Queiruga é impedido de dar aulas em instituto de teologia

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12 Novembro 2011

O veto episcopal a uma presença "preeminente e unilateral" do teólogo Andrés Torres Queiruga no Instituto Diocesano de Teologia e Pastoral de Bilbao (IDTP) originou uma forte polêmica na Igreja de Vizcaya. O filósofo galego havia sido consultado pela direção do centro para dar um curso de formação dentro do atual ano letivo, mas o bispo Mario Iceta limitou sua participação ao considerar que "não se trata de uma pessoa representativa da diocese", segundo fontes próximas ao prelado, que asseguram que "não existe nenhum impedimento para que integre uma mesa redonda da qual participariam outras sensibilidades". O setor crítico da comunidade eclesial garante que se trata de um ato de "sectarismo" para fazer pender a atividade do instituto numa linha conservadora.

A reportagem é de Pedro Ontoso e está publicada no jornal espanhol El Correo, 11-11-2011. A tradução é do Cepat.

Os círculos mais progressistas da diocese defendem o trabalho do Instituto de Teologia, "que elaborou programas muito compensados em uma atividade muito próxima à pastoral. Uma atividade muito escorada? Por suas salas de aula passaram pessoas muito variadas e plurais, que abarcam campos muito diferentes. Desde Santiago Guijarro a Serafin Béjar. Evidentemente, pessoas muito abertas, mas que não se caracterizaram por sua belicosidade ou beligerância contra os bispos. Em nenhum caso se agiu de forma tendenciosa", se insiste.

Este episódio trouxe à tona um conflito que vem de longe e que se centra no controle do Instituto de Teologia, com muita tradição na diocese e pelo qual passaram figuras relevantes. Os gestores do centro trataram, desde o começo, de blindar sua atividade do controle episcopal, o que originou choques com os bispos. "O projeto do IDTP para atuar como um ente autônomo no qual o bispo não podia intervir se revelou uma utopia inútil, equivocada e impensável", garante um professor que seguiu de perto sua atividade.

O professor universitário Javier Oñate, um veterano da comunidade diocesana, é o atual diretor do Instituto. Este sacerdote, com muito boa formação, é um membro qualificado do Conselho de Presbíteros – um dos órgãos da direção da diocese –, ao qual chegou pelo apoio que obteve na consulta eleitoral que se realizou após a posse de Iceta. O bispo o ratificou em seu posto, apesar de não ser de sua estrita confiança e de sua pertença ao Fórum de Padres de Bizkaia, um coletivo crítico que fiscaliza sua gestão. Javier Vitoria, naquele momento diretor do IDTP, garante que Iceta comunicou ao atual responsável a necessidade de "reconduzir o instituto para uma posição mais central". O teólogo assinala, em um artigo publicado na página da internet do fórum de padres, que "infelizmente, o velho debate que mantivemos com alguns membros do governo diocesano (e auxiliares) sobre a autonomia do IDTP continha formas veladas de censura como presumíamos".

Blázquez não gostou

Ricardo Blázquez, segundo recordam colaboradores do bispo anterior, não gostava da autonomia do centro, criado na época de dom Larrea. Apoiado em um relatório de canonistas romanos, fez pequenas modificações no estatuto para ter uma maior possibilidade de intervenção. Tudo indica que Mario Iceta colocou o instituto sob sua lupa, tirou-lhe poder de fogo, e agora propõe "abrir o leque ideológico dos professores que passam por suas salas de aula", segundo asseguram fontes consultadas por este jornal. Esta "abertura a outras sensibilidades" é interpretada em outros setores como "uma tentativa de controle doutrinal, porque se trata de um assunto absolutamente chave para o governo episcopal".

O "caso Torres Queiruga" detonou um movimento que pode ir mais longe. O professor galego é um dos pesquisadores "que mais a sério tomou a Teologia, e de maneira profunda, em um diálogo com a modernidade a partir de um espírito religioso", segundo descreve um pensador próximo ao seu discurso. "Trata-se de um teólogo de grande formação, que não tem nada a ver com autores panfletários e aventureiros. Não é um incendiário, mas um homem moderado que faz um exercício corajoso da teologia, dentro do que é o dogma católico", insiste.

De fato, Torres Queiruga participará no próximo ano de um ciclo organizado pela Universidade de Deusto por ocasião do 125º aniversário da instituição dos jesuítas, um cenário que não lhe é alheio. Nesse mesmo fórum está prevista a participação do arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, novo dicastério da cúria romana. O prelado manterá um diálogo público com Victoria Camps.

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