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20 Novembro 2011

Desmentindo as versões de "desgaste" de que falava o governo, o movimento dos estudantes e professores ocupou as ruas com quase 50 mil pessoas. Houve enfrentamentos, 21 prisões e cinco policiais feridos ao fim do dia.

A reportagem é de Christian Palma e publicado pelo Pagina/12, 19-11-2011. A tradução é do Cepat.

Não deu tempo nem para uma trégua. Foi apenas uma pausa para tomar folego e continuar demonstrando nas ruas que o movimento estudantil chileno continua vivo. Depois de alguns dias em que os líderes estudantis estiveram definindo de que maneira continuariam apresentando suas reivindicações, uma nova marcha convocada pelo Colégio de Professores e a Confederação de Estudantes do Chile mobilizou quase 50 mil pessoas.

A jornada começou cedo. Já às sete e meia da manhã, um grupo de vinte pessoas colocou pneus na Alameda, a principal avenida de Santiago e junto ao Instituto Nacional (a maior escola pública do país) e na Casa Central da Universidade do Chile. Atentos, os carabineiros reagiram imediatamente com a presença das Forças Especiais e os "guanacos", os carros hidrantes.

Às 11 horas começou a avançar a maré humana da Universidade de Santiago até o centro da cidade. Os organizadores qualificaram a atividade como "um sucesso", pois demonstra que a direção "não está desgastada". Segundo dirigentes estudantis e do magistério chileno foram mais de 40 mil pessoas que participaram da marcha. A prefeitura metropolitana reduziu o número para cinco mil, o que obviamente não condiz com a realidade.

A partir do número de pessoas e após sete meses de mobilizações, Jaime Gajardo, presidente da organização dos professores, afirmou: "Não vejo como com 40 mil pessoas se possa falar em desgaste ou que o movimento está em baixa. Que o governo fique esperto porque o movimento está forte", disse o líder do magistério que participou da manifestação em meio a cartazes, faixas e lenços que coloriram o ambiente.

Em relação às negociações e reuniões entre o governo e a oposição em torno da pauta da educação, Gajardo disse que "não pode haver acordos de bastidores que não levem em conta o movimento social. Qualquer saída à margem do movimento não é aceitável". Isto em relação ao tíbios avanços nas negociações entre o governo de Sebastián Piñera e a oposição para destravar os conflitos. Tratativas, não obstante, que não tem sido aceitas pelos estudantes.

Essa foi a impressão que manifestou também Giorgio Jackson, ex-presidente da Federação dos Estudantes da Universidade Católica e porta-voz da Confech. O jovem estudante pediu transparência. "Essas discussões entre dois grupos e de costas para o movimento parecem-me nefastas (...) lembra as práticas que tivémos durante os últimos vintes anos", numa referência direta ao coração da Concertación, bloco de partidos de centro-esquerda que esteve no poder nas últimas décadas no Chile.

Ao final da marcha, o quadro de sempre: incidentes provocados por jovens com os rostos cobertos (encapuzados)  que enfrentaram a polícia nas esquinas da Avenida República com a Blanco Encalada, próximo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Chile. Novamente, as Forças Especiais utilizaram todo o seu poder repressor que incluiu bombas lacrimogêneas e água para dispersar os manifestantes. A ex-presidenta da Federação de Estudantes do Chile, Camila Vallejo – que deixou o cargo esta semana para se reapresentar a presidência da entidade universitára pela lista da Esquerda Estudantil – concordou com as críticas feitas pelos seus colegas citados anteriormente.

Os vizinhos reiteiraram o pedido às autoridades para não autorizarem as marchas em regiões residenciais devido aos danos que acontecem. Entretanto, muitos apoiam o movimento, com críticas apenas ao grupo minoritário de encapuzados que promovem violência e saques.

Mais tarde, Camila Vallejo recebeu de mãos da esposa do falecido artista chileno Roberto Matta, Germanna Ferrari, a escultura Atlantine, cuja mensagem é "Criar para crer". A figura de bronze foi entregue durante a cerimônia central do 169º aniversário da Universidade de Chile. "Sempre admirei muito a obra de Roberto Matta. Agora é muito mais emocionante, porque manifesta o sentido desse movimento e a consigna de Criar para crer. Também é muito relevante em relação ao que temos feito esse ano: apostado na criatividade, apresentado propostas e através disso acreditar em algo diferente", disse.

Os estudantes convocaram uma nova mobilização para o próximo dia 24 de novembro, às sete da tarde, denominada de Marcha Latino-americana, já que acontecerá paralelamente no Perú, Colômbia, México, Costa Rica, Brasil e Argentina. Ao final do dia, 21 pessoas foram presas e cinco policiais feridos.

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