de uma boa disputa". Também detalhou a situação da Igreja venezuelana e anunciou a despedida de seu cargo, agradecendo o apoio recebidos e pedindo desculpas pelos erros que pôde ter cometido.
Santana pediu que seja feita uma correta leitura dos fenômenos mundiais e dos erros do passado e que se copiem paradigmas como "a alternância nas sedes de governo, o abandono de fórmulas totalitárias, a construção de democracias sociais e participativas". Sobre "a espiral da violência que mantém os venezuelanos aterrorizados" e "deixa centenas de cadáveres", o prelado acusou as "gangues de delinquentes de rua, assaltantes, assassinos, chefes de máfias, uniformizados de segurança, traficantes de drogas , corruptos arraigados em órgãos oficiais e privados, grupos irregulares, macrocontrabandistas de produtos da cesta básica e da gasolina" de controlar o país a tal ponto que "sua solução recai fora das possibilidades e das competências do governo".
O presidente do episcopado pediu que "se desarme a população civil, se lute mais frontalmente contra o tráfico de drogas e se limpe os corruptos dos estamentos públicos". Ele pediu uma ação conjunta para "sair de tão sufocante labirinto".
"É indispensável que os venezuelanos abandonem suas trincheiras e divisões e se ponham a trabalhar juntos na elaboração de um projeto integral e consensual de país". Ele falou do aumento da conflitividade e dos protestos, "reclamações que não receberam a resposta esperada e foram reprimidos com brutalidade".
Ele também criticou "os inúmeros e seguidos processos eleitorais" que afastam os governantes das suas obrigações. Santana exigiu "pacífica mas energicamente" que "os políticos ouçam mais o povo" e formulou o desejo de "sinais positivos que favoreçam a tolerância (...), um maior respeito pela Igreja, por seus pastores e por seus lugares de culto".